do blog de Gilberto Cruvinel
Raul Solnado interpreta Liberdade
http://www.youtube.com/watch?v=K_W4ujcn9FM
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…
Fonte:
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
– 244.
1ª publ. in Seara Nova , nº 526. Coimbra: 11-9-1937.
Anarquista Lúcida
2 de fevereiro de 2014 4:29 pmNao gosto da interpretação
Esse poema, na minha imaginaçao, tem um certo ritmo, uma melodia, muito diferente da que ele deu.
Josaphat
2 de fevereiro de 2014 7:08 pmPessoa
em momento algum foi barroco, procurando efeitos. Todos os efeitos conseguidos, e são muitos…, estão à disposição do sentido. Não pode ser declamado assim. Eu acho que tem de ter mais incisividade. Não dá pra colocar em tudo a cadência lenta da melancolia da saudade.
Gilberto Cruvinel
2 de fevereiro de 2014 7:54 pmSolnado deu um interpretação
Solnado deu uma interpretação mais lenta, contemplativa. Eu também imaginava uma fala mais ritmada, ligeira.