A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram um alerta epidemiológico sobre o sarampo na Região das Américas, diante do expressivo aumento de casos registrados ao longo de 2025 e no início de 2026.
O documento evidencia que entre a primeira semana epidemiológica de 2025 e a última do ano (SE 1 a SE 53), foram confirmados 14.891 casos de sarampo, com 29 mortes, distribuídos por países como México, Estados Unidos, Canadá, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Esse número representa um salto de 32 vezes em comparação com as notificações de 2024 — o maior total dos últimos 22 anos.
No início de 2026 (SE 1 a SE 3), mais 1.031 casos foram confirmados em sete países, incluindo México, EUA e Canadá — equivalendo a um aumento de 45 vezes sobre o mesmo período de 2025.
Segundo o relatório, a maioria dos casos ocorreu entre grupos etários mais jovens, especialmente crianças menores de 1 ano e até 19 anos de idade, com destaque para populações com baixa cobertura vacinal. Do total de casos em 2025, 78% não estavam vacinados ou tinham histórico de vacinação desconhecido.
A OPAS/OMS destaca que, embora a cobertura vacinal regional tenha aumentado discretamente em 2024, o nível geral ainda está abaixo do ideal para interromper a transmissão do vírus. Apenas uma pequena parcela dos países alcançou taxas superiores a 95% — o nível recomendado para proteger a população por imunidade coletiva.
A publicação do alerta ocorre em contexto de preocupações adicionais com eventos de alta mobilidade populacional, como a Copa do Mundo de 2026, que aumenta a importância de vigilância sensível e cobertura vacinal adequada para proteger viajantes e comunidades nos países das Américas.
Diante desse cenário, a OPAS/OMS enfatiza ações prioritárias que os Estados-membros devem adotar:
- Reforçar a vigilância epidemiológica, com detecção ativa de casos e diagnóstico laboratorial rápido;
- Intensificar campanhas de vacinação e cobrir lacunas de imunidade;
- Realizar pesquisas comunitárias e institucionais para identificar com rapidez surto ou circulação viral;
- Responder de forma imediata a casos suspeitos, isolando e tratando os infectados para interromper cadeias de transmissão.
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