5 de junho de 2026

Bibi vai sair, mas o Estado de Israel vai com ele, por Paulo S. Pinheiro

Netanyahu desmantelou os alicerces do país. A sociedade israelense está fragmentada, mais dividida do que nunca, sem como reconstruí-la.
Benjamin Netanyahu em foto de Jolanda Flubacher - Flickr

Jornalista israelense Carolina Landsmann afirma que Netanyahu sairá, mas o Estado de Israel não sobreviverá ao seu legado.
Segundo Landsmann, Netanyahu desmantelou as instituições e dividiu a sociedade israelense, fragilizando o país e suas forças.
O artigo destaca que consertar o dano causado é impossível e que o fim de Netanyahu será também o fim do Estado como conhecido.

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Bibi vai sair, mas o Estado de Israel vai com ele

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por Paulo S. Pinheiro

BIBI VAI SAIR , MAS O ESTADO DE ISRAEL VAI COM ELE. O jornal israelense Haaretz, 1º de maio de 2026 Carolina Landsmann : “Netanyahu sairá, mas o Estado morrerá com ele”.

Em termos claros e diretos, a jornalista afirma que Netanyahu eventualmente se aposentará da política (há rumores de um acordo que lhe permitirá sair sem ir para a prisão), mas que o dano que ele já causou ao país é tão grande que o Estado de Israel, como o conhecemos, não sobreviverá. Esta não é uma crítica externa. É de alguém de dentro de Israel, escrevendo em um jornal israelense, declarando que todo o projeto está acabado.

Segundo ela, Netanyahu desmantelou completamente os alicerces do país. A sociedade israelense está fragmentada, mais dividida do que nunca, e não há como reconstruí-la. O exército, outrora o orgulho de todos, está cansado, desgastado e sem a sua força anterior. Israel não tem mais amigos no mundo: antes era visto como uma democracia forte, agora é visto como um país que gera ódio em todo o mundo por causa de suas ações.

E o pior, diz Landsmann, é que consertar tudo isso não é mais possível. É como um sonho impossível, uma miragem. Por quê? Porque as instituições mais importantes do país — o judiciário, a mídia e o parlamento (o Knesset) — foram destruídas. Elas não funcionam mais como deveriam. Estão desequilibradas, controladas por um lado e perderam todo o equilíbrio. Não há volta.

O autor explica que não importa mais se houver eleições, se novos partidos forem formados ou se a composição do parlamento mudar. Tudo isso é perda de tempo. O dano é profundo demais e o ponto de não retorno já foi ultrapassado. Netanyahu não apenas governou o país… ele se tornou o próprio país. Seu fim será o fim do Estado. Ele o matou.

Isso não vem de um inimigo de Israel. A declaração vem de uma voz proeminente dentro do próprio Israel. É como se o país estivesse admitindo abertamente que o sonho que vendeu por décadas — de ser invencível, estável e eterno — está ruindo por dentro.

Netanyahu vai embora.

Mas o Estado que ele defendeu com tanta veemência irá embora com ele.

O artigo é uma autópsia brutal e honesta do que aconteceu nos últimos anos. E surge justamente quando o mundo está assistindo. Não há mais como esconder: o projeto sionista chegou ao fim.”

Geopolítica Mundial

Paulo Sérgio Pinheiro é um cientista político brasileiro, ex-secretário de direitos humanos e membro da Comissão Nacional da Verdade. É professor aposentado do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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