Representantes dos Estados Unidos e do Irã chegaram à Suíça neste domingo para conversações diretas, cerca de uma semana após os dois países assinarem um acordo preliminar para encerrar o conflito entre eles. Os encontros acontecem no resort de montanha Bürgenstock.
O entendimento inicial prevê um cessar-fogo em “todas as frentes”, incluindo o Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz e um prazo de 60 dias, prorrogável, para a conclusão de um acordo definitivo. O documento também inclui um plano de reconstrução do Irã no valor de US$ 300 bilhões e o comprometimento dos EUA em encerrar todas as sanções contra o país.
Mediação do Paquistão
Pelo lado americano, participam das conversas o vice-presidente JD Vance, o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff. Vance afirmou que os EUA esperam avançar nas discussões sobre “a questão nuclear” e sobre o Líbano.
O Irã enviou o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Teerã sinalizou que chegará às negociações cobrando que “o outro lado cumpra seus compromissos”.
O Paquistão, que atuou como mediador ao longo do conflito e já sediou rodadas anteriores de negociação entre as duas potências, também marcou presença. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe das Forças Armadas paquistanesas, o marechal Asim Munir, participam dos encontros.
Tensões persistem
Apesar do otimismo diplomático, o cenário no terreno segue instável. O Irã anunciou no sábado o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, alegando violações do cessar-fogo, embora dados de rastreamento de embarcações indiquem que navios continuaram a passar pela via.
No Líbano, combates entre Israel e o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã, prosseguem mesmo após um cessar-fogo firmado na sexta-feira. Israel insiste que seu conflito com o Hezbollah é separado da guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro com participação americana. O país ocupa cerca de 5% do território libanês no sul, de onde diz não pretender se retirar.
O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah lançar fogueiros contra Israel em retaliação a um ataque que matou o líder supremo iraniano. Israel respondeu com uma campanha de bombardeios em todo o país.
Nó nuclear
A questão que originou o conflito, o programa nuclear iraniano, ainda não está resolvida e será o centro das negociações ao longo das próximas semanas. É também o ponto de maior tensão: os EUA apontavam o avanço nuclear do Irã como a principal justificativa para o conflito, e qualquer entendimento duradouro depende de um acordo sobre o tema.
*Com informações da BBC.
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