O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre as importações de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A decisão, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), decorre de uma investigação que concluiu que essas economias falharam em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em seus próprios mercados.
A medida representa a maior ofensiva protecionista do presidente Donald Trump desde que suas taxas anteriores foram derrubadas pela Suprema Corte americana. Fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a retaliação divide os países afetados em dois blocos de sobretaxação.
Uma alíquota menor, de 10%, será aplicada a parceiros que possuem restrições parciais ou acordos recíprocos de controle, como a União Europeia, Canadá, México, Taiwan e Reino Unido. Já o Brasil foi incluído no grupo de punição máxima, ao lado de potências como China, Índia e Japão, sujeito à sobretaxa de 12,5% por não apresentar regimes eficazes de bloqueio a esses produtos.
“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável“, afirmou o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais.“
A brecha na legislação brasileira
De acordo com o relatório do USTR, embora o Brasil assuma compromissos internacionais e possua mecanismos internos de combate ao trabalho escravo, como a chamada “Lista Suja”, o país carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a importação de insumos e mercadorias produzidas em condições degradantes de outras partes do mundo. A conduta brasileira foi classificada por Washington como “irracional” e prejudicial ao comércio norte-americano.
A diplomacia brasileira reagiu prontamente. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o governo contestou a investigação e criticou as sanções unilaterais, argumentando que a iniciativa é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o Itamaraty, a investida de Washington ameaça minar o progresso das políticas públicas brasileiras. O Ministério das Relações Exteriores destacou a eficiência do sistema nacional de fiscalização, citando que, em 2025, o país realizou 1.594 inspeções e resgatou 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão.
Impacto global e exceções
O anúncio das tarifas ocorre em um momento de vulnerabilidade para a economia global, pressionada pela alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito com o Irã. O temor de um repique inflacionário acirra o cenário político nos EUA às vésperas das eleições parlamentares de meio de mandato, em novembro.
Para evitar o desabastecimento, o governo Trump propôs isenções totais para itens alimentícios essenciais, como carne bovina, café, suco de laranja, tomates e bananas. Metais e combustíveis também ficaram de fora por já estarem sujeitos a outras taxas.
Há, ainda, uma indefinição técnica que preocupa exportadores brasileiros: o Itamaraty e analistas de mercado avaliam se a nova sobretaxa será cumulativa a outro aumento de 25% que os EUA discutem aplicar sobre produtos brasileiros em uma investigação separada do USTR, que analisa o excesso de capacidade de fabricação global.
Próximos passos
As novas alíquotas não entram em vigor imediatamente. O governo americano abriu um período de consulta pública para receber manifestações por escrito até o dia 6 de julho. No dia seguinte, 7 de julho, o comitê da Seção 301 realizará audiências públicas para debater a implementação das taxas.
Especialistas preveem que a codificação das novas tarifas coincidirá com a expiração das taxas globais temporárias vigentes da Seção 122, cumprindo a meta da Casa Branca de emendar um mecanismo de barreira comercial no outro sem deixar brechas no mercado interno americano.
Rui Ribeiro
3 de junho de 2026 11:21 amVorcaro com suas maracutaias e Trump com seu ‘Tariflávio’ se tornaram pesos mortos para os Bolsonaristas.
GalileoGalilei
3 de junho de 2026 1:43 pmAlguma dúvida de que o Brasil esteja sob ataque? A lógica dos ataques é a mesma da fábula “O Lobo e o Cordeiro“. É perda de tempo achar que o lobo será convencido de que o cordeiro não está poluindo a água do rio que ele bebe porque este se encontra a jusante de onde está o lobo. Tampouco argumentar que o irmão do cordeiro não prejudicou o lobo tempos atrás, visto que o cordeiro não tem irmãos. O objetivo do lobo é claro e todas as alegações são apenas pretextos para aquilo que ele deseja. Não há espaço para a argumentação visto que o lobo está surdo para ela e sempre alegará um novo pretexto. O problema aqui é que há traidores que estão conspirando com o inimigo e, em tempos de guerra, traidores devem ser submetidos à corte marcial.