2 de julho de 2026

Musculação reprograma genes do fígado e ajuda a combater doença hepática, mostra estudo

O estudo mostrou que, nos camundongos obesos que passaram pelo treinamento de força, essa sensibilidade à insulina foi recuperada
Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Pesquisadores da Unicamp descobriram que treino de força pode reprogramar genes do fígado e ajudar na doença hepática esteatótica.
Em camundongos obesos, musculação alterou a metilação do gene MTCH2, melhorando o equilíbrio energético e reduzindo inflamação hepática.
Treinamento recuperou sensibilidade à insulina e reduziu enzimas ligadas à fibrose, favorecendo a regeneração do tecido hepático.

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que o treinamento de força pode ir muito além de fortalecer músculos: ele também é capaz de “reprogramar” o funcionamento genético do fígado, ajudando a combater a doença hepática esteatótica, o acúmulo de gordura no órgão associado ao diabetes tipo 2. O trabalho foi publicado em novembro na revista científica Life Sciences.

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A equipe, coordenada pelo professor Leandro Pereira de Moura, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp), queria entender de que forma um estímulo criado no músculo poderia repercutir positivamente no fígado. A resposta encontrada está na epigenética, o campo que estuda como hábitos e fatores ambientais influenciam a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA.

O mecanismo investigado foi a metilação do DNA: a fixação de um grupo metil na região que “liga” um gene, dificultando o acesso das enzimas responsáveis por ativá-lo.

Em camundongos obesos submetidos a oito semanas de musculação, os cientistas identificaram alterações na metilação do gene MTCH2, ligado diretamente ao modo como o fígado gera e utiliza energia.

Fígado

Segundo os pesquisadores, a obesidade transforma o fígado em um ambiente hostil. O acúmulo de gordura nos hepatócitos provoca inflamação persistente e comprometimento das mitocôndrias, as estruturas responsáveis pela produção de energia celular.

Nessa condição, o órgão tenta se regenerar, mas a falta de energia interrompe o processo, e o tecido saudável vai sendo progressivamente substituído por fibrose. É justamente nesse contexto de sobrecarga que o gene MTCH2 passa a funcionar de forma desregulada, agravando o quadro.

Efeito do treino

Nos animais treinados, os cientistas notaram um fenômeno curioso: mesmo com o gene MTCH2 sendo “acionado” normalmente (por meio do RNA mensageiro), a quantidade final da proteína associada a ele diminuiu. Para Moura, isso acontece porque a musculação restabelece o equilíbrio energético do fígado e reduz a inflamação, sinalizando ao organismo que a situação de emergência passou, o que leva o próprio corpo a frear as etapas finais de produção dessa proteína.

Sensibilidade à insulina

O fígado tem papel central no controle da glicemia: ele armazena açúcar após as refeições e o libera durante o jejum, seguindo as instruções da insulina. Quando inflamado, porém, o órgão perde a capacidade de “ouvir” esses sinais, mantendo a liberação de glicose mesmo quando desnecessário. O estudo mostrou que, nos camundongos obesos que passaram pelo treinamento de força, essa sensibilidade à insulina foi recuperada.

Além disso, o exercício reduziu a atividade de enzimas ligadas à fibrose e ao crescimento celular desordenado, e aumentou a produção da proteína ATP5, essencial à geração de energia nas mitocôndrias.

“Com energia abundante, as células saem do estado de alerta e deixam de ativar o gene MTCH2, favorecendo a regeneração do tecido”, explica Moura. “Levantar pesos fortalece não só os músculos, mas também controla como o DNA do fígado funciona.”

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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