Um desdobramento nas investigações sobre o acesso indevido a dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) conectou servidores da Receita Federal à estrutura de espionagem ilegal conhecida como “Abin paralela”. Ricardo Manzano de Moraes, auditor do órgão que atualmente cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica e retenção de passaporte, apresentou uma justificativa à Corregedoria que atraiu a atenção dos investigadores para nomes centrais do governo de Jair Bolsonaro (PL).
As informações, reveladas pelo ICL Notícias, detalham que Manzano justificou o acesso aos dados da nora do ministro Gilmar Mendes como uma tentativa de localizar o contato de um amigo, Ricardo Pereira Feitosa. Segundo o auditor, o sobrenome comum o levou a crer em um parentesco inexistente. No entanto, o nome citado não é estranho à Polícia Federal: Feitosa foi coordenador-geral de Pesquisa e Investigação da Receita no governo Bolsonaro e acabou demitido em 2023.
A conexão com a inteligência paralela
O relatório da Polícia Federal enviado ao STF aponta que Ricardo Pereira Feitosa teria utilizado sua posição estratégica para levantar informações fiscais de desafetos da família Bolsonaro. Entre os alvos estaria o procurador José Eduardo Gussem, responsável por denunciar o esquema de “rachadinha” no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O documento da PF dedica uma seção inteira à interferência política na Receita Federal, vinculando o uso da ferramenta de espionagem First Mile a tentativas de blindagem de aliados. O processo administrativo contra Feitosa é citado como um ponto de preocupação para os agentes que operavam a estrutura paralela de inteligência.
Pressões internas e depoimentos
Outro nome que integra o inquérito é o de Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Cabral foi intimado a depor à Polícia Federal nesta sexta-feira (20), às 15h, para prestar esclarecimentos sobre declarações públicas em que afirmou que servidores têm “mais medo de investigar ministros do Supremo do que membros do PCC“.
A fala de Cabral foi interpretada como uma reação às punições aplicadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra quatro servidores suspeitos de vazar dados de magistrados. A investigação aponta, contudo, que esses funcionários não conduziam qualquer apuração oficial que justificasse as consultas aos sistemas sigilosos.
Blindagem e o papel de Ramagem
De acordo com as investigações, a articulação na Receita Federal fazia parte de um plano maior orquestrado por Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. Ramagem, que foi condenado por envolvimento na trama golpista e atualmente é considerado foragido em Miami, teria atuado para posicionar nomes de confiança na Corregedoria do órgão.
O relatório menciona que Kleber Cabral teria tentado pressionar Guilherme Bibiani a não assumir o cargo de corregedor da Receita. A nomeação de Bibiani contrariava os interesses do grupo, que buscava um perfil alinhado à defesa de Flávio Bolsonaro para evitar o avanço das apurações internas sobre acessos ilegais a dados fiscais.
alberto luiz
22 de fevereiro de 2026 10:21 amé assim que funciona o sub mundo da politica, ou seja, segundo a materia todos se articulando para proteger
quem foi flagrado cometendo crimes