O plano de reconstrução da Faixa de Gaza promovido pelo Conselho da Paz (Board of Peace), criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi drasticamente reduzido. A proposta inicial, que previa a recuperação de todo o território palestino, deu lugar a um projeto-piloto de alcance limitado no sul de Gaza, nas proximidades de Rafah. A informação foi publicada pelo jornal britânico The Guardian, em reportagem do correspondente diplomático Patrick Wintour.
Segundo a reportagem, o projeto experimental prevê a instalação de um acampamento temporário para uma pequena parcela dos cerca de 2 milhões de palestinos deslocados pela guerra. O local seria administrado por uma estrutura palestina, com apoio de uma força internacional de estabilização composta inicialmente por militares de países como Marrocos e Kosovo.
Apesar de alguns avanços logísticos — como a chegada de oficiais estrangeiros a Israel e a construção de uma base de apoio próxima à passagem de Kerem Shalom — as obras do acampamento ainda não começaram. Fontes envolvidas no planejamento afirmam que dificilmente haverá progresso significativo antes das eleições israelenses marcadas para 27 de outubro.
De acordo com o The Guardian, diplomatas ocidentais acreditam que a continuidade do projeto depende do cenário político em Israel. Há receio de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pressionado eleitoralmente, amplie a ofensiva militar em Gaza antes da votação, o que poderia inviabilizar até mesmo a iniciativa reduzida.
Desde o cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos em outubro do ano passado, Israel teria restringido os trabalhos de reconstrução e limitado a entrada de ajuda humanitária. O Exército israelense também ampliou sua presença territorial na Faixa de Gaza, aumentando as dificuldades para a implementação de projetos civis.
O plano original apresentado pelo Conselho da Paz prometia restaurar infraestrutura essencial — como redes de água, energia, hospitais e padarias — em cerca de cem dias. Após meses de impasse, entretanto, as negociações passaram a concentrar esforços apenas no projeto de Rafah, considerado por críticos insuficiente para responder à crise humanitária no enclave palestino.
Outro obstáculo é o financiamento. Dos cerca de US$ 17 bilhões inicialmente prometidos para a reconstrução de Gaza, apenas uma pequena parcela foi efetivamente disponibilizada. A União Europeia anunciou recentemente novos recursos destinados à recuperação de infraestrutura básica, mas o montante permanece distante das necessidades estimadas para a reconstrução do território.
Autoridades palestinas ouvidas pelo The Guardian afirmam que medidas pontuais podem aliviar o sofrimento imediato da população, mas alertam que soluções fragmentadas não substituem um plano abrangente para a reconstrução de Gaza e para a busca de uma solução política duradoura para o conflito.
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