A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos inicia nesta segunda-feira (6), em Washington, as audiências públicas para debater a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O processo, recomendado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), é baseado em uma investigação da Seção 301. O órgão americano alega suposto favorecimento ao Pix, acordos comerciais preferenciais, além de questões ligadas ao etanol, desmatamento, corrupção e pirataria para justificar a barreira.
Dividido em 14 painéis entre segunda e terça-feira, o evento é visto pelo empresariado como a última oportunidade para tentar barrar ou mitigar as taxas antes da decisão final de Washington, agendada para o próximo dia 15 de julho. Cada representante inscrito terá cinco minutos para expor argumentos técnicos, sujeitos a questionamentos do USTR.
Mobilização empresarial e foco no agronegócio
A articulação do setor privado concentra-se em demonstrar os impactos econômicos das tarifas nas cadeias produtivas de ambos os países. Entidades do agronegócio brasileiro e seus compradores em solo americano lideram a ofensiva e devem centralizar as atenções nos painéis.
O setor industrial também se mobiliza com delegações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).
Governo brasileiro prioriza bastidores e vê viés político
Diferente do setor produtivo, o governo brasileiro optou por não se inscrever para discursar nas audiências públicas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a embaixada em Washington enviará diplomatas apenas como observadores.
A avaliação do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que o fórum público não é o espaço adequado para a negociação real. A diplomacia brasileira prioriza conversas técnicas de alto nível, como o encontro recente entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o representante do USTR, Jamieson Greer.
Nos bastidores, integrantes do Executivo classificam a recomendação das tarifas como uma medida de caráter político, apontando que os documentos de abertura da investigação, em julho de 2025, e a recomendação atual são praticamente idênticos, ignorando os dados técnicos apresentados pelo Brasil no último ano. A expectativa de interlocutores do governo é que não haverá reversão total do tarifaço, mas sim uma tentativa de negociar reduções ou exceções.
Palanque político e corrida contra o tempo
Embora o Executivo se mantenha fora dos microfones da audiência, o cenário em Washington será utilizado por opositores políticos. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e o influenciador Paulo Figueiredo estão inscritos para falar. O parlamentar fará a abertura do segundo dia de painéis, nesta terça-feira.
O governo brasileiro corre contra o relógio para obter uma resposta formal dos EUA sobre uma proposta enviada que detalha as ações do país nos seis pontos críticos levantados por Washington, incluindo o combate ao desmatamento e dados da balança comercial bilateral. O prazo final para um eventual acordo se encerra em nove dias.
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