20 de junho de 2026

Alta do diesel expõe distorções na cadeia de combustíveis no Brasil

Mesmo com isenção de impostos e mudança na política da Petrobras, preços seguem pressionados por importação e margens privadas
Foto de Marek Studzinski na Unsplash

Alta no preço do diesel no Brasil persiste mesmo após governo zerar tributos e Petrobras flexibilizar preços.
Falta de controle público na cadeia de combustíveis e dependência de importação elevam os custos finais.
Aumento do diesel impacta inflação e custo de vida, com repasse de custos ao consumidor final.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A recente alta no preço do diesel no Brasil reacendeu o debate sobre o funcionamento da cadeia de combustíveis e os limites das medidas adotadas para conter o impacto ao consumidor.

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Mesmo após o governo federal zerar tributos como PIS e Cofins e a Petrobras adotar uma política de preços mais flexível, os valores nas bombas continuam em alta — resultado, segundo especialistas do setor, de problemas estruturais que vão além das refinarias.

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o principal fator é a falta de controle público sobre toda a cadeia de combustíveis. Embora a Petrobras atue no refino, ela não tem ingerência sobre etapas posteriores, como distribuição e revenda, onde os preços finais são definidos.

Além disso, o Brasil ainda depende da importação de cerca de 20% a 25% do diesel consumido, o que mantém o mercado exposto às oscilações internacionais — agravadas recentemente pela guerra no Oriente Médio.

Impacto das políticas de preços

O cenário atual também reflete mudanças implementadas nos últimos anos. A partir de 2016, durante o governo Michel Temer, foi adotado o Preço de Paridade de Importação (PPI), que vinculava os preços internos ao mercado internacional. O modelo foi mantido na gestão de Jair Bolsonaro.

Embora essa política tenha sido flexibilizada desde 2023, os efeitos ainda persistem, especialmente em segmentos privatizados da cadeia.

Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que, entre janeiro e março de 2026, o diesel vendido pela Petrobras permaneceu estável em R$ 3,30 nas refinarias.

Já o diesel precificado com base no PPI saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32 no mesmo período. Refinarias privatizadas acompanharam essa alta: unidades na Bahia e no Amazonas registraram aumentos expressivos, chegando a até R$ 5,70.

Na bomba, os dados mais recentes da ANP indicam aumentos significativos: o diesel S10 subiu cerca de 12% em uma semana, enquanto o S500 avançou 11,8%.

Efeito cascata na economia

O aumento do diesel tem impacto direto sobre a inflação, já que o combustível é essencial para o transporte de mercadorias no país.

Com custos mais altos no frete, setores como alimentos e bens de consumo acabam repassando os aumentos ao consumidor final, ampliando a pressão sobre o custo de vida.

Outro ponto destacado por entidades do setor é o papel das empresas privadas na formação dos preços. Sem mecanismos de controle ao longo da cadeia, distribuidoras e importadoras podem repassar rapidamente oscilações internacionais — e, em alguns casos, ampliar margens de lucro.

A privatização de ativos estratégicos, como refinarias e a antiga BR Distribuidora (hoje controlada pela Vibra Energia), reduziu a capacidade de atuação direta da Petrobras no mercado de distribuição.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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