A vereadora de Juiz de Fora Laís Perrut (PT) afirmou que a cidade vive uma situação de calamidade após o volume excepcional de chuvas registrado nos últimos meses. Balanço da Defesa Civil indica que somente em fevereiro foram mais de 800 milímetros acumulados, mais da metade do previsto para todo o ano, o que provocou deslizamentos em praticamente todas as regiões da cidade.
De acordo com a parlamentar, o solo ficou completamente encharcado após semanas seguidas de precipitações intensas. “A terra debaixo dos morros foi virando uma sopa de lama, porque não consegue [secar], porque só chove, só chove, só chove. Desde dezembro a gente está em um processo de muita chuva aqui”, descreveu. O principal problema, segundo ela, não foi a cheia dos rios, mas o deslizamento de encostas.
Até a atualização mais recente citada durante a entrevista, realizada na última sexta-feira (27), eram 59 mortes confirmadas, além de três pessoas desaparecidas e mais de 4.200 moradores obrigados a deixar suas casas. Juiz de Fora tem cerca de 600 mil habitantes e é a quarta maior cidade de Minas Gerais. Neste domingo (1º), foram confirmadas 72 mortes.
A vereadora destacou que, nos últimos cinco anos, mesmo com períodos chuvosos, o município não havia registrado mortes por temporais. Ela atribuiu parte da resposta emergencial à estrutura da Defesa Civil local, que conta com sala de monitoramento geográfico e câmeras capazes de identificar áreas de risco em tempo real, permitindo evacuações preventivas.
Apoio
O governo federal enviou apoio já na manhã seguinte ao início da tragédia, com a presença de ministros e envio de recursos. Ela informou que medidas como liberação do FGTS, antecipação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) já estão sendo implementadas, além da destinação de verbas emergenciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve visitou a cidade no último sábado (28).
Por outro lado, a vereadora criticou o governo estadual, afirmando que houve redução significativa nos recursos destinados à prevenção de enchentes. Entre 2023 e 2025, a verba para essa finalidade teria sido reduzida em 95%. O governador Romeu Zema esteve na cidade dias após o desastre, após visita inicial do vice-governador.
Doações
Laís Perrut ressaltou a mobilização da sociedade civil. Comunidades organizaram mutirões, pontos de coleta e apoio às famílias atingidas. Empresários e doadores de diferentes regiões do país também têm enviado contribuições.
A prefeitura criou um canal oficial para doações via Pix, após a proliferação de campanhas informais. A vereadora orientou que as contribuições sejam feitas apenas por meios oficiais. Entre os itens prioritários estão água potável, produtos de higiene pessoal, fraldas e materiais de limpeza. Roupas, segundo ela, já foram recebidas em grande quantidade.
Empresários também participaram da mobilização. A empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, doou colchões e cobertores e deve colaborar também na fase de reconstrução.
Mudanças climáticas
Durante a entrevista, a vereadora afirmou que eventos extremos como o registrado em Juiz de Fora reforçam a necessidade de revisão das políticas públicas de prevenção, diante do aumento de desastres associados às mudanças climáticas.
Apesar do cenário descrito como “avassalador”, ela destacou a solidariedade da população e a atuação conjunta do poder público, voluntários e forças de segurança. “Estamos correndo contra o tempo para superar isso o mais rápido possível”, afirmou.
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Gaspar Alencar
1 de março de 2026 3:47 pmCamila, você sabe e nós sabemos – para consertar o que iniciou errado. Vai dar muito mais trabalho para corrigir. Entretanto, poderemos ter esperanças! A metodologia sistemático, em um espaço de uma década, na Escala 365X24 poderá diminuir a mortandade de pessoas em situação de risco; em segundo lugar, curva de nível para amortecer a velocidade da água; terceiro reflorestar encostas com espécies nativas, com sistema radicular capaz de fixar o solo e quarto lugar transformar o monitoramento em filosofia, com a participação social.
O restante, nós já sabemos da história. Despender recursos que não alcançam os objetivos – ai entra em outro a mentalidade do uso dos recursos públicos! De toda sorte, precisamos abrir a cabeça de todos, mas não com mareta ou bisturi!