22 de junho de 2026

Krugman acusa governo Trump de alimentar corrupção no mercado de petróleo

Economista afirma que operações bilionárias antes de anúncios sobre o Irã indicam uso de insider trading e corrosão institucional nos EUA
Foto de Maxim Hopman na Unsplash

O economista Paul Krugman lançou um novo alerta sobre o avanço da corrupção sistêmica nos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

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Em artigo, o vencedor do Nobel de Economia afirma que operações suspeitas no mercado futuro de petróleo, realizadas minutos antes de anúncios oficiais sobre a guerra envolvendo Irã e Estreito de Ormuz, revelam um ambiente de impunidade, favorecimento político e degradação institucional.

“O mau cheiro da corrupção é avassalador”, escreveu o articulista, ao destacar que grandes operadores financeiros vêm realizando apostas bilionárias no mercado de petróleo pouco antes de declarações públicas de Trump capazes de alterar drasticamente os preços internacionais da commodity. O padrão, diz Krugman, tornou-se recorrente — e grave.

O caso mais recente citado por Krugman envolve uma operação de venda a descoberto (“short”) de aproximadamente US$ 920 milhões em contratos futuros de petróleo, realizada cerca de 70 minutos antes de uma reportagem da Axios informar que Estados Unidos e Irã estariam próximos de um acordo para encerrar o conflito na região do Golfo Pérsico.

Após a divulgação da notícia, os preços do petróleo despencaram mais de 12%, gerando lucro estimado de US$ 125 milhões para os investidores posicionados previamente. Horas depois, nova escalada militar iraniana provocou recuperação abrupta dos preços.

Para Krugman, a repetição desse padrão sugere algo mais profundo do que mera especulação financeira. O economista afirma que o governo Trump não demonstra qualquer esforço real para investigar o uso de informações privilegiadas — e que os operadores envolvidos agem “com completo sentimento de impunidade”.

Mais do que um problema ético, o autor argumenta que o insider trading ameaça o próprio funcionamento da economia. Em sua análise, o mercado futuro de petróleo não existe apenas como espaço especulativo, mas como instrumento essencial de proteção contra riscos econômicos.

Companhias aéreas, petroleiras e grandes empresas utilizam contratos futuros para travar preços e reduzir incertezas. Quando agentes com acesso privilegiado a informações políticas passam a dominar esse ambiente, afirma Krugman, o mercado deixa de cumprir sua função econômica básica.

Na prática, isso reduz a confiança nos mercados e desencoraja operações legítimas de hedge, fundamentais para estabilidade de preços e previsibilidade econômica.

Krugman insere o episódio em um fenômeno mais amplo que chama de “economia predatória”. Segundo ele, o sucesso empresarial nos Estados Unidos estaria cada vez menos ligado à inovação ou eficiência e cada vez mais dependente de conexões políticas próximas ao poder.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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