A política cearense entrou em modo pré-eleitoral após o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) sinalizar que avalia voltar à disputa pelo Palácio da Abolição em 2026. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na Assembleia Legislativa do Ceará, sem anúncio formal de candidatura.
O movimento recoloca Ciro no centro do debate estadual após sucessivas candidaturas presidenciais e ocorre em meio à reorganização do campo oposicionista, que busca se apresentar como alternativa ao governo do petista Elmano de Freitas.
A tentativa de unificação da oposição
A estratégia de Ciro passa pela tentativa de unificar a oposição em torno de uma chapa competitiva. Entre os nomes citados nas articulações estão o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), além de interlocutores do PL, partido que concentra a principal base bolsonarista no estado.
A movimentação, no entanto, não ocorre sem tensões. Declarações recentes da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, contrária a qualquer aliança com Ciro, expuseram divisões no PL e mostraram que a chamada “chapa ampla” enfrenta limites políticos e ideológicos.
A expectativa em torno da disputa ganhou novo fôlego com o anúncio da primeira pesquisa eleitoral de 2026 no Ceará, do instituto Paraná Pesquisas, que será divulgada nos próximos dias e deve trazer, pela primeira vez, um retrato quantitativo de um provábel embate entre Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB).
Do lado do governo, o PT aposta na continuidade administrativa e na força da máquina estadual, além da associação com o governo Lula, ainda bem avaliado no Nordeste. Já no campo progressista, há críticas à estratégia de Ciro de buscar alianças com a direita, vista por setores petistas como uma escolha pragmática que dilui fronteiras políticas e embaralha o discurso de oposição ao bolsonarismo.
Entre estratégia eleitoral e contradições políticas
Esse debate não é novo. Em outubro de 2025, em entrevista ao canal TV GGN, o cientista político Paulo Ramirez, professor da ESPM e da FESPSP, avaliou a filiação de Ciro ao PSDB como um movimento politicamente contraditório e de alto risco eleitoral.
Para o analista, a trajetória recente do ex-governador é marcada por sucessivos erros estratégicos, com destaque para a decisão, em 2018, de não compor com o PT — primeiro recusando ser vice de Lula e depois de Fernando Haddad — o que, em sua avaliação, contribuiu para a fragmentação do campo progressista e abriu caminho para a vitória de Jair Bolsonaro.
Ramirez também chamou atenção para a incompatibilidade programática entre Ciro e o PSDB. Enquanto o ex-governador defende historicamente um projeto de desenvolvimento nacional com forte presença do Estado, a legenda tucana carrega um legado associado à agenda liberal, de privatizações e flexibilização de direitos.
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Paulo Dantas
17 de janeiro de 2026 11:07 amCiro já deu no saco, ao menos só pertuba os cearences agora, coitados.