4 de junho de 2026

Guedes quer “libertar” jovens da CLT e do regime Previdenciário

Se Previdência não for aprovada, governo fará PEC “desindexando todas as despesas e receitas da União”. Isso significa, na prática, permitir que a União use recursos do orçamento como desejar, desobrigando-a de cumprir investimentos em setores específicos, como Saúde e Educação
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O ministro da Economia, Paulo Guedes, assumiu o cargo oficialmente nesta quarta-feira (02). Durante discurso de posse, em uma cerimônia em Brasília, destacou que “o primeiro e maior de todos” os desafios será a reforma da Previdência, chamada por ele de “uma fábrica de desigualdades”.
 
“Quem legisla tem as maiores aposentadorias, quem julga tem as maiores aposentadorias. O povo brasileiro, as menores”. A declaração do novo ministro não corresponde à realidade da proposta enviada pelo governo Michel Temer ao Congresso, em 2016, e que chegou a ser aprovada em uma comissão especial em maio de 2017, mas não avançou mais na Casa desde então. 
 
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) não altera, por exemplo, a aposentadoria dos militares. Ficou acertado com o Ministério da Defesa e Forças Armadas que uma nova regra será formulada especialmente por eles. De acordo com relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado em junho passado, o gasto da União com as aposentadorias dos militares é 17 vezes maior que os gastos com um aposentado comum.
 
A reforma que tramita no Congresso também não vai acabar com os altos salários do funcionalismo público. Ainda em abril do ano passado, o então presidente Michel Temer excluiu servidores municipais e estaduais da reforma da Previdência, favorecendo a maior parte dos juízes e promotores. 
 
O Ministro Paulo Guede prometeu no discurso que a Reforma da Previdência é fundamental para o país sair da crise, entretanto destacou que o novo governo continuará defendendo as mudanças recomendadas por Temer. 
 
“[A reforma] é o primeiro e maior desafio a ser enfrentado. Se for bem sucedido esse enfrentamento [no Congresso] vamos ter dez anos de crescimento sustentável pela frente”. Em seguida a esta fala, Guedes concluiu:
 
“Se não formos [bem sucedidos] temos sugestões também”, disse apresentando, em seguida, o plano B do governo Bolsonaro que será uma outra PEC desvinculando, desobrigando e desindexando todas as despesas e receitas da União.
 
“Se não aprovarmos temos que dar um passo mais profundo ainda. Agora, ou desindexa tudo, desvincula tudo, ou não há solução. O bonito é que se dar errado, pode dar certo. Porque se der errado a reforma da Previdência, que é a mais importante de todas, que nos dará esse horizonte fiscal, é bastante provável que a classe política dê um passo à frente e assuma, realmente, o comando do orçamento”, arrematou.
 
O professor Titular do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa, explica que o plano B do governo significa autorizar a União a redefinir as prioridades de uma parte de suas receitas.
 
“Na prática, a DRU [Desvinculação de Receitas da União] aumenta a flexibilidade para o governo usar parte dos recursos do orçamento com despesas que considerar mais importantes. Essa autorização deixa livre o uso de 30% de receitas antes ‘engessadas’, destinadas a despesas específicas”. Entretanto, ele pondera que a proposta de Guedes é retórica: 
 
“A opinião pública, se for esclarecida, será contra e pressionará os deputados e senadores a não aprovarem. Exigiria PEC, ou seja, ⅗ de apoio. No fundo, [Guedes] está colocando Educação e Saúde como reféns para o Congresso e a Sociedade aceitar a reforma da Previdência. Este blefe pode desmascarar o governo fazendo-o perder logo o capital político”, observa. 
 
Carteira de trabalho “verde e amarela”
 
Guedes chamou de “fascista” a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e prometeu substituí-la por uma carteira de trabalho “verde e amarela”:
 
“Nós temos que libertar as futuras gerações do regime trabalhista e previdenciário que nós temos hoje. O governo democrático vai inovar e abandonar a legislação fascista da Carta del Lavoro [nome da CLT em italiano]”.
 
Outras mudanças significativas propostas são a simplificação da reforma tributária. O objetivo de Guedes é criar uma espécie de imposto único reunindo entre 7 e 8 impostos, como PIS e IPI. “Vamos abrir a economia, simplificar impostos, privatizar, nós vamos descentralizar os recursos para Estados e municípios”, continuou.
 
Segundo o ministro, com a venda dos ativos do Estado, o governo “talvez” controle a dívida nominal, usando o conhecido exemplo do bolo que precisa crescer.
 
“Se a gente conseguir [isso, em] dois, três, quatro anos, acelerando privatizações, travar esses gastos, eles se dissolvem, porque a economia vai crescer 3%, 3,5%, com mais 3,5%, 4% de inflação. O bolo cresce, se essas empresas, nominalmente, são mantidas estáveis dois, três anos. [Resolveremos] essa asfixia de recursos para Saúde, para Educação, para Cidadania e o Brasil deixará de ser o paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores”.
 
Guedes aproveitou vários momentos do discurso com frases que aproximaram-se das que já vinham sido ditas durante a campanha eleitoral: 
 
“A máquina do governo virou uma gigantesca engrenagem de transferências perversas de renda, em todas as suas dimensões. Se for aos bancos públicos, têm campeão nacional [que] pegou empréstimo, e não a pequena e média. Não foi para o pequeno crédito que os bancos se perderam. Eles se perderam nos grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”, disse arrancando palmas da plateia. 
 

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14 Comentários
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  1. AMORAIZA

    3 de janeiro de 2019 2:43 pm

    O discurso e o fato curioso
     

    O discurso

    “Se for aos bancos públicos, têm campeão nacional [que] pegou empréstimo, e não a pequena e média.

    Eles se perderam nos grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”

    O fato curioso

     

    Curioso…….

    Última distribuidora da Eletrobras foi “doada” e não vendida, denunciam trabalhadores

    A Companhia Energética de Alagoas (Ceal) foi adquirida pela Equatorial Energia por meio de leilão na última sexta-feira (28) na B3, a Bolsa de Valores oficial brasileira, por R$ 50 mil

    https://www.brasildefato.com.br/2018/12/30/ultima-distribuidora-da-eletr

    o mais curioso é onde a Equatorial Energia vai pegar dinheiro para comprar ativos do estado…..

    com esse mesmo estado….

    BNDES aprova R$ 7,6 bi em financiamento para distribuição de energia em dezembro

    Os financiamentos serão destinados para distribuidoras dos grupos Equatorial Energia, Neonergia e CPFL, controlada pela chinesa State Grid, segundo o banco de fomento.

    https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2018/12/bndes-aprova-r-

    Controle acionario da Equatorial Energia:

    https://www.zonebourse.com/EQUATORIAL-ENERGIA-6498753/societe/

    Maior acionista

    Squadra Investimentos Gestão de Recursos Ltda.

    Magos do Mercado: Guilherme Aché, sócio e gestor da Squadra

    Economista formado pela Faculdade Cândido Mendes, Aché começou no Pactual no início dos anos 1990, ainda como estagiário, tornando-se, em 1993, chefe da área de análise de empresas.

    Em 1998, ajudou a fundar a gestora JGP, dos ex-sócios do Pactual André Jakurski e Paulo Guedes, definidos por Aché como os “Magos do Mercado da época” e “os ídolos da sua geração” no mercado financeiro.

    https://blog.genialinvestimentos.com.br/magos-do-mercado-guilherme-ache-

    Segundo maior acionista

    Opportunity Asset Adm de Recursos de Terceiros Ltda

    Olha so que curioso…..o melhor “amigo” do PHA…….Daniel Dantas…….

    Mas daqui pra frente….tudo vai ser diferente…..acabou a corrupisão……..o fim das maracutaias…..

     

    (postado ontem pelo Jackon da Viola)

    https://jornalggn.com.br/noticia/clipping-do-dia-1914

     

  2. André Oliveira

    3 de janeiro de 2019 3:37 pm

    Se não tiver voto para a tal
    Se não tiver voto para a tal reforma da previdência de onde Guedes tirará votos para aprovar uma PEC radical como essa?

  3. luizmattos

    3 de janeiro de 2019 3:46 pm

    Botaram a raposa no

    Botaram a raposa no galinheiro

    Meteram a mão no seu dinheiro

    O rico tá com dolar e o pobre sem real

    Advinha quem vai ser dar mal

     

  4. Rui Ribeiro

    3 de janeiro de 2019 4:10 pm

    O Ministro falou das aposentadorias
    O Posto Ypiranga falou das altas aposentadorias dos Poderes Legislativo e Judiciário. Ele se esqueceu das altas aposentadorias do Poder executivo.

    Acho que ele não quer elevar os benefícios previdenciários da população trabalhadora, mas reduzir os benefícios previdenciários do legislativo e do judiciário, mantendo intactos os benefícios do poder executivo.

  5. André Oliveira

    3 de janeiro de 2019 5:23 pm

    Guedes quer nos enviar de
    Guedes quer nos enviar de volta aos bons tempos da escravidão, quando não éramos incomodados por essas chatices de direitos trabalhistas e aposentadorias, antes que o tal Getúlio, aquele marxista petista, transformasse nosso país próspero e feliz em subdesenvolvido.
    Como dizia o velho ditado muito popular na grande colônia de ferias de Auschwitz – “Arbeit Macht Frei”.

  6. Nabantino Gonçalves

    3 de janeiro de 2019 5:24 pm

    Segue a empulhação da burguesia

    Sobre o “fascismo” da CLT, pelo grande Rogério Maestri:

    https://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/clt-tem-origem-na-carta-del-lavoro-fascista-uma-mentira-repetida-100000-vezes-por-rogerio-maestri

  7. Frederico Firmo

    3 de janeiro de 2019 8:08 pm

    Guedes o homem dos fundos de pensão

    Me parece que Guedes quer trabalhadores sem direitos movidos por necessidade usando uma carteira verde amarelo e pagando algum fundo de previdência privada.  A privatização da previdência, é o objetivo. Esta privatização com toda uma classe média correndo para os fundos de pensão e previdência privada é o sonho do sistema financeiro. O eterno discurso de privilégios, é como se sabe apenas uma cortina de fumaça para auferir lucros.

    Quando se fala da previdência dos funcionarios publicos, jamais falam que a contribuição dos funcionários é 11% do salário integral  e não como no caso da funcionario civil que é de  11%  de no máximo  R$ 5.645,80  que é  o  teto,   na CLT.  

    Isto significa que a contribuição do funcionaŕio público é maior e condizente com o que recebe ao se aposentar.

    O discurso de privilégios precisa vir para a realidade. Mas isto esconde o real interesse que ter toda a massa de funcionarios  públicos pagando um plano de previdência privada ou fundos de pensão.

    Guedes é um gerente de fundos de pensao, e um agente do mercado. De um lado retira direitos trabalhistas e de outro enriquece os fundos privados.

    Guedes é também socio em empresas educacionais, e com certeza estará interessado em privatizar a educação. Enquanto nossos liberais vomitam palavras ideológicas do liberalismo, Guedes e outros vão lucrar.

     

  8. alex konnev

    3 de janeiro de 2019 9:48 pm

    Bobagens

    Ingenuidade minha, mas fica a pergunta: se Guedes não conseguir os 60% para aprovar a PEC da previdência vai consegui-la para aprovar uma PEC de desindexação das despesas da União? Matéria sem sentido.

  9. j.marcelo

    3 de janeiro de 2019 9:49 pm

    PQ NINGUÉM EXPLICA CLARAMENTE
    PQ NINGUÉM EXPLICA CLARAMENTE AO POVÃO Q COM ESSA REFORMA PREVIDENCIÁRIA NOS VAMOS TER Q DEPOSITAR UM DINHEIRO DO NOSSO BOLSO NOS BANCOS PARTICULARES E AINDA SER COBRADO POR ISSO,GERANDO LUCRO ABSURDO AO SETOR FINANCEIRO SEM ELES FAZEREM NADA!?

  10. Roberto de Araujo

    4 de janeiro de 2019 1:42 am

    “CLT e do regime Previdenciário são do mal, ….agora eu entendí

    “grandes programas onde piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro”

     

    Onde se lê associaram, leia-se associam. paulo guedes acabou de dar a melhor definição dos novos ocupantes do Poder Central.

  11. JB Costa

    4 de janeiro de 2019 4:05 am

    Paulo Guedes, um boquirroto

    Paulo Guedes, um boquirroto ao estilo Ciro Gomes, faz parecer tudo muito fácil como se a simplificação tivesse o condão de facilitar a concretização de metas e propósitos. Por que – exatamente – a Reforma da Previdência tem esse caráter urgente se seus efeitos fiscais só farão efeito a médio prazo(no mínimo cinco anos ou talvez até mais)? 

    A resposta padrão de bate-pronto é: porque melhoraria as expectativas econômicas que por sua vez induziria ao crescimento econômico que na sequência aumentaria a arrecadação……..e assim por diante. 

    Só que até lá “morre o burro e quem o tange”. Os problemas mais urgentes é o retorno da miséria a patamares vergonhosos e o desemprego. 

     

    1. Rogerio C S

      4 de janeiro de 2019 1:01 pm

      Comparar Paulo Guedes a Ciro

      Comparar Paulo Guedes a Ciro Gomes … Essa é a esquerda idiota que a direita adora.

  12. Rodrigues

    4 de janeiro de 2019 9:57 am

    Parabéns para quem votou no
    Parabéns para quem votou no atual presidente. Isso é só o começo.

  13. glaucia moreira

    4 de janeiro de 2019 4:05 pm

    Cara de pau. Informalidade ñ
    Cara de pau. Informalidade ñ é bom pra jovem e aposentadoria é necessidade, pous ninguem é jovem pra sempre. E no Brasil com 45 anos já fica dificil trabalhar. Muita ignorância e vovardia com o trabalhador. Mude os beneficios de vcs q nadam na grana sem ter ônus de nada. Reduza os gastos de vcs. Rejeite o reajuste do STF. Ñ aguento estes políticos dissimulados e q ñ pensam no povo. Deus tenha misericórdia do Seu povo. Triste tudo isso..

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