O governo do presidente Donald Trump está utilizando denúncias de trabalho forçado nas cadeias globais de produção para justificar uma nova rodada de tarifas comerciais contra dezenas de países, numa iniciativa que pode reacender a guerra comercial dos Estados Unidos com importantes parceiros econômicos. A informação é do site Al Jazeera.
A proposta, apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), prevê tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos importados de 60 economias. Segundo Washington, esses países não teriam adotado medidas suficientes para impedir a circulação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada. A iniciativa surge após a Suprema Corte dos EUA invalidar, em fevereiro, parte das tarifas impostas anteriormente por Trump com base em poderes de emergência nacional.
A nova estratégia recorre à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento tradicionalmente usado para investigar práticas comerciais consideradas injustas. O governo norte-americano argumenta que a presença de produtos fabricados com trabalho forçado cria uma concorrência desleal para trabalhadores e empresas dos Estados Unidos.
Entre os países e blocos afetados estão União Europeia, Reino Unido, Canadá, Japão, Índia e China. Diversos governos rejeitaram as acusações e classificaram as medidas como injustificadas ou politicamente motivadas. Autoridades europeias destacam que o bloco já aprovou legislação para restringir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado, embora sua implementação completa esteja prevista apenas para os próximos anos.
Especialistas em direitos humanos e comércio internacional questionam a eficácia da proposta. Críticos afirmam que as tarifas têm mais relação com a política comercial de Trump do que com o combate efetivo ao trabalho escravo contemporâneo. Também há preocupações de que a medida aumente a incerteza para empresas e provoque novas disputas comerciais sem necessariamente melhorar as condições de trabalho nas cadeias produtivas globais.
A proposta passará por consultas públicas e audiências em julho antes de uma decisão final. Caso seja implementada, a medida poderá marcar uma nova fase da política protecionista de Trump e ampliar as tensões comerciais em um cenário econômico internacional já pressionado por conflitos geopolíticos e desaceleração do comércio global.
Fonte: Al Jazeera. Com informações complementares de Reuters e Associated Press.
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