15 de junho de 2026

62 anos depois, vítimas da ditadura ainda esperam reparação psíquica

Painel em São Paulo reúne especialistas para discutir traumas do regime militar e seus efeitos nas gerações seguintes
Crédito: Divulgação

Painel em São Paulo debate reparação psíquica a vítimas da ditadura militar 1964, após 62 anos sem políticas públicas.
Evento reúne especialistas para discutir impactos da violência estatal e criação de centro de apoio psicológico.
Projeto Clínicas do Testemunho, extinto, destacava a falta de continuidade em políticas de reparação psíquica no Brasil.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Seis décadas após o golpe militar de 1964, as feridas deixadas pela ditadura ainda não cicatrizaram para milhares de brasileiros. Vítimas de tortura, familiares de desaparecidos políticos e descendentes de perseguidos pelo regime seguem sem acesso a políticas públicas de reparação psíquica, lacuna que um painel realizado nesta terça-feira, 31 de março, em São Paulo, pretende colocar em debate.

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O evento, intitulado A Reparação Psíquica É Possível?, acontece das 14h às 17h no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista, na Avenida Paulista, 509. A proposta é provocar uma reflexão urgente sobre a necessidade de criação de um Centro de Reparação Psíquica voltado a vítimas e afetados pela violência de Estado, um público que, segundo os organizadores, ficou à deriva por 62 anos, sem atenção estruturada do poder público.

A programação reúne pesquisadores, jornalistas e profissionais de saúde mental com trajetórias ligadas à memória e aos direitos humanos. O historiador Mário Sergio de Moraes, doutor pela USP e conselheiro do Instituto Vladimir Herzog, abre o painel com o tema O Dado Empresarial da Tortura, abordando a dimensão institucional da repressão durante o regime.

A psicóloga Vera Vital Brasil, que coordenou o Projeto Clínicas do Testemunho no Rio de Janeiro entre 2013 e 2015, discute os desafios e possibilidades da reparação psíquica para afetados pela violência de Estado. Já o jornalista Gilvan Ribeiro, autor do recém-lançado Bastidores da Loucura — A Tortura nos Hospícios, a Luta Antimanicomial e a Vida de Carrano, o Bicho de Sete Cabeças (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 2025), expõe uma das faces menos conhecidas da repressão: o uso de hospitais psiquiátricos como instrumentos de tortura institucionalizada durante a ditadura.

O painel também aborda os efeitos transgeracionais da violência política — os impactos psíquicos que se transmitem, de formas diversas, para filhos e netos de perseguidos, sob o tema O Grito do Silêncio.

A curadoria e mediação são da jornalista Shellah Avellar, ativista de direitos humanos e integrante do Coletivo Filhos & Netos por Memória, Justiça e Verdade. Durante o evento, será exibido o vídeo Retalhos da Memória, e um estandarte relacionado ao projeto Volver a Los 64 ficará exposto no salão.

Política pública

O debate ganha contornos ainda mais urgentes diante do histórico de descontinuidade das iniciativas estatais nessa área. O Projeto Clínicas do Testemunho, criado pela Comissão de Anistia em 2012, representou um avanço ao oferecer atendimento terapêutico, individual e em grupo, a pessoas afetadas pela ditadura e às gerações seguintes. O projeto também promovia conversas públicas com testemunhos abertos à sociedade, funcionando simultaneamente como tratamento e reconhecimento simbólico por parte do Estado.

A iniciativa, no entanto, não se consolidou como política permanente, e é justamente essa lacuna que o painel desta terça pretende evidenciar. Para os organizadores, o Brasil segue em débito com aqueles que sobreviveram ao período mais sombrio de sua história recente, e a reparação psíquica precisa ser tratada como prioridade de saúde pública.

Serviço

A reparação psíquica é possível?
Data: 31 de março, das 14h às 17h
Local: Auditório da Livraria Martins Fontes
Endereço: Avenida Paulista, nº 509, São Paulo
Entrada gratuita

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de março de 2026 4:48 pm

    O melhor que uma vitima da ditadura pode fazer por si mesma é não ter filhos, porque afinal de contas é muito provável que eles os os filhos deles tenham a mesma experiência traumática. Isso se não ocorrer algo pior. Ter descendentes sabendo que eles podem se tornar torturadores ou assassinos de uma futura e muito previsível ditadura é algo aterrador.

  2. Elenice Rosa

    30 de março de 2026 7:06 pm

    Quero participar!

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