Em uma entrevista para o jornalista Luís Nassif, Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e estudante de Direito da USP, expressou grande preocupação com a ofensiva do governo de Santa Catarina contra as cotas raciais. Ela classificou o projeto de lei aprovado no estado como um “retrocesso inimaginável”, destacando que a lei de cotas, renovada após 10 anos, tem sido uma política pública de sucesso na democratização do acesso ao ensino superior.
Em dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Lei nº 753/2025, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) em 22 de janeiro de 2026. A lei proíbe a adoção de cotas raciais em universidades estaduais e em instituições que recebem recursos públicos do estado. A norma permite apenas reservas de vagas por critérios socioeconômicos, por deficiência ou por origem em escola pública. Também prevê multas e corte de verbas para quem descumprir a lei.
Bianca Borges refutou o argumento de que as cotas diminuem o nível educacional das instituições, citando dados que comprovam o bom desempenho e a participação em atividades extracurriculares dos estudantes cotistas, inclusive superando a média de outros alunos em muitos casos.
Além da defesa das cotas, Bianca abordou, durante o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube [assista abaixo], outras bandeiras da UNE. Ela enfatizou a importância da permanência estudantil, citando a necessidade de bolsas moradia, restaurantes universitários e auxílio transporte para combater a evasão, que atinge até 50% nas universidades e 60% nas licenciaturas.
A presidente da UNE também criticou a desnacionalização do ensino superior privado, que, segundo ela, é dominado por grupos estrangeiros que “rebaixam a educação para aumentar o lucro”. Outra luta da entidade é a atualização da lei de estágio para garantir mais direitos e dignidade aos estagiários.
Bianca ressaltou ainda o impacto positivo das cotas na solidariedade dentro das universidades, mencionando o exemplo da Escola Politécnica da USP, onde alunos de classe média e alta se mobilizaram para apoiar cotistas durante a pandemia. Ela argumentou que a presença de estudantes que conhecem as realidades sociais do país enriquece a universidade, direcionando a produção de conhecimento e ciência para a resolução de problemas sociais.
A entrevista foi transmitida ao vivo na noite de terça-feira, 27 de janeiro, no canal do GGN no Youtube. Assista abaixo:
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