21 de maio de 2026

Amazônia: riquezas extraídas, pobrezas mantidas, por Augusto Rocha

Precisamos nos reencontrar com a capacidade de diálogo para enfrentar os desafios nacionais, em um projeto de país.
Reprodução

Desigualdade regional no Brasil persiste, com regiões ricas resistindo a alocar recursos para Norte e Nordeste.
Amazônia enfrenta extração de petróleo e minerais sem planos claros de compensação ou investimentos locais.
Falta diálogo e consenso sobre redução da desigualdade e preservação da Amazônia ameaça futuro sustentável.

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Amazônia: riquezas extraídas, pobrezas mantidas

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

              Há um crescente desafio aos fatos. Temos muitos imaginários e poucos fatos compartilhados, para uma conversa franca. Temos tido grande dificuldade no diálogo pela simples razão de encontrarmos dificuldade de compartilhar fatos em comum. Quanto mais difícil for o encontro de uma base comum para conversas, mais distante estaremos uns dos outros. As fronteiras do aceitável e do inaceitável se tornam fundamentais para a construção de um ambiente em comum e onde se consegue construir um diálogo.

              Se entendermos que as desigualdades regionais do país não devem ser reduzidas, poderemos encontrar diferentes motivadores para isso: culturais, divinos, formação histórica que não pode ser modificada, questões econômicas e uma diversidade de motivos inalteráveis. A questão é que eles são razões que buscam a manutenção da desigualdade. Para quem vive nas regiões mais ricas do país, não consegue conceber ou aceitar a necessidade de alocar recursos para reduzir a desigualdade do Norte ou do Nordeste frente ao Sudeste.

              Há um fato incontestável da desigualdade regional? Certamente há. Mas, para aqueles que não querem contribuir para a redução desta desigualdade, abundarão razões para explicar o quanto isso é justo e adequado. Contudo, o que temos é um cenário onde não só a desigualdade é mantida, quanto ela é aumentada e, mais ainda, seguimos a tratar as regiões periféricas como áreas para extrair recursos, sem investir.

              Existe petróleo na Amazônia? Certamente há um público grande interessado em extrair. Não há uma base comum de entendimento sobre como serão geradas compensações para a região. Há uma desigualdade, não há uma conversa ou plano para reduzir a desigualdade. Há pobreza e isolamento? Não há um plano para reduzir a pobreza ou isolamento. Os planos seguem sendo planos de extração e não de construção de prosperidade.

              É oportuno extrair petróleo na costa do Amapá ou no Amazonas? Como serão as compensações ambientais? Como serão investidos na região os recursos da riqueza gerada? Há potencial de terras raras ou vários outros minerais na região Amazônica? Certamente. Como a região aproveitará este potencial, além da geração de poucos empregos? Não há planos de compensação ou contrapartida. Até existem grupos políticos que querem simplesmente ceder para estrangeiros em troca de algo que não é visível ou declarável publicamente.

              Se não conseguirmos encontrar espaços de diálogos entre coisas importantes, que deveriam ser simples, como buscar harmonia entre regiões, como construir reduções de desigualdades, como esperar um respeito amplo pela democracia? Há um desafio antigo no Brasil que é a capacidade de compartilhar fatos e enfrentar estes fatos. O que vemos agora, com a democracia sendo atacada, é uma ampliação desta prática para outros campos. Precisamos nos reencontrar com a capacidade de diálogo para enfrentar os desafios nacionais, em um projeto de país. Sem isso, não haverá Amazônia preservada ou próspera. O que teremos no futuro é uma sequência da destruição que já ocorreu em outros biomas nacionais.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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  1. AMBAR

    6 de abril de 2026 2:35 pm

    Riquezas extraídas, pobreza mantida. Pra quê mexer nessa equação se sempre deu certo. É bíblico. A quem tem, mais será dado, a quem não tem, do pouco tiver lhe será tirado.
    É da ilusão persistente de que um dia terá abundância e bem estar que o pobre vive e se deixa explorar.

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