10 de junho de 2026

Guerra no Líbano: ataques israelenses destroem 129 hospitais em 45 dias de conflito

Cálculos apontam 2.294 mortos e 7,5 mil feridos, entre eles ao menos 177 crianças mortas e 704 feridas
Crédito: Defesa Civil do Líbano

Bombardeios israelenses no Líbano danificaram 129 unidades de saúde, destruíram 116 ambulâncias e mataram 100 profissionais de saúde.
Conflito causou 2.294 mortos e 7,5 mil feridos, incluindo 177 crianças; mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas.
Israel isolou o sul do Líbano ao destruir ponte sobre o rio Litani, dificultando retorno dos moradores à região.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Os bombardeios de Israel contra o Líbano causaram danos severos à infraestrutura civil e de saúde do país em apenas 45 dias de conflito. Segundo o Ministério da Saúde libanês, 129 unidades de saúde foram danificadas, 116 ambulâncias destruídas, seis hospitais fechados e ao menos 100 profissionais de saúde mortos, com outros 233 feridos.

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O escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano classificou os ataques como “grave violação do direito internacional humanitário” que compromete seriamente o acesso da população aos serviços básicos de saúde.

O saldo humano do conflito é igualmente devastador. Cálculos provisórios do Ministério da Saúde libanês divulgados nesta sexta-feira (17) apontam 2.294 mortos e 7,5 mil feridos, entre eles ao menos 177 crianças mortas e 704 feridas. Pelo menos sete jornalistas também foram alvos de ataques israelenses durante esse período.

A destruição física do país é de proporções históricas. O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano calculou que 37,8 mil unidades habitacionais foram destruídas até o dia 12 de abril, quatro dias antes do cessar-fogo, o equivalente a cerca de 16% do total de danos registrados em todas as fases anteriores da guerra. A maior parte da devastação se concentrou nos subúrbios de Beirute.

No primeiro dia do cessar-fogo com o Irã, Israel lançou um ataque massivo contra o Líbano, em especial contra áreas densamente povoadas da capital, matando mais de 300 pessoas em aproximadamente dez minutos de bombardeios.

O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, que conhece as regiões atingidas, rejeitou as justificativas israelenses. “Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Pela lei internacional, não podem ser atacados. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa”, afirmou.

Mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em decorrência de ordens de evacuação em massa que abrangem cerca de 15% do território libanês, segundo o Ocha. Para Assi, o objetivo de Tel Aviv é acumular deslocados que se voltem contra o Hezbollah, estratégia que, segundo ele, não está funcionando. “A maioria apoia a resistência. Mesmo os críticos do Hezbollah têm rejeitado uma guerra civil contra o grupo”, disse.

Isolamento do sul

No sul do Líbano, Israel busca criar uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira entre os dois países. No último dia antes do cessar-fogo, os bombardeios destruíram a última ponte sobre o rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região e cortando a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Uma ponte provisória foi posteriormente construída para permitir o retorno de moradores.

Em março, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que não permitirá que os deslocados do sul do Líbano retornem às suas casas na região. O deslocamento forçado de população civil é considerado crime de guerra pelo direito internacional.

O libanês-brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, deixou Tiro com a família quando a recente fase da guerra começou, em 2 de março, e desde então vive na região metropolitana de Beirute sem saber quando poderá voltar. “Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul. É preciso aguardar os próximos desdobramentos”, disse.

Para Assi, as ações israelenses no sul configuram uma limpeza étnica. “O objetivo principal da guerra é a expulsão das pessoas do sul do Líbano. Por isso destruíram escolas, hospitais, prédios do governo e todas as unidades que poderiam dar suporte ao retorno dos civis”, concluiu.

Israel nega as acusações, afirmando que seus ataques têm como alvo a infraestrutura militar do Hezbollah e que o grupo utiliza instalações civis para fins militares, o que a organização xiita nega.

Modus operandi

A destruição da infraestrutura hospitalar libanesa reafirma o modus operandi covarde de Israel, que destruiu todos os hospitais da Faixa de Gaza durante dois anos de conflito.

Em 13 de abril de 2025, o último hospital funcional palestino foi destruído por um ataque aéreo israelense.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pacientes ainda em leitos hospitalares fugindo das chamas, que destruíram os departamentos e terapia intensiva e cirurgia do hospital.

De acordo com a Diocese Episcopal de Jerusalém, uma criança que teve um ferimento na cabeça e estava em atendimento no hospital morreu, pois não suportou o processo de evacuação apressado para escapar do bombardeio.

O Ministério da Saúde de Gaza confirmou a destruição total do hospital e o deslocamento forçado de pacientes e funcionários.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    17 de abril de 2026 8:14 pm

    País que queira viver como vizinho de Israel precisa de uma convenção de condomínio.

  2. Raimundo Alcides

    18 de abril de 2026 8:56 am

    Esse monstro que governa Israel deveria ser condenado a prisão perpétua.

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