O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta quinta-feira (7) uma reunião de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, e saiu otimista com os resultados. O encontro, que extrapolou em mais de uma hora o tempo previsto, começou no Salão Oval e se estendeu por um almoço na Sala do Gabinete, com a participação de ministros dos dois países.
“Eu saio muito, muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos”, declarou Lula em coletiva de imprensa logo após o encontro.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, os temas centrais foram o comércio bilateral e as tarifas impostas pelo governo americano, a cooperação no combate ao crime organizado e ao crime transnacional, e a questão dos minerais críticos. Ao final, os dois presidentes definiram missões concretas para cada área.
Tarifas e comércio
O ponto mais sensível da agenda foi a disputa comercial, agravada pela investigação da Seção 301, mecanismo americano que pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rossi, apresentou à delegação americana dados que, segundo ele, demonstram o não cabimento de sobretarifas sobre produtos do Brasil.
“Ficou pactuado que a USTR, o Departamento de Comércio americano, o Itamaraty e o MDIC voltarão nas próximas semanas a negociar o fim das tarifas e o estabelecimento de uma nova regra para o futuro”, afirmou Rossi.
Lula confirmou que propôs um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas dos dois países cheguem a uma conclusão. O presidente brasileiro argumentou que, nos números do próprio governo americano, o Brasil registrou déficit de quase 30 bilhões de dólares com os Estados Unidos em 2025, dado que, segundo ele, reforça a posição brasileira.
“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, disse Lula.
O presidente também aproveitou para defender o multilateralismo e alertar Trump de que os Estados Unidos perderam espaço no Brasil para a China a partir de 2008. “Eu disse para ele que muitas vezes nós fazemos licitações internacionais para uma rodovia, uma ferrovia, e os Estados Unidos não participam. Quem participa são os chineses.”
Crime organizado
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, destacou que o combate ao crime organizado foi um dos temas mais desenvolvidos na reunião. Lula entregou a Trump, ao final do encontro, propostas escritas em inglês detalhando o que o Brasil pretende na área.
O ministro da Fazenda, Dário Durigan, revelou resultados concretos da cooperação já em andamento: graças a um mecanismo de troca de informações prévias entre as aduanas brasileira e americana, o chamado remote targeting, mais de meia tonelada de armas irregulares provenientes dos Estados Unidos foi apreendida no Brasil entre maio de 2025 e abril de 2026. No mesmo período, mais de uma tonelada de drogas sintéticas enviadas dos Estados Unidos ao Brasil também foi interceptada.
Durigan também mencionou que informações sobre a Operação Carbono Oculto, descrita como a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil, foram compartilhadas com a Receita Federal americana, o IRS, permitindo rastrear recursos desviados e concentrados, em parte, no estado de Delaware.
Lula foi além e propôs a criação de um grupo de trabalho multilateral reunindo países da América do Sul e da América Latina para combater o crime organizado de forma coordenada.
“Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos”, afirmou. O presidente adiantou ainda que, a partir da semana que vem, o governo lançará um plano nacional de combate ao crime organizado.
Minerais críticos
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o Brasil aprovara na véspera, na Câmara dos Deputados, um novo marco regulatório para os minerais críticos, com votação esperada no Senado ainda nesta quinta. A legislação cria um Conselho de Coordenação vinculado à Presidência da República e trata o tema como questão de soberania nacional.
Lula reforçou que o Brasil não tem preferência por parceiros e está aberto a investimentos de qualquer país, sejam americanos, chineses, alemães ou japoneses. A condição, porém, é que o processamento dos minerais aconteça em solo brasileiro, gerando empregos e riqueza no país. “Só temos conhecimento de 30% do nosso território. Agora temos a obrigação de conhecer 100%”, disse o presidente.
ONU, Venezuela e a relação com Trump
Lula aproveitou o encontro para defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a geopolítica de 2026 não é mais a de 1945. O presidente disse ter proposto a Trump que os cinco membros permanentes convoquem uma reunião, até por teleconferência, para discutir mudanças no estatuto da organização e buscar saídas para os conflitos em curso. Afirmou ter feito o mesmo apelo a Xi Jinping, Putin e Macron.
Sobre Venezuela e Cuba, Lula disse que os temas não foram o centro da conversa, mas que está disposto a discutir qualquer assunto com Trump. Questionado sobre se mudou sua avaliação do presidente americano após o encontro, foi diplomático: “Eu não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem. O que eu fiz questão de dizer é que acredito muito mais no diálogo do que na guerra.”
O clima da reunião, segundo todos os presentes, foi de cordialidade. Lula encerrou a coletiva com bom humor, contando que brincou com Trump sobre a Copa do Mundo de 2026. “Eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Nós vamos vir aqui para ganhar.”
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Jose carlos lima
7 de maio de 2026 6:05 pmDe igual pra igual eh o que passa a imagem
Se fosse o Bozzo seria fazendo continência a bandeira dos EUA
Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de maio de 2026 6:11 pmAs criaturas grotescas da extrema direita dentro e fora da imprensa estavam torcendo para ver imagens de Donald Trump humilhando publicamente Lula. Eles imaginavam que isso talvez faria a balança da eleição pender em favor de Flávio rachadinha Bolsonaro. Ledo engano e frustração disfarçada. Os dois chefes de Estado se reuniram, trataram de assuntos relevantes e nada excepcional ocorreu. A presidencia dos EUA pode humilhar Zelensky e os governantes europeus, mas não tem condições de fazer o mesmo com o Brasil. Então, Trump se resignou a cumprir o protocolo: ele tratou Lula com o respeito e a cortesia que um chefe de estado deve a outro. E o presidente brasileiro saiu do encontro tranquilo, porque a missão diplomatica dele foi cumprida de maneira satisfatória. Se o encontro entre Trump e Lula resultará em benefícios tangíveis para os EUA e o Brasil é algo incerto, mas em diplomacia quando dois Estados mantém suas relações bilaterais tranquilas e manejaveis como estão isso pode ser considerado uma vitória. A macacada da bunda branca da extrema direita não ganhou nada. Ao contrário, ela perdeu a marca “Trump é nosso não do Lula”. E o Brasil pode seguir em frente, porque aqui ninguem realmente precisa da marca “Trump é do Lula”. Cada um dos dois deve cuidar dos interesses dos seus respectivos países, e Trump não deve em circunstância alguma tentar intervir no processo político ou no resultado eleitoral brasileiro. Hoje Flávio rachadinha Bolsonaro vai dar uma brochada. O mesmo pode ser dito de todos os pseudomachos que adoram a pica de Donald Trump.