DC, Joaquim Barbosa e o vazio que a política brasileira tenta preencher
por Elias Tavares
A crise interna do DC, antigo Democracia Cristã, envolvendo Aldo Rebelo e a chegada de Joaquim Barbosa, parece pequena à primeira vista. E, eleitoralmente falando, talvez realmente seja. O partido não possui hoje musculatura suficiente para alterar sozinho o jogo político nacional. Mas a política raramente é apenas sobre tamanho. Muitas vezes, ela é sobre simbolismo. E é exatamente isso que torna esse episódio interessante.
O que estamos vendo é um partido pequeno tentando sair da irrelevância através de um movimento de grande repercussão. Ao aproximar Joaquim Barbosa, o DC tenta ocupar o centro da conversa política nacional. Não necessariamente entre o eleitor médio, mas entre jornalistas, cientistas políticos, formadores de opinião e o universo que acompanha os bastidores de Brasília diariamente.
Joaquim Barbosa ainda carrega um capital simbólico extremamente forte. Seu nome segue associado ao julgamento do Mensalão, ao combate à corrupção e a uma imagem de independência institucional. É um personagem que desperta sentimentos intensos, tanto positivos quanto negativos. E isso, na política, tem valor.
Ao mesmo tempo, não estamos falando de um partido vazio de figuras políticas. Aldo Rebelo também possui trajetória, densidade intelectual e reconhecimento público. A crise revela justamente um choque interno de projetos: de um lado, a tentativa de apostar em um nome de forte apelo midiático; do outro, a defesa de uma linha política mais tradicional e histórica.
Sinceramente, não vejo essa disputa alterando profundamente o cenário eleitoral de 2026. Mas vejo nela um sintoma importante: o sistema político brasileiro está claramente procurando alternativas para além da polarização clássica entre lulismo e bolsonarismo.
E é justamente nesse ambiente que episódios recentes envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Banco Master ganham relevância política. Independentemente do desfecho ou do tamanho real dessas conexões, o simples fato de surgirem desgastadas narrativas que até pouco tempo eram exploradas quase exclusivamente contra adversários políticos.
Toda vez que a polarização se desgasta, abre-se espaço para novos atores. Por isso, nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado seguem tentando ocupar o espaço de uma direita mais administrativa, mais gerencial e menos ideológica. Eles percebem que existe uma parcela do eleitorado cansada do conflito permanente.
Mas eu acredito que existe um outro fenômeno acontecendo e que parte da política tradicional ainda não compreendeu completamente: o poder do ambiente digital.
E aqui faço questão de citar Renan Santos. Gostem ou não dele, é impossível ignorar sua capacidade de mobilização nas redes sociais. A política de 2026 será profundamente influenciada pelo digital. Muito mais do que muitos imaginam hoje.
A internet deixou de ser apenas ferramenta de campanha. Ela passou a ser ambiente de formação política, mobilização emocional e construção de lideranças. Quem dominar esse território terá vantagem competitiva real.
Talvez a maior lição dessa crise dentro do DC seja justamente essa: a política brasileira vive um enorme vazio de representação, e diferentes grupos começam a disputar quem será capaz de preenchê-lo.
E quem entender primeiro o tamanho desse vazio pode acabar surpreendendo muita gente em 2026.
Elias Tavares é cientista político, com pós-graduação em marketing eleitoral e formação em gestão de partidos políticos. Atua na análise do sistema político brasileiro, com ênfase em comunicação eleitoral, estrutura partidária e estratégias de campanha. Tem se dedicado à produção de conteúdo analítico sobre os desafios institucionais do país, o funcionamento do Congresso Nacional e o comportamento do eleitorado. Sua abordagem une rigor técnico, linguagem acessível e compromisso com o debate público qualificado.
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Ulisses Simon da Silveira
19 de maio de 2026 9:26 amOportunidade de revisar a Farsa do Mensalão, a prisão do José Dirceu sem provas mas muita literatura jurídica, da teoria estapafúrdia do domínio do fato, da acusação contra José Genoíno para completar o fatídico número 40 de acusados, os pagamentos legais com notas que Barbosa escondeu, o dinheiro da Visa não público e a prisão do executivo do BB que era do PT e nunca poderia assinar sozinho as ordens de pagamento. Pegar este fujão que depois de tentar destruir o PT a mando do Aécio caiu fora para Miami numa compra de imóvel ilegal com lavagem de dinheiro