17 de junho de 2026

Minas, seguros e tensão militar ainda travam navegação pelo Estreito de Ormuz

Mesmo após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, armadores e seguradoras mantêm cautela; mais de 550 embarcações aguardam passagem
Estreito de Ormuz

A navegação no Estreito de Ormuz voltou oficialmente, mas poucos navios atravessaram após o cessar-fogo entre EUA e Irã.
Temor de minas marítimas e ataques recentes mantém empresas e seguradoras cautelosas na região estratégica.
Custos de seguros de risco de guerra seguem altos e disputa sobre taxas de segurança persiste entre Irã e países do Golfo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Apesar do acordo preliminar anunciado pelos governos dos Estados Unidos e do Irã para encerrar o conflito que provocou a maior crise energética das últimas décadas, a retomada da navegação no Estreito de Ormuz ainda está longe da normalidade.

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A passagem marítima, responsável pelo transporte de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia antes da guerra, voltou oficialmente a operar, mas dados de monitoramento naval mostram que apenas um número reduzido de embarcações atravessou a região desde o anúncio do cessar-fogo, enquanto centenas de navios permanecem parados dos dois lados do estreito.

Segundo análise da Al Jazeera, a cautela das empresas de navegação e das seguradoras ajuda a explicar esse cenário. Embora o acordo tenha reduzido o risco imediato de uma interrupção prolongada do fluxo de petróleo, permanecem dúvidas sobre a estabilidade da trégua e sobre as condições de segurança da rota.

O principal temor envolve a possível existência de minas marítimas instaladas durante o conflito. Autoridades americanas afirmam que parte da área precisa passar por operações de verificação e limpeza antes que seja considerada plenamente segura.

Mesmo sem confirmação oficial sobre a presença desses artefatos, a simples possibilidade de sua existência já é suficiente para afastar armadores e elevar os custos operacionais.

Outro fator que pesa na decisão das empresas é o histórico recente de ataques na região. Nas últimas semanas, embarcações comerciais foram atingidas durante a escalada militar entre Washington e Teerã, ampliando a percepção de risco em uma via marítima que, em seu trecho mais estreito, possui apenas 33 quilômetros de largura.

Além das ameaças físicas, o setor enfrenta um obstáculo financeiro. Os seguros de risco de guerra dispararam durante o conflito. Antes da crise, as apólices representavam cerca de 0,25% do valor das embarcações em cada travessia.

No auge das hostilidades, esse percentual chegou a 5%. Embora os custos tenham recuado após o cessar-fogo, continuam muito acima dos níveis considerados normais.

Há ainda uma disputa sobre a governança da passagem marítima. O Irã defende a cobrança de taxas relacionadas à coordenação da segurança dos navios que cruzam a região, argumento rejeitado pelos Estados Unidos e por países do Golfo, que veem a medida como uma restrição à liberdade de navegação.

Para o mercado internacional de energia, a reabertura de Ormuz representa um alívio importante, mas não definitivo. O estreito continua sendo uma peça central da geopolítica global e qualquer novo incidente pode voltar a pressionar preços do petróleo, custos de transporte e expectativas de crescimento econômico.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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