O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã desencadeou a busca global por fontes alternativas de fornecimento de energia – e colocou a Argélia no centro dos planos europeus para evitar uma crise.
Reportagem da Euronews destaca os esforços da Europa para diversificar suas fontes de energia, e a Argélia se coloca como um parceiro estratégico por diversos fatores, como proximidade geográfica, relativa estabilidade e capacidade de fornecimento via gasodutos, uma alternativa menos exposta a riscos geopolíticos.
A ex-colônia francesa desempenhava papel estratégico no abastecimento do mercado europeu desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Em 2025, a Argélia foi responsável por fornecer cerca de 13% a 14% das importações de gás da União Europeia, com volumes entre 39 e 40 bilhões de metros cúbicos.
Boa parte desse fornecimento ocorre por meio de gasodutos como o TransMed, que abastece a Itália, e o Medgaz, que liga à Espanha. Em comparação, o Catar representava uma fatia menor, com cerca de 3,8% das importações europeias.
Contudo, analistas alertam que limitações estruturais impedem que o gás fornecido pela Argélia substitua totalmente o gás vindo do Catar: enquanto a produção argelina já opera próxima do limite, enquanto a demanda interna cresce entre 3% e 4% ao ano.
Além disso, parte dos campos mais antigos está em declínio, o que restringe a expansão da oferta, apesar de novos projetos em desenvolvimento. A expectativa é que o aumento no fornecimento argelino em 2026 varie entre 4 e 8 bilhões de metros cúbicos — montante insuficiente para compensar a falta do gás do Catar.
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