O Movimento Reaproveita Brasil, formado por ex-funcionários da Eletrobras, denunciou à TV GGN [confira abaixo] o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL 1.791/2019) que permitiria o reaproveitamento de empregados desligados após o processo de privatização da estatal.
A medida, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, visava reincorporar cerca de 20 mil trabalhadores qualificados em outras empresas públicas, mas foi vetada sem que os interessados fossem ouvidos.
Fernanda Lagrotta, advogada e ex-ouvidora geral da Furnas, resumiu o drama enfrentado pelos trabalhadores. “A primeira medida de uma iniciativa privada é a redução de custos. E os maiores impactados fomos nós, que estávamos na empresa a vida toda, nos dedicando, sendo treinados e investidos pelo Estado, prestando serviço de natureza nacional e estratégica. Fomos simplesmente abandonados, desligados. A maior parte, 80%, tem mais de 50 anos.”
Mariana Bezerra, também advogada e ex-funcionária da Chesf, detalhou o procedimento das demissões. “O processo foi terrível. Eu fui demitida numa reunião pelo Teams, com a minha gerente no Rio de Janeiro, uma pessoa do RH como testemunha. Foi no meio do expediente, de uma forma absolutamente descartável. Se Fernanda contar a circunstância dela, verá que a minha situação não foi nem a pior.”
Segundo Fernanda, a privatização foi realizada sem respeito ao Art. 10 da Constituição, que garante participação dos trabalhadores em decisões que afetam seus empregos. “E continua sendo dessa forma. Hoje, o governo que nos permitiu ingressar na estatal não conseguiu reestatizar a Eletrobras e ainda vetou o nosso reaproveitamento”.
Entenda o PL e a luta dos trabalhadores da Eletrobras
O PL 1.791/2019, do deputado Assis Carvalho (PT-PI), prevê que trabalhadores de empresas estatais do setor elétrico privatizadas possam ser reaproveitados em outras empresas públicas. Aprovado nas duas casas no início de dezembro de 2025, a proposta acabou vetada pelo presidente Lula em 29 de dezembro.
Para as convidadas da TV GGN, o veto (50/2025) se baseou nos mesmos argumentos já usados na gestão de Jair Bolsonaro, a fim de alegarem suposto impacto orçamentário, mas, na prática, não haveria custo adicional para o governo.
O PL, na verdade, consiste em apenas um artigo, que estabelece o reaproveitamento dos empregados concursados do setor elétrico em outras empresas estatais. Esse mecanismo já existe para servidores públicos e garantiria que trabalhadores experientes e qualificados, que dedicaram décadas às empresas da Eletrobras, pudessem continuar a prestar serviços essenciais à população sem gerar despesas extras.
Segundo o movimento, o reaproveitamento não dependeria de recursos do orçamento público, pois as próprias estatais geram os recursos necessários para custear seu pessoal. Somente no Banco do Brasil, existem atualmente cerca de 35 mil vagas em aberto, número suficiente para absorver os cerca de 20 mil funcionários desligados da Eletrobras.
Além disso, o veto ignora o caráter estratégico da energia elétrica. A gestão de uma estatal desse porte não é apenas uma escolha de governo, mas uma decisão de Estado, diretamente ligada à segurança nacional e ao fornecimento de serviços essenciais. A privatização, realizada sem diálogo com os empregados, desconsiderou a experiência acumulada e os vínculos com a administração pública, deixando milhares de trabalhadores em situação de vulnerabilidade.
O jornalista Luis Nassif, ao ouvir as convidadas, criticou a atuação do grupo Lemann na Eletrobras, evidenciando como a participação de investidores privados transforma empresas estratégicas em instrumentos de lucro. Trata-se, segundo ele, de um modelo de capitalismo predatório que ignora o interesse público e o conhecimento técnico acumulado pelos trabalhadores, disfarçando suas medidas de desmonte sob o discurso de “modernização” e resultando em demissões em massa e precarização do trabalho especializado.
Nesta sexta (30), o Movimento Reaproveta Brasil (MRB) foi ouvido pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Na reunião, o MRB destacou os equívocos do veto presidencial e a ausência de impacto orçamentário na reintegração de empregados concursados e demitidos após a privatização da Eletrobras. Boulos se comprometeu a tratar a derrubada do Veto 50/2025 (PL 1791/2019) com outros ministérios, e o MRB seguirá acompanhando o processo.
Fabio
31 de janeiro de 2026 5:58 pmO Lula não falou que iria reverter a privatização?
MARCELO ROCHA DE SOUZA
31 de janeiro de 2026 8:38 pmO congresso Nacional vai derrubar o veto do PL 1791_19 e fazer justiça à milhares de trabalhadores vonvursados e suas famílias.
Souza
28 de fevereiro de 2026 10:40 amDeus te ouça. A questão é q se vierem outros governos de direita não existirão mais empresas públicas. É trabalhar para derrubar esse veto e reincorporar os colegas eletricitários. Seriam muito bem-vindos na Petrobras.
Ex Eletrobras Al
31 de janeiro de 2026 9:11 pmLula virou as costas pro trabalhador.
emerson57
1 de fevereiro de 2026 8:54 am20 mil trabalhadores dessa e quantos milhões de outras?
A culpa NÃO é do LULA.
A culpa é do povo lesado em seus direitos que não se une numa gigantesca manifestação de norte a sul.
Desse jeito vão para o saco os Correios e o que demais ainda resta.
O Próprio LULA pediu que o povo se manifestasse.
Se os prejudicados não mostrarem sua indignação e preferirem ficar chorando em casa e assistindo a globo, eles não existem.
E retiram a força do LULA para fazer qualquer coisa.
É como diziam os feirantes de antanho: “Chora que a mamãe compra!”
Marcelo.J
1 de fevereiro de 2026 9:43 amVai ver q era tudo trabalhador bolsonarista roxo e as vozes ainda soprando no ouvido do Lula “Só assina”o sistema é bruto !!!
Penélope
2 de fevereiro de 2026 2:17 pmMilhares de famílias foram prejudicadas com a privatização da Eletrobras. Perderam seus empregos e agora lutam para recuperar sua dignidade.
O PL 1791/2019 pode mudar essa realidade.
Aaron.Schwartz
1 de fevereiro de 2026 9:51 amSim Marcelo.JJ se até empresários q MAIS GANHAM com Lula na presidência são contra os seus próprios interesses imagina o povão vendo Lula meter a canetada,VCS VÃO VER QUANDO A INTERNET COMEÇAR DE NOVO OS SEUS PROCESSOS MANIPULATIVO E MENTAIS TIPO REDE GLOBO AFF !!!
Cláudio Melo
2 de fevereiro de 2026 5:12 amDramática a vida desses trabalhadores.
Agora, imagina a vida de quem foi falsamente exonerado por meio dos PDVs dos anos 96, 99-2001 (esse ainda um PL, o 2.174/2001).
Imagina aqueles trabalhadores que, de boa fé, acreditando na proposta do governo, aderiram ao Programa.
Imagina saber que o governo confessa, em documentos públicos, que não implementou o incentivo proposto, lamenta o prejuízo causado, mas não devolve o que tirou ilicitamente dos servidores: o trabalho e nem repara o “prejuízo causado”.
Imagina que a fraude, a trapaça, o estelionato conhecido como Programa de Desligamento Voluntário do Servidor Público Federal está estabilizado por meio de uma Lei de Conversão e por uma Medida Provisória que ficou “congelada” por força da EC 32. Imagina um país que estabiliza fraude, estelionato e solapa o valor social do trabalho, os direitos ao trabalho, a dignidade da pessoa humana.
Imagina um país que tem MPs eternas, mas deixou de ter Decreto Lei e Ato Institucional.
Imagina o drama de servidores que foram banidos dos direitos constitucionais por que aderiram, portanto espontaneamente, a um Programa de governo fraudado. Não aderiram a fraude, mas ao Programa proposto por confiaça legítima.
Só para lembrar, a Emenda Constitucional 32, que congelou as MPs publicadas antes da reforma, não exclui a apreciação pelo Congresso Nacional e nem a obrigação de o Presidente enviar outra MP para anular ou modificar aquela que está congelada. Deixar de instituir o incentivo estabelecido em Lei é alterar o conteúdo da Lei. É deixar de cumprir a Lei.
Me digam, uma MP, que não cumpre o que propôs – o governo assume que não instituiu o incentivo que motivou a adesão -, pode continuar vigindo e causando “prejuízo” como está admitido em documentos públicos?
Força para o pessoal da Eletrobras.
Existem outros trabalhadores trapaceados por programas fraudados. Etelionato na veia.
Ocorre, assim parece, que a Administração da época é admirada por muitos. Inclusive o seu Ministro da Administração e Reforma do Estado.
Nesse caso, vale a fraude!
Anônimo
4 de fevereiro de 2026 1:17 amConversa fiada cara, vc provavelmente é um dos milhares de empregados da Eletrobrás que votaram em Bolsonaro, por mais que os colegas alertassem vcs ficavam rindo e xingando o Lula, tão recebendo o que compraram, torço para aqueles que não tem nada a ver com isso, pois sabiam quem era o Bozo, e foram penalizado com a demissão, essa sim injustas.