5 de junho de 2026

Não debitem ao aquecimento global a culpa sobre as tragédias em áreas de risco, por Álvaro dos Santos

Lançam agora às costas das mudanças climáticas a responsabilidade sobre esses terríveis problemas que nunca foram devidamente enfrentados
Juiz de Fora/MG - Foto de Tomaz Silva - Agência Brasil

A década de 2020 confirma o aumento das temperaturas globais, com a atividade humana entre as causas.
Problemas crônicos em áreas de risco no Brasil não têm origem no aquecimento global, mas em falhas locais.
Autor critica gestores por culparem mudanças climáticas e destaca falta de decisão política para soluções.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Parem de debitar ao aquecimento global a culpa sobre as tragédias em áreas de risco

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por Geol. Álvaro Rodrigues dos Santos

A década de 2020 sepulta definitivamente as honestas, e também as não muito honestas, dúvidas que ainda subsistiam sobre a veracidade e consistência científica das teses e informações apontadas pelo IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organismo vinculado à Organização Meteorológica Mundial e ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). É fato, observa-se nas últimas décadas uma comprovada persistência de aumento das temperaturas globais e é certo que a atividade humana no planeta inclui-se entre suas causas. Se ainda não sentidas, as consequências para a Humanidade desse fenômeno climático podem vir a ser, em um futuro não muito distante, catastróficas.

Bem, até esse ponto o problema está colocado, agora vamos aos fatos a ele associados. Nenhum de nossos conhecidos problemas de ordem geológica, hidrológica, climática ou ambiental (ou de alguma forma relacionados a questões ambientais) graves e crônicos, como áreas de risco a deslizamentos em encostas, margens de cursos d’água e orlas litorâneas, poluição atmosférica, poluição de águas superficiais e subterrâneas, contaminação de solos, enchentes urbanas, , perda e empobrecimento agronômico de solos agricultáveis, depauperação de corpos florestais ativos, crises hídricas, binômio erosão/assoreamento, degradação de mananciais de boa água, depleção do lençol freático, deficiências de saneamento básico, etc., tem no aquecimento global qualquer tipo de origem causal. Foram e são problemas de enorme gravidade, capazes de, per si, sufocar econômica, social e ambientalmente o desenvolvimento brasileiro e a qualidade de vida de sua população, especialmente de sua população de mais baixa renda.

Problemas que foram inteiramente gerados por nós mesmos, por nossa estupidez e irresponsabilidade, pela ganância financeira que nos é inculcada como valor social supremo, ou seja, problemas já muito antigos sem nenhuma vinculação a fatores outros como o efeito estufa e outros fenômenos de ordem planetária.

Perde o encanto e a decência, portanto, a atual cantilena de nossos administradores públicos que, marotamente, procurando aliviar-se de suas responsabilidades, lançam agora às costas das mudanças climáticas globais a responsabilidade sobre esses terríveis problemas brasileiros, que nunca foram, por irresponsabilidade, por incompetência e por total falta de respeito humano ao cidadão comum, devidamente enfrentados, prevenidos ou mitigados pelas mais variadas instâncias dos poderes público e privado.

Enfim, o meio técnico e científico brasileiro, em seu empenho com a mitigação do aquecimento global, não pode colaborar para sugerir ou permitir que esse fenômeno venha a ser levianamente utilizado como o bode expiatório dos graves e crônicos problemas que desde há muito tem castigado a sociedade brasileira, o que poderia levar ao enganoso entendimento de que sua superação se coloque como indispensável para a solução dos problemas referidos. Não, tanto hoje como no passado as soluções, insistentemente oferecidas pelo meio técnico nacional, sempre estiveram disponíveis para que fossem devidamente implementadas. O que nos faltou para tanto foi decisão política para priorizá-las e executá-las.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos ([email protected]) – Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para elaboração e uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”. Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Heraldo Campos

    7 de março de 2026 6:39 am

    Excelente seu artigo, Álvaro.
    Você foi direto ao ponto.
    Abraços,
    Heraldo

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