21 de maio de 2026

Cláudio Castro renuncia para tentar escapar de inelegibilidade no TSE

Governador deixa cargo às vésperas de julgamento que pode torná-lo inelegível e aposta em manobra jurídica para manter direitos políticos
Cláudio Castro por Antonio Cruz, Agência Brasil

▸ Governador Cláudio Castro renuncia ao cargo no RJ antes do julgamento no TSE que pode torná-lo inelegível por 8 anos.

▸ Investigação aponta abuso de poder e irregularidades na contratação de 27 mil pessoas na campanha de 2022, com saque de R$ 248 milhões.

▸ Presidente do TJ assume interinamente; eleição indireta na Alerj está incerta por suspensão de regras pelo STF.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), oficializa sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (23). A decisão, amadurecida nos bastidores ao longo da última semana, antecipa-se à retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para esta terça-feira, que pode torná-lo inelegível por oito anos. Uma cerimônia de despedida no Palácio Guanabara foi agendada para as 16h30.

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A saída abrupta de Castro altera o cenário político fluminense e visa, juridicamente, esvaziar a ação que tramita na Corte Eleitoral. Ao deixar o posto, a defesa do político espera que o processo perca o objeto, uma vez que ele não ocupará mais a função pública da qual derivam as acusações. O objetivo central é preservar os direitos políticos para uma disputa ao Senado em outubro.

Crise das “Folhas Secretas” e o TSE

Castro é o pivô de uma investigação sobre abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. O Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades na contratação de aproximadamente 27 mil pessoas por meio da Fundação Ceperj e da Uerj. O esquema, que ficou conhecido como “folhas secretas“, envolveu o saque de R$ 248 milhões em espécie por funcionários contratados sem transparência.

Até o momento, o placar no TSE está em 2 a 0 pela condenação de Castro. O julgamento será retomado após um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.

“As mudanças fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento“, afirmou Castro em nota, ao comentar a recente exoneração de 11 secretários que também devem disputar o pleito de 2026.

Sucessão e incerteza institucional

Como o estado não possui vice-governador, já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), a linha sucessória imediata conduz o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, ao comando interino do Rio.

Pela legislação, Couto deverá convocar eleições indiretas, nas quais os deputados da Assembleia Legislativa (Alerj) escolherão quem governará o estado em um mandato tampão até janeiro.

Contudo, o rito enfrenta insegurança jurídica: o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu trechos das regras para a eleição indireta, deixando lacunas sobre o formato da votação e critérios de candidatura.

Reações e palanque eleitoral

A manobra de Castro gerou fortes críticas de adversários políticos. O prefeito da capital e pré-candidato ao governo, Eduardo Paes (PSD), classificou o ato como uma tentativa de fuga. “Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu!“, escreveu Paes em suas redes sociais.

O prefeito ainda completou: “Tenho certeza de que o TSE não admitirá esse tipo de chicana“.

Enquanto a oposição critica a movimentação, o grupo político de Castro já projeta Douglas Ruas, ex-secretário de Cidades, como o nome do PL para a sucessão estadual.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    23 de março de 2026 1:32 pm

    Vejamos se não existem frases proféticas e pessoas predestinadas:

    “Enquanto a oposição critica a movimentação, o grupo político de Castro já projeta Douglas Ruas, ex-secretário de Cidades, como o nome do PL para a sucessão estadual.”

    Douglas Ruas só poderia ser secretário de Cidades (que é onde as ruas prevalecem) , e para suceder Cláudio Castro, governador renunciante do Rio, ninguém melhor que um membro do PL, o Partido dos Ladrões.

  2. Rui Ribeiro

    23 de março de 2026 1:34 pm

    Enquanto esse rato renuncia para escapar da inelegibilidade, PGR se manifesta favoravelmente à prisão domiciliar do Atleta Bostonaro.

    “Essa é uma realidade, o vírus tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Todos nós iremos morrer um dia.” – Bostonaro

    Porque o Bostonaro não enfrenta a prisão como um homem? Todos nós iremos morrer um dia.

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