A escalada dos preços da energia no cenário internacional já começa a produzir efeitos concretos no mercado doméstico brasileiro, com impacto direto sobre combustíveis e potencial de contaminação sobre toda a cadeia de preços.
Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostra que o preço médio do diesel S10 disparou no país nas semanas seguintes ao início do conflito no Oriente Médio.
Na comparação entre o fim de fevereiro e o fim de março, o valor médio nacional subiu 24,3%, passando de R$ 6,09 para R$ 7,57 por litro.
Em alguns estados, a alta foi ainda mais intensa. Bahia e Tocantins lideraram os reajustes, com aumentos de 34,3% e 29,7%, respectivamente.
Os maiores preços do país foram registrados no Acre e na Bahia, ambos com R$ 8,18 por litro, seguidos pelo Tocantins, com R$ 7,82.
O avanço do diesel é especialmente relevante porque o combustível é um dos principais insumos da economia, utilizado no transporte de cargas e na logística de alimentos. Na prática, isso significa que a alta tende a se espalhar por diversos setores, pressionando desde o frete até o preço final de produtos essenciais — como os itens da cesta básica.
Outro dado que chama atenção é a disparada do chamado preço de paridade de importação (PPI), referência internacional que influencia a formação de preços no mercado doméstico. Segundo o Ineep, o PPI do diesel aumentou 78,1% desde o início da guerra, saltando de R$ 3,48 para R$ 6,19 por litro.
Apesar dessa alta, os preços praticados no Brasil variam significativamente entre os agentes do setor. Enquanto a Petrobras comercializa o diesel a R$ 3,68 por litro — cerca de 40,6% abaixo do PPI — refinarias privatizadas operam com valores próximos ou até superiores à referência internacional.
Para especialistas, o cenário atual evidencia a vulnerabilidade do país à volatilidade externa, agravada pelo aumento da dependência de importação de derivados nos últimos anos.
Em um contexto de tensões geopolíticas e instabilidade energética global, o encarecimento dos combustíveis tende a reforçar a pressão inflacionária já observada nos alimentos, ampliando o impacto sobre o custo de vida e o orçamento das famílias brasileiras.
Veja mais a respeito do assunto em boletim elaborado pelo Ineep sobre o tema.
Rui Ribeiro
9 de abril de 2026 9:03 amOs aproveitadores estão lavando a jega. A guerra é uma tragédia para muitos mas muito lucrativa para poucos.