O governo dos Estados Unidos colocou no ar a plataforma oficial “aliens.gov”, página vinculada ao gabinete do presidente Donald Trump que utiliza formalmente o termo “alienígenas”, que em inglês significa tanto estrangeiro quanto extraterrestre, para se referir a imigrantes. O domínio, que havia sido registrado pelo Gabinete Executivo do Presidente, utiliza recursos visuais de ficção científica para abordar a imigração ilegal no país, estabelecendo uma analogia direta entre os estrangeiros e uma suposta invasão espacial.
A página inicial do portal apresenta um texto em movimento que simula a abertura dos filmes da franquia Star Wars, com blocos de texto sobrepostos a um fundo de estrelas cadentes. O conteúdo faz afirmações sobre a presença de imigrantes no território americano: “Eles caminham entre nós”, diz o início do site. O texto afirma ainda que extraterrestres “viveram em nossos bairros”, “frequentaram as mesmas aulas que nossos filhos” e “não pertencem a este lugar”.
Em outro trecho, o portal alega que “milhões chegaram sob a proteção da escuridão” e acusa gestões anteriores de terem “acobertado” e “acelerado a invasão”. O site também exibe um contador de “encontros” que atinge a marca de 3,1 milhões, número que corresponde aos imigrantes ilegais localizados pelas autoridades americanas.
Monitoramento e canal de denúncias
Abaixo das mensagens conceituais, a plataforma disponibiliza ferramentas de fiscalização. Uma delas é o “Alien Arrest Map” (“Mapa de Prisões de Alienígenas”), alimentado com dados do ICE (Immigration and Customs Enforcement), o órgão responsável pela imigração e fiscalização aduaneira nos Estados Unidos. Embora o mapa não especifique o período exato dos registros, o volume coincide com relatórios recentes do Departamento de Segurança Interna, compreendendo detenções realizadas entre setembro de 2024 e abril deste ano.
Além do mapa e de tabelas que somam milhares de páginas com detalhes sobre as detenções, o governo Trump abriu no site um canal para que cidadãos comuns façam denúncias anônimas contra indivíduos que supostamente estejam em situação irregular no país.
Dados contradizem discurso oficial
A retórica de ameaça adotada no site diverge das estatísticas oficiais do próprio governo norte-americano. Documentos internos do Departamento de Segurança Interna obtidos pela emissora CBS News indicam que, das cerca de 393 mil prisões efetuadas pelo ICE entre janeiro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, menos de 14% envolviam indivíduos com acusações ou condenações por crimes violentos.
A minoria dos casos, cerca de 4% do total, correspondia a crimes graves como homicídio, estupro ou envolvimento com gangues, figuras frequentemente citadas por Trump e seus assessores como os principais alvos das operações de repatriação.
O balanço aponta que quase 40% de todos os detidos pela agência de imigração no primeiro ano do mandato republicano não possuíam antecedentes criminais de qualquer espécie. Estes indivíduos foram autuados exclusivamente por infrações civis de imigração, tais como a permanência no país após o vencimento do visto ou a entrada sem autorização legal, violações que são processadas administrativamente por juízes de imigração e não pela esfera criminal.
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