10 de junho de 2026

Memento Mori, por Felipe Bueno

O documentário Pompéia: Sob as Nuvens (2025), de Gianfranco Rosi, mostra recortes da rotina napolitana e de sua gente.
Vesúvio - Reprodução

O documentário “Pompéia: Sob as Nuvens” mostra a rotina em Napoli e a vida sob o Vesúvio, destacando arqueologia e desafios locais.
Pompéia, preservada pela lava desde 79 d.C., expõe a fragilidade humana e conecta passado e presente em sua conservação.
Napoli une história e presente, com trabalhadores sírios vivendo na cidade portuária enquanto a Europa enfrenta crises externas.

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Memento Mori

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por Felipe Bueno

As diferenças entre o norte e o sul são irreconciliáveis? Uma leitura possível de Napoli, na Itália, é que a cidade representa um microcosmo do que acontece na própria Europa e no planeta Terra. Do preconceito contra seu povo à exploração de seu território, passando por muitas camadas sedimentadas pelo tempo.

É justamente de camadas sedimentadas pelo tempo que falaremos aqui hoje. À sombra do Vesúvio, Napoli é a maior cidade do Sul; e qualquer citação ao Vesúvio nos remete a Pompéia, vizinha ao mesmo tempo sepultada e preservada pela lava (a grande tragédia se deu no ano de 79 d.C.).

O documentário Pompéia: Sob as Nuvens (2025), de Gianfranco Rosi, mostra recortes da rotina napolitana e de sua gente. Os atendentes do Corpo de Bombeiros dão a mesma atenção a quem tem um gato que sobe em uma árvore e a quem acorda aos sobressaltos, numa madrugada qualquer, após mais um abalo sísmico. Pesquisadores seguem seu trabalho arqueológico de décadas enquanto autoridades enfrentam ladrões de túmulos. A cidade é terra, mar e ar.

Quem visita Pompéia nos dias atuais se depara com vários mistérios: o choque é inevitável ao entender como pessoas como nós perderam a vida enquanto realizavam atividades cotidianas. A morte veio rápida e escorrendo pelo chão. Ao mesmo tempo, a conservação das construções – pisos, tetos, paredes, subterrâneos – impressiona. A ponte entre passado e presente é imediata: nós em outro tempo. O ritmo pausado e a escolha pelo preto-e-branco tornam mais sombrio o aviso de que somos frágeis e minúsculos, seja ontem, seja amanhã.

Pompéia e Napoli têm vidas inseparáveis: o filme sai de um sítio arqueológico e passa para o centro logístico da cidade portuária. Lá, vemos trabalhadores sírios tentando estabelecer uma vida possível enquanto não retornam à Ucrânia em busca de mais grãos para alimentar a Europa.

Napoli não precisa de muito para conquistar o estrangeiro: é bonita, calma e não tem guerra. A referência do filme ao conflito no leste é clara. Mas a cidade pacífica nem sempre foi assim. E guerras, todos nós temos.

Quanto a Pompéia, não se trata de um simples município; é uma cidade transformada em museu, é um “fóssil” de 60 hectares de tamanho. Passou praticamente 1600 anos literalmente morta e enterrada, enquanto seu algoz segue firme, imponente e inquestionável. Abaixo dele estamos nós, todos nós.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Rui Ribeiro

    2 de abril de 2026 9:25 am

    Conheci italianos que, quando ficavam furiosos, xingavam os outros de napolitanos. Eu quis saber porque: os napolitanos sao anti-higienicos.

    Wei la la, napolitano di una. Porca miseria

    Nietzsche mandou vocês construírem as casas de vocês nas encostas do Vesúvio. Porque ele mesmo não fez isso?

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