10 de junho de 2026

Tragédia em MG expõe crise climática e baixa execução de verbas para prevenção

Prefeita diz que 1 em cada 4 moradores vive em área de risco; Estado executou menos de 5% do orçamento para contenção de encostas
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As chuvas que devastaram a Zona da Mata mineira e deixaram 64 mortos — 58 em Juiz de Fora e seis em Ubá — escancararam um problema estrutural: uma em cada quatro pessoas na principal cidade atingida vive em área de risco, segundo a prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão.

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“Essa triste tragédia é, de certo modo, um chamado da natureza para que todos nós prestemos atenção. A cidade é – como Petrópolis [RJ], Angra [dos Reis -RJ], e tantas cidades aqui dessa região – construída na serra. As pessoas vão ocupando as encostas e não são só as pessoas pobres, mesmo a população mais afortunada, classe média alta, vive em lugares que são de risco”, disse a prefeita durante o programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional. 

Mais de 500 pessoas estão acolhidas em abrigos municipais e cerca de 5 mil seguem desalojadas, a maioria na casa de parentes ou amigos. Segundo a prefeitura, as famílias que não puderem retornar às suas residências serão incluídas no programa de aluguel social até que haja uma solução habitacional definitiva.

Baixa execução de verbas

O cenário também revela entraves na prevenção. Dados do Portal da Transparência mostram que os recursos destinados à Defesa Civil de Minas Gerais caíram de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre 2023 e 2025, período do segundo mandato de Romeu Zema.

Além disso, levantamento da Folha de S.Paulo aponta que a gestão Zema aplicou menos de 5% ao ano do orçamento previsto para obras de contenção de encostas entre 2021 e 2024. Em 2025, o padrão se manteve: dos R$ 57 milhões programados entre janeiro e abril para intervenções em áreas de risco, apenas R$ 150 mil haviam sido executados.

As obras fazem parte de um conjunto de 12 projetos distribuídos por 18 municípios mineiros, aprovados ainda em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e financiados integralmente pela União, sem necessidade de devolução de recursos.

Especialistas defendem que a reconstrução precisa ir além da resposta emergencial e incluir revisão do ordenamento urbano, controle da expansão imobiliária em encostas, investimentos contínuos em drenagem e contenção, além de políticas permanentes de adaptação climática.

Crise climática e negligência

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que os temporais refletem a combinação entre mudanças climáticas e fragilidade das políticas ambientais e urbanas. O geógrafo Miguel Felippe, da UFJF, avalia que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes. “Toda essa onda negacionista relacionada às mudanças climáticas, obviamente, reverbera agora em desastres como esses”.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora recebeu, em um único dia, quase todo o volume de chuva esperado para fevereiro. Técnicos apontam que o Oceano Atlântico está cerca de 3 °C acima da média na costa brasileira, intensificando a evaporação e o transporte de umidade para a região.

Apoio federal

Neste sábado (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita as áreas afetadas e deve anunciar novos recursos. A Defesa Civil Nacional já reconheceu estado de calamidade pública em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. O governo federal liberou inicialmente mais de R$ 3 milhões para atendimento emergencial e autorizou o saque do FGTS para moradores das áreas atingidas.

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta de perigo para chuvas intensas na região, com risco de novos alagamentos, deslizamentos e queda de energia.

Com informações da Agência Brasil

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2 Comentários
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  1. Victor lima

    27 de fevereiro de 2026 8:07 pm

    A verdadeira tragédia é a Administração Pública Municipal Brasileira. Com Prefeitos incompetentes e semi analfabetos nomeando Secretários sem qualquer interesse nas atividades fim de suas áreas e inuteis Vereadores sem outro interesse que não seja garantir seus “empregos” bem remunerados. Falta Planejamento e Controle Urbano que, na maioria dos municípios não tem estrutura nem orçamento. Mais fácil e botar a culpa na Natureza, no Aquecimento Global, no destino ou em outra instância governamental. O povo pobre perde seus móveis de papelão todo ano, chora seus mortos e espera a vez de votar novamente nos mesmos que mataram seus filhos. Tristes Trópicos.

  2. Evandro

    28 de fevereiro de 2026 8:31 am

    Ok, há as chuvas que causam estragos, é universal, mas fora a prevenção necessária, enquanto houver ocupação de áreas de risco, não haverá prevenção que dê conta. Desculpem a expressão, mas o buraco é mais embaixo.

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