O programa Observatório de Geopolítica da última quarta (10) debateu a instabilidade geopolítica global, focando na perda de influência dos Estados Unidos frente à ascensão da China. Os especialistas analisaram como o governo de Donald Trump rompeu consensos internacionais, resultando em um isolamento que compromete a antiga hegemonia norte-americana. A discussão atravessou os conflitos no Irã e na Ucrânia, sugerindo que o Estado de Israel, muitas vezes, dita a política externa de Washington em benefício próprio.
Além disso, os participantes do programa examinaram o papel dos BRICS na busca por uma nova ordem mundial que priorize a soberania nacional e a desdolarização da economia. A bancada, comandada pelo cientista político e analista internacional Pedro Costa Jr, editor do Observatório de Geopolítica do GGN, observou que essas tensões refletem uma transição histórica marcada por guerras por procuração e uma intensa disputa pelo controle tecnológico e econômico.
Participaram do programa:
- Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Autor do livro “O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?”, Editora Appris, 2019. Analista de Relações Internacionais e Geopolítica do GGN.
- Marcos Cordeiro Pires, doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo e livre-docente em Economia Política Internacional pela Unesp. É professor da UNESP, Campus de Marília, no curso de graduação em Relações Internacionais e no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais “San Tiago Dantas”, e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), no qual coordena o Latino Observatory, que estuda os aspectos políticos e culturais da população de origem latino-hispânica nos Estados Unidos.”
- Williams Gonçalves, doutor em Sociologia (USP); Mestre em Filosofia; Bacharel em História; Prof. Titular Aposentado de Relações Internacionais da UERJ; Prof. Associado Aposentado da UFF; Pesquisador do INCT-INEU; Conferencista Especial da Escola Superior de Guerra/ESG; Colaborador Permanente do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos da Marinha do Brasil/CEPE-MD.
- Euclides Roberto Novaes de Sousa, servidor público estadual, graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia. Licenciado em Sociologia. Especialização em Textos em Língua Portuguesa e amante de Literatura e Xadrez.
A influência sionista nos EUA
O lobby sionista exerce uma influência profunda e estrutural na política interna dos Estados Unidos, a ponto de ser descrito como um fator que inverte a lógica tradicional de poder entre as duas nações.
A influência se manifesta das seguintes formas:
- Financiamento e Captura de Lideranças: O lobby sionista é capaz de influenciar a economia norte-americana ao gastar alguns bilhões de dólares para “comprar as lideranças” de ambos os principais partidos (Democrata e Republicano). Esse investimento financeiro garante que os interesses de Israel sejam priorizados no Congresso e na Casa Branca, independentemente de quem esteja no poder.
- Israel como Tema de Política Interna: Nas discussões geopolíticas, destaca-se que Israel não é tratado meramente como uma questão de política externa, mas sim como um tema central de política interna dos EUA. Isso significa que as decisões sobre o apoio a Israel são moldadas por pressões eleitorais e lobbies domésticos, e não apenas por interesses estratégicos globais.
- Composição Diversificada: O lobby não é homogêneo, dividindo-se entre o sionismo judaico e o sionismo cristão, o que amplia sua base de apoio e influência dentro da sociedade e do sistema político americano.
- Capacidade de “Mover as Peças”: Israel possui uma capacidade extraordinária de mover as peças da política interna dos EUA, agindo muitas vezes sem sofrer controle por parte do governo norte-americano. Em alguns contextos, essa dinâmica é descrita de forma metafórica como “o rabo que abana o cachorro”, sugerindo que os interesses israelenses acabam direcionando as ações dos Estados Unidos.
- Uso dos EUA como “Proxy”: Devido a essa pressão interna, os Estados Unidos podem acabar agindo como um “proxy” (procurador) dos interesses de líderes israelenses, como Benjamin Netanyahu, em conflitos regionais (por exemplo, contra o Irã), mesmo quando isso pode contrariar promessas de campanha ou interesses de estabilidade global do próprio governo americano.
Em suma, o lobby sionista neutraliza a capacidade de controle dos EUA sobre as ações de Israel, forçando o governo americano a apoiar políticas que atendem aos objetivos específicos do Estado israelense.
O programa Observatório de Geopolítica é transmitido de segunda a sexta no canal TV GGN no Youtube, sempre às 19 horas. Assista à edição abaixo:
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