Se “É possível julgar o grau de civilização de uma sociedade visitando suas prisões (Dostoievski, em Crime e Castigo), não há como duvidar do estágio avançadíssimo de barbárie e de degeneração moral e ética da sociedade brasileira, no campo criminológico. Da classe A à classe E (rico, médio, classe C, “ralé” e excluídos), a grande maioria das pessoas, diante das decaptações de presidiários, desgraçadamente frequentes, não se estarrece, não se abala, ao contrário, jubilam (se alegram) apopleticamente (incomensurávelmente). Quanto mais presos mortos, se diz, melhor para essa sociedade (bárbara), que assim imita e se iguala à atrocidade e à ferocidade dos criminosos perversos.
É muito difícil para o animal pouco ou nada domesticado (Nietzsche) e moralmente degenerado aceitar a ideia de que a desumana, cruel e empestada pena de prisão deveria ser reservada exclusivamente para os crimes cometidos com violência ou grave ameaça (posição sustentada há anos pela Folha de S. Paulo, que subscrevemos). Tampouco lhe é facilitada a possibilidade de enxergar a irracionalidade bestial (de remover os ossos de Descartes e de Montesquieu!) de punir os crimes não violentos com a mesma e dispendiosa pena de prisão (que custa R$ 24 mil por ano, por preso, sem contar o gasto da construção do presídio), corretamente, no entanto, aplicada aos criminosos violentos e perversos, cujo estado de liberdade gera concreto perigo para a sociedade.
Cinquenta e cinco por cento (55%) dos presos recolhidos no sistema penitenciário brasileiro não praticaram crimes violentos; 30% referem-se a furto, receptação, porte ilegal de arma de fogo, corrupção, peculato e associação criminosa; 25% relacionam-se com o tráfico de drogas.
O problema é que nem as monstruosidades diárias dos presídios peçonhentos e medievais (mostradas diuturna e dramaticamente pela mídia) nem as irracionalidades punitivas animalescas e cavalares (um homem de 80 anos ficou mais de 12 preso irregularmente) melindram o humano degenerado (moralmente e eticamente), cuja insensibilidade (hermeticamente petrificada) para a defesa dos direitos humanos de todos (vítimas, espoliados, explorados, escravizados, assalariados neoesvravizados, proprietários, capitalistas, processados, presos massacrados etc.) já ultrapassou em muito o estágio da paralisia, que estanca, mas não adormece, para alcançar a imobilizadora anestesia (moral), monipolizada pela banalização do mal (Hannah Arendt), ou seja, já nenhuma injustiça social nem mesmo as mais estapafúrdias irracionalidades do Estado o impressionam ou fazem ao menos mover seus olhos. Estátua imoral marmorizada na forma humana. Barbárie separada abissalmente da civilização.
Phillip
3 de fevereiro de 2014 8:46 pmPergunte ao filho do
Pergunte ao filho do Governador Alckmin, o que ele acha dessa declaração…
Ainda mais hoje, após ele se tornar mais uma estatistica da violência “diminuindo” no estado de S Paulo…
Apesar de mais parecer um exemplo de justiça poética, desmentindo o próprio pai….
hc.coelho
3 de fevereiro de 2014 8:50 pmE o judiciário
Mas isso não é um caso para ser debatido e solucionado pelo judiciário. Mais uma vez eles se escondem dizendo que “as leis…”
Não se trata de resolver o problema, mas de sair deste descalabro colocando no presídio que rouba uma lata de manteiga e dando dezenas de chances a matadores que perambulam por ai. Está claro e evidente que o encarceramento se deve a áqueles que põe em risco a segurança dos cidadão livres. Há mil tipos de possível de penalização para os outros. Como eles liberam para liberdade provisória um tipo como o elias maluco, esta é a condição que ele se encontrava quando matou o jornalista do globo, e mandam para a prisão quem é ou consideram ser “desonestos”. Há milhares de casos de falhas grosseiras como essa. Não vou nem falar da incrivel prisão de pessoas de alto gabarito, honradas, admiradas, etc. Ou será que é justamente por isso que não encaminham melhor o problema?
Não é nem prisão para quem comete crime violento, é prisão para quem põe em risco qualquer cidadão comum.