24 de junho de 2026

Artemis II marca nova fase na corrida espacial global e reaquece a geopolítica do século XXI

Diferente da Guerra Fria, a atual disputa combina superioridade militar com a exploração comercial de novos corpos celestes
Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen, tripulação da missão Artemis II / Crédito: Divulgação/NASA/Josh Valcarcel

A recente missão Artemis II, da NASA, foi acompanhada com grande expectativa pela comunidade internacional, ao enviar a cápsula Orion para orbitar a Lua e registrar imagens de sua face oculta. O feito ocorre mais de cinco décadas após a última missão tripulada ao satélite, a Apollo 17, em 1972, e integra um plano mais amplo que prevê um novo pouso lunar até 2028 e a construção de uma estação até 2030. As informações são de um artigo publicado pela especialista em Relações Internacionais, Fernanda Brandão, no site The Conversation Brasil.

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O texto indica que essa retomada da exploração lunar se dá em um contexto de crescente rivalidade entre grandes potências, marcado por uma nova corrida espacial. Segundo a análise, o domínio do espaço é entendido como parte essencial da hegemonia global, em linha com o conceito de “comando dos comuns”, formulado pelo cientista político Barry Posen, que envolve o controle estratégico do mar, do ar e do espaço.

De acordo com essa perspectiva, a potência dominante deve garantir não apenas o acesso a esses domínios, mas também a capacidade de restringir a atuação de outros, consolidando sua superioridade militar e tecnológica. O artigo ressalta que, ao longo das últimas décadas, os Estados Unidos sustentaram sua posição hegemônica justamente com base nesse domínio ampliado dos espaços estratégicos.

O texto relembra ainda que a corrida espacial teve papel central durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputaram protagonismo global. A liderança inicial soviética, com o lançamento do Sputnik em 1957, foi seguida pela conquista norte-americana do envio de astronautas à Lua em 1969. Nesse período, discutiu-se intensamente a militarização do espaço, incluindo iniciativas como a “Guerra nas Estrelas”, proposta pelo governo Reagan.

Por fim, o artigo observa que, embora a atual corrida espacial não seja explicitamente militarizada, ela incorpora novos interesses, especialmente ligados à exploração de recursos naturais fora da Terra. A possibilidade de mineração na Lua ou em outros corpos celestes surge como um elemento inédito, indicando que a disputa contemporânea pelo espaço combina objetivos estratégicos, tecnológicos e econômicos.

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  1. Ed.

    19 de abril de 2026 12:43 am

    Interessante notar que a “corrida” espacial foi uma invenção de marketing na guerra fria para abafar o contínuo pioneirismo dos então soviéticos, estabelecendo uma “linha de chegada” que seria “pisar” na Lua. Meta caríssima e, fora o simbolismo, não tão útil. Tanto que depois ficou abandonada por mais de 50 anos, podendo ser feita por sondas e que tais.
    Vejamos os pioneirismos:
    1o satélite artificial (Sputnik, 1957)
    1o ser vivo no espaço (Laika)
    1o ser humano no espaço (Gagarin)
    1a mulher no espaço (Tereshkova)
    1o passeio livre no espaço (Leonov)
    1a estação espacial (Vostok)
    1o artefato a alcançar a Lua (Lunik)
    1o artefato a alcançar/orbitar e fotografar o lado oculto da Lua (Lunik 3, 1959)
    1o homem a pisar na Lua (Armstrong, 1969)
    Hoje a concorrência adicional da China, India e Japão (UE se preparando) na sanha de colonização e exploração está reativando as missões, assim como o velho marketing.
    Nada contra, desde que primeiro se investisse mais em equacionar os problemas dos humanos, aqui mesmo na Terra…

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