O sistema de saúde dos Estados Unidos enfrenta um novo revés. Milhões de americanos estão abandonando seus planos de saúde nos últimos meses, após o Congresso não estender os subsídios federais que sustentavam o Affordable Care Act (ACA). A recusa legislativa em renovar os créditos fiscais resultou em uma disparada nos prêmios de seguro que a classe média já não consegue pagar.
Embora as inscrições iniciais tenham caído cerca de 1,2 milhão de pessoas , dados de seguradoras e autoridades estaduais indicam perdas muito maiores agora que os consumidores enfrentam custos elevados a longo prazo. Analistas estimam que o número de segurados despencou de 24 milhões no ano passado para cerca de 19 milhões — uma retração de 20% que anula ganhos históricos de cobertura obtidos nos últimos anos.
A crise no orçamento familiar
Os mais atingidos pela medida são os trabalhadores e aposentados precoces com renda de classe média. Em certos estados, o custo do seguro para este grupo subiu mais de US$ 1.000 mensais.
A gravidade do cenário é ilustrada por casos como o de Joyce Bumbray-Graves, uma cuidadora de 63 anos na Virgínia. Após ver o plano de saúde para ela e o marido saltar de US$ 544 para US$ 1.300 mensais, Joyce foi forçada a ficar sem cobertura. “No mês passado eu tinha saúde, neste mês não tenho mais”, resumiu em depoimento ao Congresso. Já na Califórnia, a enfermeira Megan Burkett relata que manter o plano familiar custaria US$ 2.500 por mês — o mesmo valor de sua prestação imobiliária.
Impacto no mercado e silêncio oficial
As consequências econômicas já aparecem nos balanços financeiros. A seguradora Centene reportou uma queda de dois milhões de clientes (um terço de sua base) no final de março. A gigante Cigna anunciou que deixará o mercado do Obamacare completamente no próximo ano.
Apesar da crise, a Casa Branca e o Departamento de Saúde têm minimizado as perdas. O secretário de saúde, Robert F. Kennedy Jr., atribuiu a redução inicial das matrículas a uma ofensiva contra fraudes , enquanto oficiais de comunicação do governo descrevem o mercado como “forte e resiliente”.
Efeito eleitoral
O fim do financiamento autorizado em 2021, que tornava o seguro gratuito para os mais pobres e acessível para quem ganhava acima de US$ 63 mil anuais, tornou-se o centro de um embate político. Com a saúde voltando ao topo das preocupações dos eleitores em pesquisas de opinião, o tema promete ser decisivo nas próximas eleições de meio de mandato.
Paulo Dantas
1 de maio de 2026 4:25 pmE isto sem um UHS Unique Health System …
Obama , who cares …
Mas aposto que seguem apoiando Trump.
Arthur Arruda
1 de maio de 2026 10:56 pmO UHS já foi bom, meu caro. O que tenho ouvido de amigos beneficiários do programa é que as contingências tem sido crescentes e a prestação bastante precarizada. Poderia ter citado o SUS que a despeito de todas limitações, segue entregando muito além do possível por mérito sobretudo de seus servidores. O corpo de enfermagem do SUS é um
caso a parte, merecia monumentos em nossas capitais. Falo por experiência própria e de terceiros.