1 de julho de 2026

Relatório aponta China como principal beneficiada pela crise no Oriente Médio

Expansão da energia solar e das exportações de veículos elétricos reforça a liderança chinesa após a crise energética.
Imagem: Pixabay

A crise no Estreito de Ormuz elevou preços de energia e afetou países asiáticos dependentes das importações do Oriente Médio.
China usou reservas estratégicas de petróleo e expansão renovável para enfrentar a crise com menor impacto que vizinhos asiáticos.
Exportações chinesas de veículos elétricos e equipamentos solares cresceram, fortalecendo posição econômica e diplomática da China.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A crise geopolítica desencadeada pela ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã acabou produzindo um vencedor inesperado: a China. Essa é a conclusão de um relatório divulgado pela consultoria geopolítica Asia Group, que avalia os impactos econômicos e estratégicos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre as principais economias asiáticas.

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Segundo o estudo divulgado pelo jornal britânico The Guardian, Pequim conseguiu atravessar o choque energético com menos dificuldades que seus vizinhos graças à combinação de grandes reservas estratégicas de petróleo e ao rápido avanço da geração de energia renovável. Além disso, a crise acelerou a demanda global por tecnologias limpas — setor no qual a China ocupa posição dominante.

O relatório analisa os efeitos da interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde circulava a maior parte das exportações de petróleo e gás natural do Oriente Médio antes do conflito iniciado em fevereiro. O bloqueio elevou os preços internacionais da energia e afetou principalmente os países asiáticos, que dependem fortemente dessas importações.

Reservas e energia renovável reduziram impacto

De acordo com a análise, a China vinha ampliando seus estoques estratégicos de petróleo antes da crise. Em 2025, as importações de petróleo bruto passaram de 11,1 milhões para 11,6 milhões de barris por dia, sendo que mais de 80% desse aumento foi direcionado para formação de reservas.

No início de 2026, o país possuía estoques suficientes para cobrir cerca de 104 dias de importações, oferecendo maior proteção diante da interrupção do comércio internacional.

Outro fator decisivo foi a expansão da matriz energética renovável. Apenas em 2025, a China instalou 315 gigawatts (GW) de capacidade solar, mais da metade de toda a nova capacidade fotovoltaica adicionada no mundo naquele ano. Em 2024, já havia incorporado outros 277 GW.

Embora o carvão ainda responda por mais da metade da geração elétrica chinesa, a participação das fontes renováveis cresce rapidamente. A meta de Pequim é que metade da energia consumida no país seja proveniente de fontes não fósseis até 2030.

Segundo o Asia Group, a combinação entre reservas de petróleo e infraestrutura renovável permitiu que a China enfrentasse “melhor do que qualquer outro país da região” os efeitos imediatos da crise.

Exportações também foram beneficiadas

O relatório afirma que a reação de diversos países à instabilidade no mercado de petróleo acelerou investimentos em energia limpa, beneficiando diretamente a indústria chinesa.

Pequim domina boa parte da cadeia global de fornecimento de painéis solares, baterias e veículos elétricos, setores que ganharam impulso com a busca por alternativas aos combustíveis fósseis.

Os dados citados pelo estudo mostram que as exportações chinesas de veículos elétricos cresceram mais de 110% em maio, na comparação anual, enquanto os embarques de equipamentos solares aumentaram 60% em abril.

Além dos efeitos econômicos, o estudo aponta que a crise fortaleceu a posição diplomática chinesa.

Enquanto os Estados Unidos ampliaram seu envolvimento militar no Oriente Médio, Pequim defendeu um cessar-fogo e buscou apresentar-se como defensora da estabilidade internacional.

Segundo o relatório, esse cenário permite à China reforçar a narrativa de que Washington é um fator de instabilidade global, ao passo que Pequim procura se apresentar como uma potência voltada ao diálogo e à cooperação econômica.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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