4 de junho de 2026

Apostas online já levam 268 mil famílias à inadimplência

Estudo da CNC mostra que explosão das bets pressiona orçamento doméstico; apostas já drenaram R$ 143 bi do comércio
Foto de Adismara Putri Pradiri na Unsplash

Apostas online no Brasil causaram inadimplência severa em 268 mil famílias, diz estudo da CNC.
Entre jan/2023 e mar/2026, R$ 143 bilhões foram desviados do varejo para plataformas de apostas.
Homens 35+, baixa renda e público escolarizado são os mais vulneráveis ao endividamento por apostas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A explosão das apostas online no Brasil já deixou de ser um fenômeno de entretenimento para se tornar um problema econômico de larga escala por conta do avanço das chamadas “bets”, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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Segundo o levantamento, cerca de 268 mil famílias brasileiras entraram em inadimplência severa — com dívidas em atraso superior a 90 dias — como consequência direta dos gastos com apostas digitais.

O impacto vai além das finanças domésticas. A entidade estima que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo, desviados para plataformas de apostas.

O crescimento desse mercado é acelerado: os brasileiros passaram a gastar mais de R$ 30 bilhões por mês com apostas online, um salto de mais de 500% em relação a 2023.

Na prática, recursos que antes eram destinados a despesas essenciais, pagamento de dívidas ou compras no comércio agora são direcionados para jogos — muitas vezes com baixa ou nenhuma regulação efetiva.

O estudo também identifica o grupo mais vulnerável ao endividamento por jogos: homens, pessoas com 35 anos ou mais e famílias de baixa renda. Contudo, há um alerta para o público com maior escolaridade: a facilidade de acesso digital e a exposição à publicidade agressiva têm feito com que esse estrato também apresente uma exposição de risco acentuada.

Para a CNC, o fenômeno deixou de ser pontual e passou a ter dimensão macroeconômica. A entidade defende medidas regulatórias mais rigorosas, especialmente em relação à publicidade e à proteção dos consumidores, diante de um cenário em que o crescimento das bets já afeta diretamente o consumo, o varejo e a estabilidade financeira das famílias brasileiras.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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