A já tensa relação entre as duas maiores potências da América do Sul entrou em um novo estágio de ruptura. Em entrevista ao jornalista Andrés Oppenheimer, da CNN, o presidente argentino Javier Milei não apenas descartou qualquer diálogo com o presidente Lula (PT) sobre a crise na Venezuela, como também manifestou publicamente sua preferência pela vitória da família Bolsonaro nas eleições brasileiras de 2026, um movimento sem precedentes que realinha a política externa de Buenos Aires à polarização brasileira.
A declaração ocorre no mesmo momento em que o Itamaraty decidiu encerrar a custódia brasileira da Embaixada da Argentina em Caracas, entregue provisoriamente ao Brasil desde agosto de 2024, após a expulsão dos diplomatas argentinos pelo regime de Nicolás Maduro. A tutela agora deve ser assumida pela Itália, segundo apurações diplomáticas.
Choque de abordagens sobre a Venezuela
A crise venezuelana se tornou o eixo da ruptura bilateral. Milei apoiou abertamente a incursão dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro, enquanto o governo Lula defendeu uma saída negociada e condenou a intervenção militar estrangeira, postura que considera uma violação da soberania regional.
Questionado sobre uma conversa com Lula após essa operação, Milei foi direto: “não tenho nada a falar com Lula sobre esse tema”.
Ele ainda disparou contra a tradição diplomática brasileira, classificando a postura de Lula como derivada do que chamou de “socialismo do século 21”, termo pejorativo que usa para descrever a política de governos de esquerda na região.
Alinhamento eleitoral e o “fator 2026”
O discurso de Milei ultrapassou a crítica política ao tocar diretamente na sucessão presidencial brasileira: “Tenho os Bolsonaro. Se me pergunta, se me tira do lugar de político, está claro que prefiro uma solução com os Bolsonaro e não uma solução com o socialismo do século 21”.
A manifestação foi rapidamente celebrada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato ao Planalto. Em suas redes sociais, ele saudou o apoio e vislumbrou uma “parceria comercial de verdade no Brasil a partir de 2027”.
Esse aceno tem implicações diretas para o futuro das relações econômicas sul-americanas, da redução de tarifas bilaterais à tentativa de reposicionar o Mercosul, recém-fortalecido por um acordo de livre-comércio com a União Europeia.
Por trás da ruptura diplomática
A decisão de Brasília de abandonar a representação argentina na Venezuela não se deu apenas por causa das declarações recentes. Fontes diplomáticas relatam que provocações repetidas de Milei nas redes sociais, incluindo representações ofensivas do Brasil em comparação com a Argentina, deterioraram a confiança mútua.
No governo brasileiro, a avaliação é que a manutenção da custódia da embaixada tornou-se insustentável por falta de reciprocidade. A transferência para a Itália repõe, ao menos formalmente, um padrão consular previsto em acordos internacionais, mas sinaliza o fim do papel de ponte que o Brasil vinha desempenhando desde 2024.
Economia em meio ao colapso político
Na entrevista, Milei tentou separar política de economia ao dizer que diferenças políticas não precisam interromper o fluxo comercial entre Argentina e Brasil, principal parceiro econômico de Buenos Aires.
Entretanto, a ruptura no topo das relações bilaterais lança uma sombra sobre o futuro das cadeias de suprimentos, fluxos de investimentos regionais e cooperação energética na América do Sul.
A crise soma-se às profundas transformações geopolíticas desencadeadas pela intervenção dos EUA na Venezuela e por movimentos de realinhamento político em países vizinhos.
Carlos
12 de janeiro de 2026 4:20 pmEstá ameba é só mais um beija bunda do trump.
E o que interessa se o filho do rato comemorou?
Afinal este camundongo vem pegando bonde errado direto como bater palmas para tarifas e sanções já revertidas.
A caravana vai passar, de novo.
Márcio Arneiro Mendes
19 de fevereiro de 2026 8:46 amVindo de um cara que conversa com cachorro morto, nada a estranhar.