A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 2,88 trilhões em 2025, informou a Secretaria da Receita Federal nesta quinta-feira (22). O montante representa o maior valor já registrado para um ano fechado desde o início da série histórica, em 1995, ou seja, em 31 anos.
Considerando os valores corrigidos pela inflação, a arrecadação somou R$ 2,93 trilhões, frente a R$ 2,82 trilhões em 2024, o que corresponde a um crescimento real de 3,65%.
Segundo a Receita, o desempenho recorde é resultado da combinação entre medidas de aumento da carga tributária adotadas pelo governo e pelo Congresso Nacional e a expansão da atividade econômica ao longo do ano passado.
Medidas para elevar a arrecadação
Entre as iniciativas que contribuíram para o aumento das receitas estão:
- Tributação de fundos exclusivos, voltados à alta renda, e de offshores no exterior;
- Mudanças na tributação de incentivos fiscais concedidos por estados;
- Aumento dos impostos sobre combustíveis, implementado em 2023 e mantido em 2025;
- Retomada do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf);
- Limitação no pagamento de precatórios;
- Criação do imposto sobre encomendas internacionais, conhecido como “taxa das blusinhas”;
- Reoneração gradual da folha de pagamentos;
- Fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (Perse);
- Elevação do IOF sobre operações de crédito e câmbio.
A Receita destacou ainda que aumentos aprovados no fim de 2025, como a elevação da tributação sobre juros sobre capital próprio, fintechs e apostas online, não tiveram impacto na arrecadação do ano passado.
Economia em expansão
Além das mudanças tributárias, o Fisco aponta que a melhora do desempenho econômico foi determinante para o resultado recorde. Indicadores como produção industrial, vendas de bens e serviços, massa salarial e importações apresentaram crescimento ao longo de 2025, ampliando a base de arrecadação.
IOF atinge maior valor da história
A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também bateu recorde em 2025, alcançando o maior valor da série histórica.
Em termos reais, o tributo arrecadou R$ 86,5 bilhões no ano passado, alta de 20,5% em relação a 2024, quando o total foi de R$ 71,7 bilhões. O aumento representa um acréscimo de R$ 12 bilhões, acima da estimativa inicial de R$ 10 bilhões feita pela Receita.
Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros do órgão, Claudemir Malaquias, o resultado reflete principalmente o aumento das alíquotas, restabelecido após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que encerrou a disputa judicial envolvendo o Congresso Nacional.
O crescimento foi impulsionado por operações ligadas à saída de moeda estrangeira, ao crédito para pessoas jurídicas e a títulos e valores mobiliários.
Taxação das apostas esportivas
Outra fonte relevante de receitas foi a tributação das apostas esportivas, as chamadas “bets”. Em 2025, a arrecadação com apostas e loterias somou R$ 9,95 bilhões, contra apenas R$ 91 milhões no ano anterior.
A medida, aprovada pelo Congresso no fim de 2023, foi uma das principais apostas da equipe econômica para reforçar o caixa do governo federal.
Meta fiscal e contas públicas
O aumento da arrecadação foi fundamental para a estratégia do governo de reduzir o déficit das contas públicas em 2025. O resultado fiscal do ano passado ainda não foi divulgado, mas o arcabouço fiscal prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.
Além disso, o Legislativo autorizou abatimentos da meta, como:
- R$ 500 milhões para projetos estratégicos;
- R$ 40,64 bilhões em precatórios;
- R$ 3,31 bilhões para ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos.
Com essas exceções, o déficit pode chegar a R$ 75,4 bilhões sem descumprimento formal da meta fiscal. Analistas, no entanto, alertam que o elevado volume de despesas fora da meta dificulta o ajuste das contas públicas.
O Tesouro Nacional projeta manutenção do déficit até 2027, mesmo com novos aumentos de impostos e com a trajetória de alta da dívida pública, indicador acompanhado de perto pelo mercado financeiro.
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