A abertura da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, já nasce como uma das mais controversas da história. Enquanto a bola começa a rolar, analistas apontam para uma postura omissa e seletiva da FIFA, que, sob o pretexto de não misturar esporte e política, estaria atuando como um braço dos interesses das oligarquias ocidentais e do capital financeiro. A análise foi feita durante o programa Observatório de Geopolítica [assista abaixo] do canal TV GGN, no Youtube, na noite de quinta (12).
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem sido alvo de críticas por manter uma retórica de neutralidade que, na prática, favorece a agenda política de Washington. Durante coletivas de imprensa, Infantino adotou uma postura comparada à de “Pôncio Pilatos”, lavando as mãos perante as restrições impostas pelos EUA a determinadas delegações.
Exemplos dessa “seletividade” são flagrantes: o árbitro somali Artan, considerado o melhor do continente africano, foi impedido de entrar em território norte-americano mesmo possuindo passaporte diplomático. Da mesma forma, a seleção do Irã enfrentou graves dificuldades para obter vistos para sua comissão técnica, sendo obrigada a se refugiar em Tijuana, no México, para manter seus treinamentos. A delegação do Senegal também foi alvo de vistorias consideradas abusivas na pista de um aeroporto na Carolina do Norte.
Para os especialistas do Observatório de Geopolítica, a FIFA deixou de ser apenas uma federação esportiva para se transformar em uma “instituição quase Estado”. Com uma potência e reverberação que, em certas instâncias, supera a da própria ONU, a entidade impõe regras às nações e determina resultados que atendem a uma oligarquia global transfronteiriça.
A subversão do desporto à lógica do espetáculo e do lucro é evidente. O futebol estaria “totalmente aprisionado pelos negócios e pelo capitalismo”, movendo somas de dinheiro comparáveis a investimentos bélicos. Nesse cenário, a FIFA é vista não como um mediador independente, mas como um “capacho” dos interesses do imperialismo norte-americano, validando decisões que usam o esporte como ferramenta de controle social e punição internacional de nações desafetas ao bloco ocidental.
A herança do “Sports Washing”
A história do futebol é marcada pelo uso político das Copas por regimes autoritários, como na Itália fascista em 1934 e 1938, ou na ditadura argentina em 1978. Em 2026, a crítica é que a FIFA repete esse padrão de conivência, agora sob a égide do neoliberalismo. Ao contrário da histórica imagem de 1998, quando jogadores de EUA e Irã posaram abraçados em campo na França, a edição atual reflete um mundo de “fragmentação da globalização”, onde as fronteiras se fecham e o futebol é usado como instrumento de hostilização e afirmação de poder.
Enquanto o México busca dar um “toque de humanidade” ao evento ao acolher seleções perseguidas, a FIFA permanece em silêncio, consolidando-se como uma máquina de conformação que privilegia o capital financeiro em detrimento da essência do esporte e da integração entre os povos.
O Observatório de Geopolítica é transmitido de segunda a sexta, sempre às 19 horas, no canal TV GGN no Youtube. Participaram desta edição Felipe Bueno, jornalista com especializações em Política Contemporânea e Relações Internacionais; Miguel Machado, analista de mercados e geopolítica; Joza Novalis, especialista em Relações Internacionais pela UFRGS, e Luís M. Loureiro, jornalista e pesquisador da Universidade do Minho.
Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original do canal TV GGN, no Youtube, em texto para o portal GGN. O uso de I.A. não dispensa, em hipótese alguma, a revisão, apuração e edição por parte de um jornalista da redação GGN.
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