15 de junho de 2026

A arquitetura legal de Trump contra o ‘extremismo transnacional de esquerda’, por Sara Vivacqua

Washington e aliados deixam de tratar domesticamente o crime organizado, o terrorismo e o dissenso político como campos distintos
Donald Trump e Marco Rubio - foto de Molly Riley - Flickr

Administração Trump cria nova doutrina global contra o “extremismo transnacional de esquerda” com apoio internacional.
EUA e Israel planejam fusão militar-industrial para fortalecer combate ao terrorismo, com cooperação ampliada na Europa.
Europa e aliados criminalizam ativismo pró-Palestina, alinhados à estratégia antiterrorista dos EUA e ao lobby sionista global.

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Como Trump está Criando uma Arquitetura Legal para combater o chamado “extremismo transnacional de esquerda” Global – Parte 1

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por Sara Vivacqua

O Ineditismo da Nova Guerra ao Terror de Trump

Uma grande arquitetura legal, política e militar está sendo desenhada pela administração Trump e seus parceiros internacionais para a chamada Nova Guerra ao Terror ao “extremismo transnacional de esquerda” mundial.

Os Estados Unidos estão inaugurando diante de nossos olhos uma doutrina de segurança hemisférica e global, perigosamente incompreendida como simples continuação — mais explícita e agressiva — do expansionismo americano tradicional.

A Nova Guerra ao Terror de Trump não se define por um retorno à doutrina Bush do contraterrorismo pós-11 de setembro, nem se limita à guerra às drogas sob o manto do narcoterrorismo dos anos 80. Ela não é ameaça retórica de uma Casa Branca desgovernada, nem respostas fragmentadas a ameaças específicas comandadas pela impulsividade extrema de Trump.

A Nova Guerra ao Terror de Trump é estruturalmente diferente de todas as guerras americanas anteriores — Coreia, Vietnã, Golfo, Afeganistão, Iraque — que foram projetadas a partir de uma posição de supremacia inquestionada. Os EUA iam à guerra porque podiam, porque o custo era absorvível socialmente, porque a hegemonia financiava e lucrava com a aventura militar. Eram guerras de expansão da hegemonia americana.

A Nova Guerra ao Terror começa por se dar em um contexto inédito da hegemonia americana. Ela ocorre no momento MAGA — Make America Great Again —, da América que quer ser grande novamente precisamente porque deixou de sê-lo de forma incontestável. O MAGA é mais do que a licença retórica do populismo da ultradireita para barrar a ascensão da China, o petrodólar sendo contornado pelo yuan no comércio de energia e o multilateralismo que escapa ao controle dos EUA. Esta é uma guerra de contenção.

Marco Rubio e a Guerra Global contra a Esquerda

Mas a guerra ao Terror de Trump não apenas se dá sob novos paradigmas, ela parece inaugurar novos também. Documentos e atos oficiais da administração Trump elucidam uma doutrina clara, coerente, oportunista e bem documentada contra um novo terrorismo.

Esse novo terrorismo é o chamado “extremismo transnacional de esquerda”, e a doutrina não é nada aleatória, mas está integrada e operacionalizada por uma arquitetura jurídica, militar e política de vários departamentos Na política externa, ela se sustenta indiscutivelmente na cooperação securitária com a Europa e Israel.

Marco Rubio anunciou no fim de maio que Departamento de Estado dos EUA (DOS) está liderando uma iniciativa internacional para combater o chamado “terrorismo transnacional de extrema-esquerda”, reunindo parceiros europeus em workshops técnicos e planejando uma conferência de alto nível em Washington no verão de 2026 com representantes da Europa, Ásia Oriental e Hemisfério Ocidental. De acordo com o Daily Wire, o Workshop reunirá autoridades de vários países europeus que também registraram aumentos “na violência politicamente motivada ligada a grupos anarquistas e de extrema-esquerda”. Aqui está implícita a construção de um sistema operacional do contraterrorismo internacional de inteligência e treinamento, com envolvimento Israelense, para lidar, como o próprio DOS declara, com “grupos pró-Hamas, extremamente violentos, que operam em nossos respectivos países, (e que) estão começando a convergir com o que poderíamos chamar de grupos terroristas de extrema-esquerda ou grupos anarquistas, que praticam esses tipos de atos terroristas e violentos”.

A Administração Trump planeja também realizar uma cúpula global especificamente para combater o Antifa e “outras redes de extremismo de esquerda”, com atenção especial a grupos transnacionais anarquistas e marxistas operando na Europa.

Esta coordenação se baseia numa estratégia jurídica anterior. Em maio de 2026, Trump assinou a primeira Estratégia Nacional de Contraterrorismodo seu segundo mandato, consolidando como ameaça terrorista em “três principais tipos de grupos”: “narcoterroristas e gangues transnacionais”, “terroristas islamistas legados” e“extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas”.

A coordenação com a Europa é explícita no documento que afirma que os EUA estão “coordenando operações de contraterrorismo, compartilhando inteligência acionável e fornecendo expertise” com aliados que compartilham sua avaliação de ameaças — cartéis, jihadistas e extremistas violentos de esquerda. Em outra seção, o documento afirma que “a Europa deve aumentar significativamente seus esforços de contraterrorismo imediatamente”.

Na sua dimensão doméstica, designou-se formalmente como terroristas alguns grupos europeus alinhados ao Antifa.  No plano transnacional, a Estratégia Nacional de Segurança também busca expandir extraterritorialmente a jurisdição americana, estabelecendo que líderes nacionais serão usados como “defensores regionais” e que alianças com governos afins serão “expandidas” para cooperar no combate a “narcoterroristas, cartéis e outros criminosos transnacionais”. Isso significa que governos não aliados estarão como patrocinadores do terrorismo, ou terroristas por associação. Para entender o que isso significa, mais a frente, voltaremos no primeiro dia de mandato de Trump e sua ordem executiva do terror.

A nova guerra ao terror sob Trump parece se afastar da doutrina do terrorismo “árabe-religioso” para transferir a guerra ao jihadismo para o âmago da disputa ideológica contemporânea do pós-7 de outubro dentro da sociedade civil, inclusive da sua.

Washington e aliados deixam de tratar domesticamente o crime organizado, o terrorismo e o dissenso político como campos distintos — integrando-os explicitamente numa doutrina única, autoritária, que intencionalmente descredita a democracia e as trata dentro do mesmo arcabouço de polícia, inteligência e supervigilância, perseguição política, sanções, cooperação internacional e ação militar sob o manto do terrorismo.

Há uma mudança de paradigma dos pós- 7outubro, expressa como política de Estado pela própria administração Trump que equipara sistematicamente protesto pró-Palestina ao terrorismo e ao antissemitismo. Um exemplo inquestionável é o Project Esther, concebido pela Heritage Foundation, o mesmo grupo por trás do Project 2025, que consolidou esta retórica uma política institucional e explícita nos campi universitários. Ações como participar de protestos pró-palestinos foram enquadrados como antissemitismo e fornecimento de apoio material ao terrorismo, para que os manifestantes pudessem ser deportados, enfrentar prisão, penalidades civis ou outras consequências graves.

Uma tentativa de reorganizar a hegemonia americana e do Norte Global por meio da expansão do vocabulário antiterrorista ao “extremismo de esquerda” e ao dissenso na sociedade civil — abrindo o que o direito chama de ‘estados de exceção’ transnacionais, desacreditando as garantias democráticas e pavimentando o caminho para a ascensão da ultradireita e sua interseção com o libertarianismo americano: corrente que prega a dissolução do Estado e a soberania absoluta (supremacia) do indivíduo como princípio político.

A Fusão do Complexo Militar Americano e Israelense

Analistas políticos e membros da sociedade civil americana têm alertado para um movimento no Congresso que adiciona uma nova dimensão a essa doutrina — e talvez a mais difícil de reverter. Para operar sem resistência internacional, a Nova Guerra ao Terror precisa de um parceiro que não possa ser pressionado, sancionado ou constrangido diplomaticamente, e que compartilhe tanto a tecnologia quanto a visão de mundo.

O Congresso americano discute neste momento a integração e fusão militar-industrial e tecnológica dos Estados Unidos com Israel, o chamado United States–Israel FUTURES Act of 2026. A relação EUA-Israel que até agora consiste num modelo centrado em ajuda militar direta anual, daria lugar a uma fusão das indústrias bélicas dos Estados Unidos e Israel. Duas máquinas de guerra operando como se fosse uma, onde o céu é o limite.

O diplomata americano, Chas Freeman em entrevista a Glen Diesen explica que a proposta tem como um dos seus efeitos bloquear a possibilidade de futuras sanções a Israel. A integração militar-industrial criaria uma categoria inédita de aliado. Um aliado estruturalmente insancionável. Ao sancionar Israel, Washington passaria a atingir partes da sua própria máquina militar, industrial, tecnológica e eleitoral. A impunidade muda de natureza e se torna uma exceção estrutural e legal gravada na arquitetura do Estado americano.

Uma pergunta se faz inevitável: qualquer país que sancionasse Israel não estaria automaticamente sancionando os próprios Estados Unidos e sendo potencialmente enquadrado como nação hostil e patrocinadora do terrorismo?

O FUTURES Act reaparece também em uma manobra legislativa como Section 224 dentro do NDAA, que é o grande projeto anual de política e orçamento militar dos EUA. Isso importa porque o NDAA é um veículo legislativo “must-pass”: todos os anos o Congresso precisa aprovar uma versão da lei de defesa. Assim o financiamento de Israel migra para dentro da estrutura máquina de aquisição, tecnologia, dados e produção do Pentágono.

A proposta chega inclusive a criar uma autoridade dentro do Pentágono para sincronizar pesquisa, desenvolvimento, testes, aquisição, integração de sistemas, compartilhamento de informações, coprodução, joint ventures e inserção de tecnologias israelenses em programas militares dos Estados Unidos.

A Coordenação com o Eixo Europeu – A Dimensão Global da Contenção da China e do Sul Global

A Europa, domesticamente, implementa a guerra ao terror do sionismo internacional em forma de securitização e criminalização do ativismo pró-Palestina e da chamada esquerda radical.

A posição europeia dificilmente pode ser lida como sintoma paralelo, ou pressão unilateral sobre um continente relutante, como os próprios europeus querem acreditar. Ela sustenta-se em coordenação solida e numa identificação ideológica com os Estados Unidos e Israel, diante da ameaça de o novo mundo onde também seu poder retrai.

A própria Estratégia de Contraterrorismo dos Estados Unidos deixa clara a posição estratégica com a Europa; “As nações da Europa permanecem nossos parceiros preeminentes e de longo prazo no contraterrorismo. O mundo é mais seguro quando a Europa é forte, mas a Europa está gravemente ameaçada e é simultaneamente alvo do terror e incubadora de ameaças terroristas.”

A operacionalização dessa coordenação é concreta e, pode-se dizer, sem precedentes. O Secretário de Estado Marco Rubio designou formalmente quatro grupos europeus — Antifa Ost, da Alemanha, a Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional da Itália, e duas redes gregas — como Terroristas Globais Especialmente Designados, colocando-os na mesma categoria jurídica que o ISIS-K e o al-Shabaab. Todos os grupos com base exclusivamente na Europa, sem operações nos Estados Unidos. Washington reivindica jurisdição sobre o espectro político europeu, que parece aceitar ativamente.

No Reino Unido, sob o comando do Labour, a guerra ao terror toma proporções descaradas sob o Primeiro Ministro Keir Starmer, principalmente contra jornalistas.  Vínculos financeiros extensos entre o lobby pró-Israel, a Embaixada israelense e o Partido Trabalhista britânico foram revelados repetidamente na imprensa britanica.  Starmer, ao lado 13 de 25 membros de seu gabinete — incluindo a vice-premiê Angela Rayner, a chanceler Rachel Reeves, o ministro das Relações Exteriores David Lammy e a ministra do Interior Yvette Cooper — tiveram suas campanhas financiadas por grupos ou indivíduos do sionismo. Parte desse financiamento passou pelo Labour Friends of Israel, grupo de interferência parlamentar com fontes de financiamento opacas.

O Governo de Starmer há pouco designou a Palestine Action, um grupo civil de ação direta, como grupo terrorista, e tem se utilizado de um arcabouço vago de segurança nacional e leis antiterrorismo para criminalizar a solidariedade palestina na sociedade civil, de forma mais dura que a gestão conservadora, segundo números do próprio Home Office (Ministério do Interior Britânico). Em setembro de 2025, quase 900 pessoas foram detidas numa manifestação de apoio à Palestine Action próxima ao Parlamento britânico — o maior número de detidos num único protesto na história do Reino Unido. Entre os 890 detidos, 857 foram presos simplesmente por demonstrarem apoio ao grupo. O discurso oficial britânico enquadrou as manifestações pró-Palestina como “marchas de ódio” — formulação do ministro do Interior — e como “domínio da turba” nas palavras do próprio primeiro-ministro.

Semana passada o Reino Unido usou, uma vez mais, poderes migratórios vagos para transformar discurso político ofensivo ou radical em motivo de exclusão administrativa. Cenk Uygurdo The Young Turks, e Hasan Piker streamer socialista, tiveram proibidas pelo Home Office de participar da de um festival político. O governo britânico afirmou que a presença deles por alguns dias “poderia não ser conducente ao bem público”, sem fundamentar a decisão. Alemanha, Grécia, Itália e França tem implementado a mesma política diante do crescente apoio pró-palestina.

Desde outubro de 2023, a Alemanha, por exemplo, escalou e expandiu restrições à solidariedade palestina, mesmo quando as ações eram pacíficas — manifestantes em Berlim foram presos por cantar ‘Do rio ao mar, a Palestina será livre’, slogan tratado pelas autoridades alemãs como apoio ao Hamas. A polícia de Berlim, a cidade considerada como ilha do progressismo e vanguarda alemã, chegou a proibir o uso do árabe em protestos, justificando que línguas estrangeiras representam ameaça à segurança. Na França, o governo considerou dissolver o Urgence Palestine, o maior coletivo de solidariedade do país, enquanto ativistas e políticos pró-Palestina enfrentam banimentos de protestos, cancelamentos forçados de eventos e acusações espúrias de “apologia ao terrorismo”. Este não é apenas um alinhamento perfeito com a politica de Washinton, é política comum.

A Espanha de Pedro Sánchez é hoje o caso mais nítido de quanto custa, dentro do bloco ocidental, desviar-se do consenso.

No plano interno, o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, aliado próximo de Sánchez e interlocutor de governos latino-americanos considerados hostis a Washington, foi indiciado em maio de 2026 pela Audiência Nacional espanhola por organização criminosa e tráfico de influências — imputado antes mesmo de ser ouvido, numa decisão que consumou o dano público antes de qualquer contraditório, e com o Vox exigindo imediatamente a retirada do seu passaporte. O roteiro tem paralelos inequívocos com a Lava Jato brasileira.

Pedro Sánchez tem se desviado para além do discurso do consenso europeu, reconheceu oficialmente o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, rompendo com a posição dominante da UE. Em maio de 2025, chamou Israel de “Estado genocida” e afirmou que a Espanha “não faz negócios” com tal país. Em setembro de 2025, declarou: “A Espanha não tem bombas nucleares. Não podemos parar a ofensiva israelense sozinhos, mas não vamos parar de tentar.”

Em 1º de março de 2026, o ministro das Relações Exteriores espanhol José Manuel Albares declarou que as bases de Rota e Morón não seriam disponibilizadas para missões ligadas aos ataques americanos e israelenses ao Irã, argumentando que a ofensiva não estava coberta pelo acordo bilateral de defesa com Washington nem em conformidade com a Carta das Nações Unidas. A resposta de Trump foi imediata e sem mediação diplomática: “Vamos cortar todo o comércio com a Espanha”, declarou Trump na Casa Branca. “A Espanha não tem absolutamente nada que precisemos, salvo gente estupenda. Têm gente estupenda, mas lhes falta uma grande liderança.” Trump também criticou que a Espanha fosse o único membro da OTAN a recusar o compromisso de elevar os gastos militares a 5% do PIB. Não seria prudente descartar, a possibilidade da participação dos EUA no lawfare contra Zapatero.

O Sionismo Internacional e o Eixo Global da Guerra ao Terror

O Sionismo internacional, consolidado e em consolidação no sistema político de vários países através do eufemismo “lobby sionista”, financia e barra candidaturas no parlamento de todo o mundo, num sistema de coação e favor, inclusive no Brasil.

Nos EUA, o próprio AIPAC  afirmou ter endossado 362 candidatos, e reivindicou ter vencido todas as primárias, apoiado por sua rede política e financeira a eleger 318 candidatos nas eleições gerais e ter “derrotado 11 candidatos anti-Israel” em 2024.

Segundo análise da OpenSecrets citada pela Reuters, AIPAC e seus apoiadores deram quase US$ 25 milhões a candidatos democratas ao Congresso e mais de US$ 16 milhões a republicanos no ciclo de 2024.

A maioria dos governos europeus podem ser chamados de atores diretos do genocídio em Gaza. A Europa manteve exportações de armas para Israel durante o período em que o Tribunal Penal Internacional emitia mandados de captura de Netanyahu e Gallant por crimes de guerra. A Polônia chega a garantir a segurança a Netanyahu para participar das comemorações do Holocausto em Auschwitz.

Para além da participação no genocídio em Gaza, em setembro de 2022, Israel e a União Europeia concluíram negociações para um acordo de partilha de inteligência com a Europol em tempo real, cobrindo terrorismo e crime grave, que permite à polícia israelense compartilhar e receber inteligência com suas contrapartes europeias em tempo real. Israel como parceiro estratégico em tecnologia, pesquisa e segurança — com cooperação nos programas Horizon e Galileu, além dos acordos antiterrorismo com a Europol. O próprio relatório TE-SAT 2025 da Europol inclui o extremismo de esquerda e anarquismo na tipologia penal do terrorismo.  O mais revelador é, no entanto,o enquadramento de Gaza como fator que “continuou a amplificar narrativas extremistas violentas, impulsionando a radicalização e mobilização” na UE — enquadrando o ativismo pró-Palestina dentro do contexto do monitoramento antiterrorista, com o antissemitismo descrito como “denominador comum em todo o espectro ideológico”.

Aqui, um enorme alerta ao Brasil. A guerra ao terror também tem sua versão sutil nos tratados de troca de inteligência e informação. A Comissão Europeia recebeu autorização para negociar acordos de troca de dados pessoais com Europol também com Brasil, Bolívia, Equador, México e Peru — autorização concedida em 2023. O acordo com o Brasil foi assinado em março de 2025 e está em processo de ratificação. No mesmo período em que Trump designa organizações brasileiras e latino-americanas como terroristas, a Europol expande sua rede de cooperação de inteligência para a região.

A administração Trump, o sionismo internacional e seus aliados europeus, estão, em outras palavras, reorganizando a guerra ao terror como uma gramática global de poder e de criminalização ideológica, uma categoria definida por orientação política, dissolvendo a distinção entre terrorismo e dissenso geopolítico, autoritarismo e democracia, descredibilizando a última e estabelecendo o “estado de exceção” operacionalizado pelo abuso policial, legislativo e judiciário. Tempos muito obscuros voltam a rondar o Norte-global e o progressismo mundial.

Sara Vivacqua é jornalista investigativa.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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