Os ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra o Irã agravam a crise do multilateralismo e podem gerar efeitos imprevisíveis para a paz e a economia global, incluindo impactos diretos no Brasil. A avaliação é do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Em nota, o instituto afirma que a ofensiva insere-se em uma estratégia mais ampla de disputa geopolítica pelo controle do Oriente Médio, região considerada estratégica não apenas pelas reservas energéticas, mas também por suas rotas marítimas essenciais ao comércio internacional, em um contexto de transição para uma ordem multipolar.
Segundo o Ineep, além da dimensão energética, os ataques devem ser compreendidos como parte de uma disputa de poder global. O Irã ocupa posição relevante em iniciativas como a nova Rota da Seda chinesa e integra fóruns como a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o BRICS ampliado. Para o instituto, essa articulação do chamado Sul Global representa desafio à hegemonia unipolar consolidada após a Guerra Fria.
Risco ao abastecimento global
O Ineep alerta que um eventual bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar forte alta nos preços internacionais do petróleo, do gás natural e de insumos estratégicos, como fertilizantes. Pela rota marítima passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia e aproximadamente 25% do gás natural consumido globalmente, com impacto direto sobre mercados asiáticos e cadeias produtivas globais.
Para o Brasil, os reflexos podem atingir tanto o setor de combustíveis quanto o agronegócio. A dependência externa de fertilizantes, segundo o instituto, supera 85%, o que amplia a vulnerabilidade em cenários de instabilidade internacional.
Soberania
Diante do cenário, o Ineep defende que o Brasil adote medidas voltadas à segurança energética e produtiva. Entre as ações sugeridas estão a exploração de novas reservas de petróleo, a ampliação da capacidade de refino e o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, especialmente nitrogenados, além do aumento da oferta de diesel.
Para o instituto, tais iniciativas devem ser encaradas não apenas como decisões econômicas, mas como estratégias de soberania nacional capazes de garantir o abastecimento em contextos de crise.
A entidade também classifica a ofensiva contra o Irã como violação da soberania e da autodeterminação do país e defende que a ação seja repudiada pela comunidade internacional.
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Rui Ribeiro
3 de março de 2026 12:55 pmPor falar em preço de petróleo e de fertilizantes, o PIG quer saber porque o brasileiro não sente a melhora da economia.
Ora, porque a população não come PIB, come alimentos, diria a economista Maria da Conceição Tavares. Não adianta haver crescimento econômico se não há uma melhor distribuição da renda e da riqueza