15 de junho de 2026

Arrecadação federal alcança recorde em 2025 com alta de impostos e crescimento da economia

Considerando os valores corrigidos pela inflação, a arrecadação somou R$ 2,93 trilhões, frente a R$ 2,82 trilhões em 2024
Crédito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Governo federal arrecadou R$ 2,88 tri em 2025, maior valor desde 1995, com crescimento real de 3,65% em relação a 2024.
Aumento da arrecadação ocorreu por medidas tributárias e expansão econômica, incluindo tributos sobre fundos exclusivos e combustíveis.
IOF bateu recorde com R$ 86,5 bi, alta de 20,5%, e apostas esportivas arrecadaram R$ 9,95 bi em 2025, impulsionando receitas fiscais.

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A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 2,88 trilhões em 2025, informou a Secretaria da Receita Federal nesta quinta-feira (22). O montante representa o maior valor já registrado para um ano fechado desde o início da série histórica, em 1995, ou seja, em 31 anos.

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Considerando os valores corrigidos pela inflação, a arrecadação somou R$ 2,93 trilhões, frente a R$ 2,82 trilhões em 2024, o que corresponde a um crescimento real de 3,65%.

Segundo a Receita, o desempenho recorde é resultado da combinação entre medidas de aumento da carga tributária adotadas pelo governo e pelo Congresso Nacional e a expansão da atividade econômica ao longo do ano passado.

Medidas para elevar a arrecadação

Entre as iniciativas que contribuíram para o aumento das receitas estão:

  • Tributação de fundos exclusivos, voltados à alta renda, e de offshores no exterior;
  • Mudanças na tributação de incentivos fiscais concedidos por estados;
  • Aumento dos impostos sobre combustíveis, implementado em 2023 e mantido em 2025;
  • Retomada do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf);
  • Limitação no pagamento de precatórios;
  • Criação do imposto sobre encomendas internacionais, conhecido como “taxa das blusinhas”;
  • Reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • Fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (Perse);
  • Elevação do IOF sobre operações de crédito e câmbio.

A Receita destacou ainda que aumentos aprovados no fim de 2025, como a elevação da tributação sobre juros sobre capital próprio, fintechs e apostas online, não tiveram impacto na arrecadação do ano passado.

Economia em expansão

Além das mudanças tributárias, o Fisco aponta que a melhora do desempenho econômico foi determinante para o resultado recorde. Indicadores como produção industrial, vendas de bens e serviços, massa salarial e importações apresentaram crescimento ao longo de 2025, ampliando a base de arrecadação.

IOF atinge maior valor da história

A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também bateu recorde em 2025, alcançando o maior valor da série histórica.

Em termos reais, o tributo arrecadou R$ 86,5 bilhões no ano passado, alta de 20,5% em relação a 2024, quando o total foi de R$ 71,7 bilhões. O aumento representa um acréscimo de R$ 12 bilhões, acima da estimativa inicial de R$ 10 bilhões feita pela Receita.

Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros do órgão, Claudemir Malaquias, o resultado reflete principalmente o aumento das alíquotas, restabelecido após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que encerrou a disputa judicial envolvendo o Congresso Nacional.

O crescimento foi impulsionado por operações ligadas à saída de moeda estrangeira, ao crédito para pessoas jurídicas e a títulos e valores mobiliários.

Taxação das apostas esportivas

Outra fonte relevante de receitas foi a tributação das apostas esportivas, as chamadas “bets”. Em 2025, a arrecadação com apostas e loterias somou R$ 9,95 bilhões, contra apenas R$ 91 milhões no ano anterior.

A medida, aprovada pelo Congresso no fim de 2023, foi uma das principais apostas da equipe econômica para reforçar o caixa do governo federal.

Meta fiscal e contas públicas

O aumento da arrecadação foi fundamental para a estratégia do governo de reduzir o déficit das contas públicas em 2025. O resultado fiscal do ano passado ainda não foi divulgado, mas o arcabouço fiscal prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.

Além disso, o Legislativo autorizou abatimentos da meta, como:

  • R$ 500 milhões para projetos estratégicos;
  • R$ 40,64 bilhões em precatórios;
  • R$ 3,31 bilhões para ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos.

Com essas exceções, o déficit pode chegar a R$ 75,4 bilhões sem descumprimento formal da meta fiscal. Analistas, no entanto, alertam que o elevado volume de despesas fora da meta dificulta o ajuste das contas públicas.

O Tesouro Nacional projeta manutenção do déficit até 2027, mesmo com novos aumentos de impostos e com a trajetória de alta da dívida pública, indicador acompanhado de perto pelo mercado financeiro.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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