Follow The Money
por Manfred Back
“Money, it’s a gas
Grab that cash with both hands and make a stash
New car, caviar, four-star daydream
Think I’ll buy me a football team
Money, it’s a hit
Ah, don’t give me that do-goody-good bullshit
I’m in the high-fidelity, first class travelling set
And I think I need a Learjet
Money, it’s a crime…
Money, so they say
Is the root of all evil today” (Money, Pink Floyd)
Dinheiro a verdadeira criação do demônio, o encantador de serpentes, ou o encanto do flautista de Hamlin que hipnotizava os ratos. Capaz de comprar corações, mentes e até a fé das pessoas. A seita que mais cresce na humanidade, são os seguidores do dinheiro, follow the money!
O dinheiro não tem pátria, nacionalidade e ideologia. Como dizia aquele filósofo iluminista do século 19 o dinheiro é a riqueza abstrata. Como diria eu – nem filósofo, nem iluminado – o dinheiro é a riqueza abstrata em suas formas concretas.
Toda vez que acontecem escândalos financeiros e fraudes, a turba enfurecida aparece com sua hipocrisia falsa moralista. A turba que delirava no coliseu e a mesma que jogava pedras em Maria Madalena, porque o pecado é sempre do outro. O espelho é sempre do outro. Vira a procura de alguém para crucificar num mundo binário, dividido entre mocinhos e bandidos. O dinheiro não tem moral, nem ética, é amoral. Corrupção e fraudes sempre foi e será uma via de mão dupla, alguém pagou e alguém recebeu e vice-versa. Quem comprou CDB do Master com 140 ou 145% de CDI com garantia de até 250000 reais do fundo garantidor de crédito (FGC), não é diferente do megalomaníaco dono do Master, do Governador do Distrito Federal e seu banco “bilionário”, do deputado federal que propôs mudar a lei para demitir os diretores do banco central contrários a venda do banco, do ex presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pressionado alegou razões pessoais, do ex presidente do banco central que sabia das operações desde 2023 fingiu que não viu, de governadores e prefeitos que investiram dinheiro de fundos de pensões dos seus servidores, todos são iguais e humanos, fascinados pelo ganho fácil, não tem bonzinho, nem mauzinho!
Não vai ser a primeira vez, e, muito menos a última, de bancos que aparecem como raios, do nada, e voltam para o nada. A cobiça, a ganância, a fama, a aparência, o egoísmo, e acima de tudo, não a pátria, mas o ego. Levam a turba as ondas das taxas de juros estelares. Os economistas dogmáticos da doutrina da escola de expectativas racionais devem estar perplexos, mais o ego da ancoragem da infalibilidade racional aritmética, jamais farão um gesto de humildade, nem no confessionário da Capela Sistina. Afinal, o mundo vive, segundo The Masters oh the Economic de causas e efeitos. Cabe aqui a um pobre infeliz indagar: se todos são racionais por que acontecem bolha da tulipa, esquemas Ponzi, pirâmides, Madoff e Banco Master?
E com toda humildade da incerteza, e vão continuar acontecendo! Incerteza, aleatoriedade, margem de erro, acaso, probabilidade são invenções que foram criadas para destruir a indestrutível dogma dos agentes racionais maximizadores e mercados perfeitos! O irracional para eles, é o racional para a turba, o sonho do dinheiro fácil, sem esforço! É tudo menos uma questão moral, Nietzsche escreveu a Genealogia da Moral, onde separa o bom do mau e o bem do mal, o mercado financeiro vive e se alimenta da Genealogia do Dinheiro. Nem bem, nem mal, nem bom, nem mau, só ganhar dinheiro! Como? Não interessa! O primeiro que atira a pedra se tiver oportunidade fará o mesmo que Master, ou Madoff, ou o próximo que virá, é do instinto humano!
Só o caminho do dinheiro perverte os caminhos da racionalidade. Ah, esse dinheiro, essa invenção maldita, que atormenta o pensamento e a vida das pessoas. Levam a caminhos tortuosos, o sonho do dinheiro fácil, a rapidez de ficar rico e a taxa de CDI de 145%, ou um bulbo de tulipa valer uma carruagem ou uma casa! Todos querem ser Masters, todos! Ninguém se salva do Titanic da ganância! O iceberg do sistema financeiro vai te encontrar! Passando um véu sobre o sistema e a lógica do dinheiro, nada esquisito!
“A tolice humana perverte os caminhos”. (Provérbios 19:3)
Que o Master, sirva de lição aos Masters of The Universe do moralismo, mais do que nunca, vão estudar o dinheiro! O dinheiro é “Deus” do sistema e da vida das pessoas, ele ressuscita, não depois de sete dias, mas todos os dias!
“Observem os que vos rodeiam e verão como andam perdidos na vida; vão como sonâmbulos, com sua boa ou má sorte, sem nem suspeitar o que lhes acontece”. (Ortega y Gasset)
Master é que domina alguém ou alguma coisa. O dinheiro domina todas as coisas! Triangulações de operações, créditos fictícios, fundos variados do mesmo proprietário, políticos envolvidos, qual a surpresa? Um esquema Ponzi do andar de cima, chique de elite, novidade? Madoff enganou por dez anos, bilionários, com uma corretora fictícia no último andar. Enganou os órgãos reguladores e fiscalizadores com contabilidade paralela. Os bilionários acreditaram na sua promessa de garantir rentabilidade fixa anual de 10% em dólar em renda variável. Rendimento fixo em ativos de renda variável, é mole! Os bilionários acreditaram, não por uma questão moral, porque são tão gananciosos de ganhar dinheiro fácil quanto Madoff. Você que investiu no CDB Master, você político que investiu fundo de pensão no CDB Master apesar dos avisos da polícia federal, você que comercializou CDB Master na plataforma, você do BRB, que atire a primeira pedra! Se depender de vocês, outros Master, tulipas, Maddoff, Ponzi virão!Follow the money, sempre!
“Pecunia non olet”. O dinheiro não tem cheiro ou o dinheiro não fede, frase atribuída ao imperador Vespasiano. O significado seria que a origem do dinheiro pouco importa. A riqueza tanto faz, tem o mesmo valor, seja proveniente de forma lícita ou ilícita!
“Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador
De um sonhador
Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou” (Pecado Capital, Paulinho da Viola)
Manfred Back bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP, mestre em Administração Pública pela FGV-SP. Atuou como Trader na bolsa de valores (BOVESPA), como operador na mesa de operação de renda variável e futuros, como economista-chefe, como gestor de carteira e fundo de ações. Professor de microeconomia, macroeconomia, mercado de capitais e derivativos de graduação, pós-graduação e de ensino fundamental.
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