O governo de Lula (PT) deve declinar o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o recém-proposto “Conselho da Paz”. A organização, apresentada por Washington como uma alternativa para mediar conflitos globais, começando pela guerra na Faixa de Gaza, é vista pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty como uma ameaça ao sistema multilateral e à soberania nacional. As informações são do colunista Jamil Chade, no ICL Notícias.
Relatórios internos recomendam que o Brasil ignore a proposta ou mantenha um “silêncio estratégico” para evitar o desgaste diplomático direto, enquanto aguarda que a iniciativa perca fôlego internacionalmente.
Concentração de poder e custos bilionários
A estrutura do conselho é o principal entrave para a diplomacia brasileira. Sob o comando direto de Trump, o órgão centralizaria todas as decisões e o poder de veto nas mãos do presidente americano. Além disso, a proposta estabelece uma hierarquia financeira: para garantir um assento permanente, cada país precisaria desembolsar US$ 1 bilhão.
Para o corpo diplomático brasileiro, o modelo aprofunda desigualdades entre as nações e ignora o direito internacional estabelecido. O diagnóstico é de que o novo órgão seria uma versão ainda mais restritiva do Conselho de Segurança da ONU, retirando o espaço de negociação que o Brasil historicamente defende.
Diferente do governo argentino de Javier Milei, que prontamente aceitou o convite, o Brasil avalia que o tratado de criação não permite ajustes. Para aderir, o país teria de aceitar integralmente os termos impostos pelos EUA, sem margem para debates sobre governança ou financiamento.
Incertezas sobre a Faixa de Gaza
Apesar de Trump classificar a iniciativa como o “maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, o governo brasileiro aponta falta de clareza nos objetivos práticos para o Oriente Médio. O Itamaraty busca entender quem seriam os outros integrantes e quais seriam os custos operacionais da missão.
“Nada disso está claro”, afirmou um diplomata familiarizado com as discussões internas. Segundo interlocutores do governo, a posição brasileira depende de um alinhamento prévio com outros atores globais. “Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, completou a fonte.
Divergências diplomáticas e estabilidade regional
A resistência de Lula também se fundamenta no histórico de suas declarações sobre o conflito em Gaza. O presidente brasileiro já classificou as ações do governo de Benjamin Netanyahu como “extermínio do povo palestino” e “aniquilamento de seu sonho de nação”. O chanceler Mauro Vieira reforça o tom crítico, descrevendo a ofensiva israelense como uma “carnificina” que ultrapassou os limites da proporcionalidade.
Outro ponto de alerta para a inteligência brasileira é a prerrogativa de atuação global do conselho de Trump. Brasília teme que o órgão possa intervir militarmente ou politicamente em qualquer região do mundo, o que representaria um risco direto à estabilidade da América do Sul e à influência brasileira em seu entorno estratégico.
A decisão final de Lula ainda não foi comunicada oficialmente à Casa Branca, mas a tendência é que o Brasil se mantenha fiel à defesa da ONU, apesar das críticas que o próprio governo faz à paralisia das Nações Unidas nos últimos anos.
Rui Ribeiro
20 de janeiro de 2026 10:53 amMacron não só entende o que Trump está fazendo na Ucrânia, na Faixa de Gaza, no Irã, na Venezuela, etc, como também participa. Mas não entende o que o Trump está querendo fazer com a Groenlândia. Pois bem. Pimenta nos olhos dos outros, é refresco nos olhos da Zoropa.
Macron é seletivozinho.