6 de julho de 2026

A identificação do inspetor Clouseau e as dúvidas que pairam sobre a PF, por Luís Nassif

Seja como for, apesar do profissionalismo de tantas operações da PF, a força tarefa do caso Master ainda provoca suspeitas.
Imagem gerada por IA

Operação Lava Jato 2 teve vazamentos de um policial perito em Vilhena, Roraima, investigados pela PF.
Vazamentos ocorreram entre dez/2023 e jan/2024, alimentando versões exclusivas no STF sobre o caso Master.
Pedidos de quebras de sigilo seletivos e vazamentos por canais alternativos geram suspeitas sobre a força-tarefa.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Como prevíamos, a tentativa de Lava Jato 2 foi deflagrada por um policial lavajatista em contato com uma jornalista lavajatista. E, no final da aventura, o policial, perito, transmudou-se no inspetor Clouseau, o imortal personagem da Pantera Cor de Rosa repassando informações irrelevantes, mas que ganhavam status por terem sido vazadas.

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Ao identificar o inspetor há duas leituras. 

A benevolente é que a Polícia Federal, como instituição, é profissionalizada, e o vazamento foi um crime individual, devidamente apurado e punido.

A negativa é que montou-se um jogo de cena quando se percebeu que os abusos dos vazamentos poderiam comprometer o desfecho da operação, assim como ocorreu na Lava Jato.

Saliente-se que o Jornal GGN foi o primeiro a apontar as semelhanças.

Vamos à segunda hipótese.

  1. Foi apontado como culpado um perito judicial que trabalhava nos confins do país, em Vilhena (Roraima). 
  2. Segundo as investigações, o vazamento teria ocorrido entre dezembro do ano passado e janeiro. Ou seja, permitiu-se que se consolidasse a versão de que o Master era um caso exclusivo do Supremo Tribunal Federal.
  3. No dia 30 de junho, Malu Gaspar noticiou reuniões ocorridas entre Jaques Wagner e André Mendonça, e mencionou “estranheza” da PF em relação ao tema, confirmando que continuava sendo alimentada por vazamentos.

Outros fatos ajudam a alimentar a imagem lavajatista da operação:

  1. O pedido de quebra de sigilo bancário de Fábio Luiz Lula da Silva, sem nenhuma evidência maior de envolvimento com o caso Master – prontamente aceita pelo Ministro André Mendonça.
  2. O não pedido de quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro, apesar da uma gravação dele pedindo dinheiro a André Vorcaro.
  3. O fato da gravação ter vazado por canais alternativos, e não pelos dutos oficiais da PF com a Globo e Veja. Pode ser uma maneira da força-tarefa vazar informações que não seriam aceitas pela mídia convencional; pode ser o vazamento de um integrante, contra a blindagem de Flávio pela PF.
  4. O compartilhamento de dados com a CPI do INSS, valendo-se de um estratagema da Lava Jato, de deixar mais de um canal passível de vazamento como forma de blindar seus próprios vazamentos.

Seja como for, apesar do profissionalismo de tantas operações da PF, a força tarefa do caso Master ainda provoca suspeitas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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