O tabuleiro político para a corrida ao Palácio do Planalto ganhou novos contornos com a oficialização do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como pré-candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado (PSD). Anunciada em Brasília, a movimentação busca engajar a capilaridade da sigla, que detém o maior número de prefeitos e vereadores no país, em uma estratégia de chapa única. Contudo, o plano esbarra em acordos locais consolidados nos quatro maiores colégios eleitorais do país, onde lideranças do próprio partido darão palanque a adversários.
Em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, que concentram a maior parte dos votantes, o PSD local está alinhado a outras candidaturas presidenciais, como a do presidente Lula (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de nomes apoiados por Romeu Zema (Novo). Durante o lançamento, Kassab minimizou os desfalques de governadores e caciques regionais, justificando a ausência pelo encerramento do prazo legal para inauguração de obras.
O nó dos palanques regionais
O evento na sede do partido foi marcado por críticas duras à gestão federal e ao funcionalismo. Caiado, por sua vez, defendeu a escolha de uma chapa “puro sangue” com foco na estabilidade política e na gestão compartilhada, afastando o caráter decorativo do cargo.
Apesar do otimismo da cúpula, a realidade nos estados impõe o pragmatismo das costuras regionais. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 31,2 milhões de eleitores, o PSD apoia a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já declarou voto em Flávio Bolsonaro.
Em Minas Gerais (16,7 milhões de eleitores), o cenário se repete. O governador Mateus Simões, embora seja do PSD, apoia o projeto de Romeu Zema, inviabilizando o palanque exclusivo de Caiado no estado.
No Rio de Janeiro (13,5 milhões de eleitores), o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo fluminense, repetirá a estratégia de 2022 e dará palanque a Lula. O petismo oficializou o apoio a Paes em abril, consolidando uma aliança que inclui o emedebista Washington Reis, recentemente alvo de operação da Polícia Federal. Em entrevista, Kassab descartou oportunismo por parte de Paes.
“Não é um gesto de oportunismo, mas de respeito a peculiaridades locais num país em que a legislação infelizmente ainda permite coligação majoritária. Não é liberar. Vou pegar o caso do Rio de Janeiro: tão importante quanto a eleição do Caiado para o PSD e para o Brasil, é a eleição do Eduardo Paes para o Rio de Janeiro. Não tem nenhum sentido nós não compreendermos essa circunstância do Eduardo Paes, que tem uma candidatura abraçada por vários partidos políticos, diversas lideranças que não estão na candidatura do Caiado“, disse Kassab em entrevista à CNN Brasil.
Na Bahia, o PSD está formalmente coligado ao PT. Sob a liderança estadual do senador Otto Alencar, o partido apoia a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) e as candidaturas de Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado, fechando as portas para Caiado no quarto maior colégio eleitoral do país.
Deixe um comentário