O chamado feito pelo presidente norte-americano Donald Trump para que petroleiras do país invistam pelo menos US$ 100 bilhões na indústria de petróleo da Venezuela encontrou resistência da ExxonMobil, a maior empresa do setor.
Segundo o jornal britânico Financial Times, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou em reunião na Casa Branca que a Venezuela segue “inviável para investimentos”, citando fragilidades jurídicas, insegurança institucional e histórico de expropriações.
Na visão da empresa, não basta o potencial das maiores reservas de petróleo do mundo: sem mudanças profundas no marco legal, no regime de contratos e nas leis de hidrocarbonetos, o risco supera o retorno.
O ceticismo da corporação encontra eco na história: ao longo do século XX, a empresa teve seus ativos confiscados duas vezes pelo governo venezuelano, assim como aconteceu com outras empresas petroleiras ao longo de ciclos anteriores de nacionalização.
Por outro lado, empresas como Chevron, Shell, Repsol e Eni adotaram tom mais pragmático. Todas condicionam novos aportes a autorizações específicas relacionadas às sanções dos EUA e a algum grau de previsibilidade jurídica. Ainda assim, nenhuma assumiu compromissos irreversíveis.
Trump pretende adotar uma abordagem agressiva: o presidente norte-americano promete escolher pessoalmente quais empresas poderão operar na Venezuela, ao mesmo tempo em que pressiona por decisões rápidas e rejeita qualquer tipo de compensação por perdas passadas.
O presidente também descarta o uso de recursos públicos para garantir investimentos e promete “segurança total” — ainda que sem detalhar como ela seria assegurada em um país politicamente instável.
Deixe um comentário