O Estreito de Ormuz, principal artéria do comércio de energia no mundo, tornou-se novamente o epicentro de uma crise geopolítica. O Irã divulgou vídeos nesta quinta-feira (23) que mostram comandos da Guarda Revolucionária abordando e apreendendo dois navios comerciais, o MSC Francesca e o Epaminondas. A ação ocorre em um momento de fragilidade diplomática, após o fracasso das negociações de paz com Washington.
As imagens transmitidas pela TV estatal iraniana exibem lanchas de ataque rápido cercando as embarcações. Segundo Teerã, as embarcações possuem ligações com Israel, operavam sem autorização e adulteraram sistemas de navegação para evitar o rastreamento.
O chefe do Judiciário iraniano, Mohseni Ejei, classificou a operação como uma “demonstração de poder” das Forças Armadas. De acordo com o governo local, o estreito, por onde passa um quinto do petróleo e gás natural liquefeito global, permanecerá sob controle rígido até que os Estados Unidos suspendam o bloqueio à navegação iraniana em águas asiáticas.
“Em uma situação que não é nem paz nem guerra, as coisas são um tanto assustadoras. A cada momento, você pensa que Israel ou os EUA podem lançar um ataque“, afirmou Arash, um funcionário público em Teerã, descrevendo o clima de incerteza que domina a capital.
O MSC Francesca, de bandeira panamenha, transportava quatro marinheiros montenegrinos. O ministro de Assuntos Marítimos de Montenegro, Filip Radulović, confirmou que a tripulação está segura. Além das duas apreensões confirmadas, há relatos de um terceiro ataque a um navio com bandeira da Libéria na mesma região.
Trump ordena retaliação
A resposta de Washington veio de forma imediata. O presidente Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para elevar o tom das ameaças militares. O republicano afirmou ter dado ordens diretas à Marinha para destruir embarcações iranianas que interfiram na livre circulação do estreito.
“Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja (todos os seus navios, 159 deles, estão no fundo do mar!), que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz. Não deve haver hesitação“, declarou.
Apesar da retórica belicosa, Trump havia anunciado na terça-feira (21) a extensão indefinida de um cessar-fogo para permitir novas conversas intermediadas pelo Paquistão.
Impasse diplomático
O cenário é agravado pela guerra paralela no Líbano, onde ataques israelenses mataram cinco pessoas na quarta-feira (22). O Irã condiciona o avanço de qualquer diálogo global à manutenção da trégua em território libanês.
Para assessores do parlamento em Teerã, os movimentos de Washington são vistos como uma “manobra para ganhar tempo“, enquanto as forças navais de ambos os lados permanecem em prontidão de combate.
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