Quando se lê que a produtividade do trabalhador brasileiro é baixa – e é, efetivamente – imediatamente vem em mente a baixa escolaridade, a formação escassa.
Essa mesma avaliação apareceu por aqui nos anos 90, logo após o Plano Real. Os preços se estabilizaram, a economia se estabilizou e o capital estrangeiro retornou ao país.
Na época, conversei com executivos coreanos, de fábrica que se instalou em Manaus, franceses e alemães. E indaguei sobre o que de melhor encontraram no país. A resposta unânime: a criatividade do trabalhador brasileiro.
Na época, as estatísticas comparavam o tempo médio de estudo do trabalhador japonês, do americano e do brasileiro. A diferença em relação ao Brasil era abissal. Quem me esclareceu a questão foi o diretor de RH da Mercedes Benz.
Disse-me ele que havia um setor metalúrgico na empresa, submetido a uma digitalização. Os trabalhadores – metalúrgicos, nordestinos, mal saídos do primário – receberam um mês de treinamento. E, segundo o diretor de RH, passaram a ser mais produtivos que os alemães.
Que não se minimize a importância da formação técnica. Mas o trabalhador brasileiro sempre teve uma característica muitas vezes mal compreendida: o jeitinho, a capacidade de buscar soluções fora da caixinha.
Carlos Salles, o inesquecível presidente da Xerox do Brasil reforçou essa visão. Nos tempos em que a Xerox era uma das empresas mais inovadoras do planeta, anualmente havia um concurso entre todas as Xerox mundiais, com 5 premiações. Indaguei quantas a Xerox do Brasil obtivera no último concurso: 6, respondeu-me ele. Como assim? 5 no concurso e uma 6a pelo bicampeonato. É um fenômeno da Xerox Brasil? Não, de todas as multinacionais brasileiras.
Some-se a isso uma jóia brasileira pouco conhecida fora do ambiente industrial: o sistema SESI. Em 2025 registrou mais de 390 mil matrículas, sendo 128.900 de EJA (Educação de Jovens e Adultos), modalidade de ensino destinada a pessoas que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade regular, e 261mil de educação básica regular. E os Institutos Federais, com 1,4 milhão de matrículas em mais de 11 mil cursos gratuitos. 56% dos alunos são negros e 72% têm renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo — é a rede pública de maior capilaridade no interior do país.
A educação profissional brasileira como um todo cresceu 68% em cinco anos, alcançando 3,2 milhões de matrículas em 2025 (Censo Escolar/INEP).
Onde está o problema, então?
A produtividade do trabalho corresponde ao PIB divididos número de trabalhadores empregados. Seus maiores determinantes são capital físico por trabalhador, capital humano (educação e qualificação), tecnologia e qualidade das instituições.
Separando os fatores em 10 anos:
1. Produtividade do trabalho quase estagnada.
2. Capital físico: Estagnado abaixo do pico de 20,9% (2013); insuficiente para modernizar o parque produtivo.
3. Tecnologia/Inovação: recuperação lenta.
4. Capital humano: melhoria na escolaridade média, na alfabetização e no superior completo.
Síntese: na última década, o Brasil melhorou o fator quantitativo de capital humano (mais anos de estudo, menos analfabetismo), mas investimento físico e P&D andaram de lado — e é justamente a combinação de capital por trabalhador + tecnologia que gera saltos de produtividade.
A seguir, planilha com os principais indicadores:

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