4 de junho de 2026

Conhecer para cultivar e preservar, por Aquiles Rique Reis

Eis que o violino soa tão popular quanto erudito soa a rabeca. E tudo graças a Vanille Goovaerts e a Ricardo Herz.

O álbum “Arcos Brasileiros” reúne violino e rabeca, explorando ritmos populares brasileiros com repertório autoral.
Vanille Goovaerts e Ricardo Herz lideram o projeto, destacando a técnica e a brasilidade dos instrumentos.
Um segundo álbum pedagógico será lançado, com faixas para estudo e material acessível a músicos e estudantes.

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Conhecer para cultivar e preservar

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por Aquiles Rique Reis

Hoje trataremos de Arcos Brasileiros (independente), álbum que reúne violino, instrumento ligado à música europeia, e rabeca, cuja brasilidade remonta a tempos ancestrais. E assim, somando atributos, os dois reafirmam sua gemelaridade.

            Habituados a frequentar partituras musicais distintas, eis que o violino soa tão popular quanto erudito soa a rabeca. E tudo graças a Vanille Goovaerts e a Ricardo Herz, que se encarregaram de quebrar paradigmas – lembremos que em tempos imemoriais o violino já foi chamado de rabeca.

            Dissipada a ironia acima, convido-os a ouvir Arcos Brasileiros e ilustrarem-se com a verve tão musical quanto pedagógica de Goovaerts, violinista francesa apaixonada pela rabeca e pelo forró desde quando iniciou pesquisa sobre a música brasileira em 2018, e de Herz, um dos nomes mais importantes do violino popular no Brasil, reconhecido por sua técnica inovadora ajustada ao violino e à rabeca.

            Arcos Brasileiros traz um repertório autoral e inédito (com exceção de “Odeon”, de Ernesto Nazareth), expondo o timbre dos instrumentos que vibram em ritmos populares com limpidez cristalina. Assim, a riqueza da sonoridade das cordas soa como são: unha e carne em uma harmonia musical exata.

            E o que rola é o inesperado revisto e ampliado: a bendita diversidade de xotes, baiões, maracatus, frevos, os toques de Iúna e do boi, mais forrós, sambas, ijexás, choros e marchinhas. Extraordinários!

              Desde a primeira faixa, tem-se a riqueza da rabeca ampliada pelo violino, comprovação arrebatadora do que virá a seguir. Logo uma peça de concerto dá lugar ao som nordestino, popular que só ele e mais rico do que sempre. Extraordinário! As cordas estalam seu ritmo em profusa magnitude. Enlouquecidas, clamam novamente à nordestinidade, num preito à memória. Extraordinária! As cordas demandam e a voz ajunta-se a elas. Gêneros vem e vão. Tudo alterna no compasso da criatividade dos instrumentistas, e a relevância de Arcos Brasileiros transcende seu conteúdo, extraordinário!

            Ouçam com atenção cada faixa e preparem-se, pois o trabalho ainda será acrescido de um segundo álbum a ser utilizado como playback, com faixas separadas para uso pedagógico e acessível a músicos que não leem partitura ou com deficiência visual. Essa segunda versão trará ainda um arquivo PDF com as partituras, permitindo a circulação desse repertório no meio acadêmico e entre estudantes, e o registro audiovisual do processo criativo, desde o gestual até à expressão corporal, anotados na música popular.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica: 

Concepção, violinos, rabecas e composições: Vanille Goovaerts e Ricardo Herz; áudio, gravação, mixagem e masterização: Daniel Tápia; fotos: Carmen Fernandez; vídeos: Gabriel Boieras; design gráfico: Bel Andrade Lima; produção executiva: Marina Herz (Herz Produções); assessoria de imprensa: Débora Venturini.

Ouçam o álbum:

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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  1. Gaspar Alencar

    17 de fevereiro de 2026 4:41 pm

    Aquiles, não sou músico e lancei meu primeiro livro Miscelânea (2023) e Palmares a floresta que nos une (2024). No Miscelânea tem o hino da floresta e Rap para todos ( se tiver interesse e tempo, manda um alô no 86 995550909). Sou amante da boa música MPB4, Quinteto Violado etc. Agradecer a Lurdes e Nassif e toda a equipe GGN. Uma baita de uma biblioteca cultural. A Miscelânea de temas com um paladar refinado pelos múltiplos temas com didática excelente! Salve o jornalismo independente!

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