Os Estados Unidos vivem hoje uma concentração de riqueza e poder político superior à observada durante a chamada Era Dourada (“Gilded Age”), período marcado pelo domínio dos grandes magnatas industriais entre o final do século XIX e o início do século XX. A afirmação é do economista e vencedor do Nobel Paul Krugman.
Em artigo publicado em seu Substack, Krugman argumenta que a comparação frequentemente feita entre a atualidade e a Era Dourada acaba sendo injusta com o passado: embora os chamados “barões ladrões” da época tenham acumulado fortunas gigantescas, os bilionários contemporâneos concentram uma parcela ainda maior da riqueza nacional e exercem influência política mais ampla e menos sujeita a limitações institucionais.
Para sustentar a tese, o economista compara os patrimônios dos cinco americanos mais ricos de 1918 com os dos quinze mais ricos de 2025 — número ajustado ao crescimento populacional dos Estados Unidos. De acordo com sua análise, a participação dos super-ricos na riqueza total do país e no Produto Interno Bruto (PIB) supera os níveis registrados no auge da Era Dourada.
Krugman destaca ainda que a influência política dos bilionários se manifesta de diversas formas, desde o financiamento de campanhas eleitorais até o controle de grandes veículos e plataformas de comunicação: dados analisados pelo New York Times mostram que cerca de 300 bilionários responderam por 19% das contribuições políticas realizadas durante as eleições de 2024.
O economista também aponta para o crescente papel de empresários da tecnologia e das finanças na definição da agenda pública. Entre os exemplos mencionados estão Elon Musk, controlador da rede social X, e outros grandes empresários que, segundo Krugman, utilizam sua influência econômica para moldar debates políticos, interferir em regulações e influenciar decisões governamentais.
Embora reconheça que figuras históricas como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e Henry Clay Frick tenham construído suas fortunas por meio de práticas empresariais frequentemente monopolistas e agressivas, Krugman ressalta que muitos deles destinaram parcelas expressivas de seus recursos à filantropia, financiando instituições culturais, educacionais e científicas que permanecem relevantes até hoje.
Já os bilionários contemporâneos, afirma, destinariam proporcionalmente menos recursos a iniciativas de interesse público. O economista cita dados da revista Forbes para sustentar que alguns dos homens mais ricos do país doaram apenas uma pequena fração de suas fortunas acumuladas.
Para Krugman, os Estados Unidos já ultrapassaram há décadas os níveis de desigualdade econômica característicos da Era Dourada, mas ao invés de repetir aquele período histórico, a fase atual seria de oligarquização, marcada pela concentração extrema de riqueza e pela capacidade de uma pequena elite econômica de influenciar decisões políticas, econômicas e sociais em escala sem precedentes.
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