Se Previdência não for aprovada, governo fará PEC “desindexando todas as despesas e receitas da União”. Isso significa, na prática, permitir que a União use recursos do orçamento como desejar, desobrigando-a de cumprir investimentos em setores específicos, como Saúde e Educação

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Jornal GGN – O ministro da Economia, Paulo Guedes, assumiu o cargo oficialmente nesta quarta-feira (02). Durante discurso de posse, em uma cerimônia em Brasília, destacou que “o primeiro e maior de todos” os desafios será a reforma da Previdência, chamada por ele de “uma fábrica de desigualdades”.
“Quem legisla tem as maiores aposentadorias, quem julga tem as maiores aposentadorias. O povo brasileiro, as menores”. A declaração do novo ministro não corresponde à realidade da proposta enviada pelo governo Michel Temer ao Congresso, em 2016, e que chegou a ser aprovada em uma comissão especial em maio de 2017, mas não avançou mais na Casa desde então.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) não altera, por exemplo, a aposentadoria dos militares. Ficou acertado com o Ministério da Defesa e Forças Armadas que uma nova regra será formulada especialmente por eles. De acordo com relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado em junho passado, o gasto da União com as aposentadorias dos militares é 17 vezes maior que os gastos com um aposentado comum.
A reforma que tramita no Congresso também não vai acabar com os altos salários do funcionalismo público. Ainda em abril do ano passado, o então presidente Michel Temer excluiu servidores municipais e estaduais da reforma da Previdência, favorecendo a maior parte dos juízes e promotores.
O Ministro Paulo Guede prometeu no discurso que a Reforma da Previdência é fundamental para o país sair da crise, entretanto destacou que o novo governo continuará defendendo as mudanças recomendadas por Temer.
“[A reforma] é o primeiro e maior desafio a ser enfrentado. Se for bem sucedido esse enfrentamento [no Congresso] vamos ter dez anos de crescimento sustentável pela frente”. Em seguida a esta fala, Guedes concluiu:
“Se não formos [bem sucedidos] temos sugestões também”, disse apresentando, em seguida, o plano B do governo Bolsonaro que será uma outra PEC desvinculando, desobrigando e desindexando todas as despesas e receitas da União.
“Se não aprovarmos temos que dar um passo mais profundo ainda. Agora, ou desindexa tudo, desvincula tudo, ou não há solução. O bonito é que se dar errado, pode dar certo. Porque se der errado a reforma da Previdência, que é a mais importante de todas, que nos dará esse horizonte fiscal, é bastante provável que a classe política dê um passo à frente e assuma, realmente, o comando do orçamento”, arrematou.
O professor Titular do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa, explica que o plano B do governo significa autorizar a União a redefinir as prioridades de uma parte de suas receitas.
“Na prática, a DRU [Desvinculação de Receitas da União] aumenta a flexibilidade para o governo usar parte dos recursos do orçamento com despesas que considerar mais importantes. Essa autorização deixa livre o uso de 30% de receitas antes ‘engessadas’, destinadas a despesas específicas”. Entretanto, ele pondera que a proposta de Guedes é retórica:
“A opinião pública, se for esclarecida, será contra e pressionará os deputados e senadores a não aprovarem. Exigiria PEC, ou seja, ⅗ de apoio. No fundo, [Guedes] está colocando Educação e Saúde como reféns para o Congresso e a Sociedade aceitar a reforma da Previdência. Este blefe pode desmascarar o governo fazendo-o perder logo o capital político”, observa.
Carteira de trabalho “verde e amarela”
Guedes chamou de “fascista” a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e prometeu substituí-la por uma carteira de trabalho “verde e amarela”:
“Nós temos que libertar as futuras gerações do regime trabalhista e previdenciário que nós temos hoje. O governo democrático vai inovar e abandonar a legislação fascista da Carta del Lavoro [nome da CLT em italiano]”.
Outras mudanças significativas propostas são a simplificação da reforma tributária. O objetivo de Guedes é criar uma espécie de imposto único reunindo entre 7 e 8 impostos, como PIS e IPI. “Vamos abrir a economia, simplificar impostos, privatizar, nós vamos descentralizar os recursos para Estados e municípios”, continuou.
Segundo o ministro, com a venda dos ativos do Estado, o governo “talvez” controle a dívida nominal, usando o conhecido exemplo do bolo que precisa crescer.
“Se a gente conseguir [isso, em] dois, três, quatro anos, acelerando privatizações, travar esses gastos, eles se dissolvem, porque a economia vai crescer 3%, 3,5%, com mais 3,5%, 4% de inflação. O bolo cresce, se essas empresas, nominalmente, são mantidas estáveis dois, três anos. [Resolveremos] essa asfixia de recursos para Saúde, para Educação, para Cidadania e o Brasil deixará de ser o paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores”.
Guedes aproveitou vários momentos do discurso com frases que aproximaram-se das que já vinham sido ditas durante a campanha eleitoral:
“A máquina do governo virou uma gigantesca engrenagem de transferências perversas de renda, em todas as suas dimensões. Se for aos bancos públicos, têm campeão nacional [que] pegou empréstimo, e não a pequena e média. Não foi para o pequeno crédito que os bancos se perderam. Eles se perderam nos grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”, disse arrancando palmas da plateia.
AMORAIZA
3 de janeiro de 2019 2:43 pmO discurso e o fato curioso
O discurso
“Se for aos bancos públicos, têm campeão nacional [que] pegou empréstimo, e não a pequena e média.
Eles se perderam nos grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”
O fato curioso
Curioso…….
qua, 02/01/2019 – 09:10
Última distribuidora da Eletrobras foi “doada” e não vendida, denunciam trabalhadores
A Companhia Energética de Alagoas (Ceal) foi adquirida pela Equatorial Energia por meio de leilão na última sexta-feira (28) na B3, a Bolsa de Valores oficial brasileira, por R$ 50 mil
https://www.brasildefato.com.br/2018/12/30/ultima-distribuidora-da-eletr…
o mais curioso é onde a Equatorial Energia vai pegar dinheiro para comprar ativos do estado…..
com esse mesmo estado….
BNDES aprova R$ 7,6 bi em financiamento para distribuição de energia em dezembro
Os financiamentos serão destinados para distribuidoras dos grupos Equatorial Energia, Neonergia e CPFL, controlada pela chinesa State Grid, segundo o banco de fomento.
https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2018/12/bndes-aprova-r-…
Controle acionario da Equatorial Energia:
https://www.zonebourse.com/EQUATORIAL-ENERGIA-6498753/societe/
Maior acionista
Squadra Investimentos Gestão de Recursos Ltda.
Magos do Mercado: Guilherme Aché, sócio e gestor da Squadra
Economista formado pela Faculdade Cândido Mendes, Aché começou no Pactual no início dos anos 1990, ainda como estagiário, tornando-se, em 1993, chefe da área de análise de empresas.
Em 1998, ajudou a fundar a gestora JGP, dos ex-sócios do Pactual André Jakurski e Paulo Guedes, definidos por Aché como os “Magos do Mercado da época” e “os ídolos da sua geração” no mercado financeiro.
https://blog.genialinvestimentos.com.br/magos-do-mercado-guilherme-ache-…
Segundo maior acionista
Opportunity Asset Adm de Recursos de Terceiros Ltda
Olha so que curioso…..o melhor “amigo” do PHA…….Daniel Dantas…….
Mas daqui pra frente….tudo vai ser diferente…..acabou a corrupisão……..o fim das maracutaias…..
(postado ontem pelo Jackon da Viola)
https://jornalggn.com.br/noticia/clipping-do-dia-1914
André Oliveira
3 de janeiro de 2019 3:37 pmSe não tiver voto para a tal
Se não tiver voto para a tal reforma da previdência de onde Guedes tirará votos para aprovar uma PEC radical como essa?
luizmattos
3 de janeiro de 2019 3:46 pmBotaram a raposa no
Botaram a raposa no galinheiro
Meteram a mão no seu dinheiro
O rico tá com dolar e o pobre sem real
Advinha quem vai ser dar mal
Rui Ribeiro
3 de janeiro de 2019 4:10 pmO Ministro falou das aposentadorias
O Posto Ypiranga falou das altas aposentadorias dos Poderes Legislativo e Judiciário. Ele se esqueceu das altas aposentadorias do Poder executivo.
Acho que ele não quer elevar os benefícios previdenciários da população trabalhadora, mas reduzir os benefícios previdenciários do legislativo e do judiciário, mantendo intactos os benefícios do poder executivo.
André Oliveira
3 de janeiro de 2019 5:23 pmGuedes quer nos enviar de
Guedes quer nos enviar de volta aos bons tempos da escravidão, quando não éramos incomodados por essas chatices de direitos trabalhistas e aposentadorias, antes que o tal Getúlio, aquele marxista petista, transformasse nosso país próspero e feliz em subdesenvolvido.
Como dizia o velho ditado muito popular na grande colônia de ferias de Auschwitz – “Arbeit Macht Frei”.
Nabantino Gonçalves
3 de janeiro de 2019 5:24 pmSegue a empulhação da burguesia
Sobre o “fascismo” da CLT, pelo grande Rogério Maestri:
https://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/clt-tem-origem-na-carta-del-lavoro-fascista-uma-mentira-repetida-100000-vezes-por-rogerio-maestri
Frederico Firmo
3 de janeiro de 2019 8:08 pmGuedes o homem dos fundos de pensão
Me parece que Guedes quer trabalhadores sem direitos movidos por necessidade usando uma carteira verde amarelo e pagando algum fundo de previdência privada. A privatização da previdência, é o objetivo. Esta privatização com toda uma classe média correndo para os fundos de pensão e previdência privada é o sonho do sistema financeiro. O eterno discurso de privilégios, é como se sabe apenas uma cortina de fumaça para auferir lucros.
Quando se fala da previdência dos funcionarios publicos, jamais falam que a contribuição dos funcionários é 11% do salário integral e não como no caso da funcionario civil que é de 11% de no máximo R$ 5.645,80 que é o teto, na CLT.
Isto significa que a contribuição do funcionaŕio público é maior e condizente com o que recebe ao se aposentar.
O discurso de privilégios precisa vir para a realidade. Mas isto esconde o real interesse que ter toda a massa de funcionarios públicos pagando um plano de previdência privada ou fundos de pensão.
Guedes é um gerente de fundos de pensao, e um agente do mercado. De um lado retira direitos trabalhistas e de outro enriquece os fundos privados.
Guedes é também socio em empresas educacionais, e com certeza estará interessado em privatizar a educação. Enquanto nossos liberais vomitam palavras ideológicas do liberalismo, Guedes e outros vão lucrar.
alex konnev
3 de janeiro de 2019 9:48 pmBobagens
Ingenuidade minha, mas fica a pergunta: se Guedes não conseguir os 60% para aprovar a PEC da previdência vai consegui-la para aprovar uma PEC de desindexação das despesas da União? Matéria sem sentido.
j.marcelo
3 de janeiro de 2019 9:49 pmPQ NINGUÉM EXPLICA CLARAMENTE
PQ NINGUÉM EXPLICA CLARAMENTE AO POVÃO Q COM ESSA REFORMA PREVIDENCIÁRIA NOS VAMOS TER Q DEPOSITAR UM DINHEIRO DO NOSSO BOLSO NOS BANCOS PARTICULARES E AINDA SER COBRADO POR ISSO,GERANDO LUCRO ABSURDO AO SETOR FINANCEIRO SEM ELES FAZEREM NADA!?
Roberto de Araujo
4 de janeiro de 2019 1:42 am“CLT e do regime Previdenciário são do mal, ….agora eu entendí
“grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”
Onde se lê associaram, leia-se associam. paulo guedes acabou de dar a melhor definição dos novos ocupantes do Poder Central.
JB Costa
4 de janeiro de 2019 4:05 amPaulo Guedes, um boquirroto
Paulo Guedes, um boquirroto ao estilo Ciro Gomes, faz parecer tudo muito fácil como se a simplificação tivesse o condão de facilitar a concretização de metas e propósitos. Por que – exatamente – a Reforma da Previdência tem esse caráter urgente se seus efeitos fiscais só farão efeito a médio prazo(no mínimo cinco anos ou talvez até mais)?
A resposta padrão de bate-pronto é: porque melhoraria as expectativas econômicas que por sua vez induziria ao crescimento econômico que na sequência aumentaria a arrecadação……..e assim por diante.
Só que até lá “morre o burro e quem o tange”. Os problemas mais urgentes é o retorno da miséria a patamares vergonhosos e o desemprego.
Rogerio C S
4 de janeiro de 2019 1:01 pmComparar Paulo Guedes a Ciro
Comparar Paulo Guedes a Ciro Gomes … Essa é a esquerda idiota que a direita adora.
Rodrigues
4 de janeiro de 2019 9:57 amParabéns para quem votou no
Parabéns para quem votou no atual presidente. Isso é só o começo.
glaucia moreira
4 de janeiro de 2019 4:05 pmCara de pau. Informalidade ñ
Cara de pau. Informalidade ñ é bom pra jovem e aposentadoria é necessidade, pous ninguem é jovem pra sempre. E no Brasil com 45 anos já fica dificil trabalhar. Muita ignorância e vovardia com o trabalhador. Mude os beneficios de vcs q nadam na grana sem ter ônus de nada. Reduza os gastos de vcs. Rejeite o reajuste do STF. Ñ aguento estes políticos dissimulados e q ñ pensam no povo. Deus tenha misericórdia do Seu povo. Triste tudo isso..